Nick Clegg, vice-premiê britânico, disse que acusação de envio de submarino é 'sem fundamentos' (AFP)
SEUL – Argentina e Grã-Bretanha tiveram um atrito nesta terça-feira
em Seul depois que o chanceler argentino, participando de uma cúpula
sobre segurança nuclear, acusou uma "potência extrarregional" de enviar
ao Atlântico Sul um submarino capaz de transportar armas nucleares.
As tensões entre Londres e Buenos Aires recrudesceram às vésperas do
30º aniversário da guerra travada entre dois países pela posse das ilhas
Malvinas (ou Falklands), que durou dez semanas e resultou na morte de
650 militares da Argentina e 255 da Grã-Bretanha.
A Grã-Bretanha ficou indignada com as declarações do ministro Hector
Timerman, e o vice-premiê britânico, Nick Clegg, re-escreveu seu
discurso para apresentar uma resposta.
"Receio ter a obrigação de responder às insinuações feitas pela
delegação argentina sobre a militarização do Atlântico Sul pelo governo
britânico", disse ele. "São insinuações infundadas e sem base."
A Grã-Bretanha, que venceu a guerra e controla as ilhas, diz que só
aceita discutir a soberania do arquipélago caso os seus 3 mil habitantes
solicitem, o que parece improvável num futuro próximo.
Reuters
Nota da Redação:
É dona Argentina, lembras do general Figueiredo que comandou o Brasil
e obrigou a aterrissar no Rio, durante a guerra das Malvinas, um avião
militar britânico (Vulcan), que armado ia para o conflito nas Malvinas?
Pois é, a rota que esse avião fazia era em direção a Buenos Aires, e
aí??
Vulcan – possivelmente em rota direta para Buenos Aires (a guerra era nas Malvinas)
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REAÇÃO
No dia 5 de junho de 1982, a embaixada britânica entregou um duro
texto para as autoridades brasileiras. A conclusão da mensagem, incluída
no documento 011650 do SNI, não poderia ser mais objetiva. 'O governo
de Sua Majestade Britânica lamenta ter que deixar claro ao governo
brasileiro que a reversão da decisão anunciada em 3 de junho, se
mantida, acarretaria sérias conseqüências para as amistosas relações de
que a Grã-Bretanha e o Brasil têm desfrutado ininterruptamente há tanto
tempo e às quais atribui grande valor', diz a mensagem.
No recado enviado pelos britânicos, é feita menção à passagem de
aviões com armas para a Argentina. 'À luz das antigas e amistosas
relações entre a Grã-Bretanha e o Brasil, o governo de Sua Majestade
Britânica acredita ter o direito de esperar tratamento equilibrado na
atual situação de crise. Nesse contexto, tem conhecimento de que aviões
militares argentinos e outras aeronaves utilizaram e continuam
utilizando aeroportos brasileiros ao transportarem equipamento militar
para uso pela Argentina.'
Os papéis mostram o esforço do Brasil para negar ao governo
britânico a versão de que fosse conivente com o trânsito de armas. 'Já
foi explicado ao embaixador britânico que o governo brasileiro não tem
interesse em participar de operações triangulares para o fornecimento de
armas', relata a correspondência enviada pelo Ministério das Relações
Exteriores a Figueiredo.
Segundo o documento, o Brasil teria avisado aos ingleses 'que já
vendeu e continuará a vender armas' ao país vizinho. Pressionado pelos
britânicos, o governo devolveu o Vulcan a seu país de origem, mas sob
condições que não desagradaram à Argentina – sem as armas e com a
garantia de que não seria mais usado na guerra. De fato, nem foi
preciso, já que os ingleses definiram o conflito naquele mesmo mês de
junho.
| Fonte: Arquivos revelam que Brasil pendeu pela Argentina na Guerra das Malvinas |
| O Estado de S. Paulo - 12/11/2006 |
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