Estude as 5 postagens sobre o tema presentes neste Blog. Se aproprie do olhar do pais designado sobre: o caso, sobre os problemas de soberania, sobre o que foi a doutrina de segurança nacional nas américas até os anos 80, sobre as implicancias políticas e econômicas das malvinas pertencer a um ou outro lado do conflito e por último planeje modelos e documentos de trabalho.
Lembre que um documento de trabalho tem que estar composto de:
Contexto / Motivo
Justificação
Proposta de encaminhamento
Bom estudo
sábado, 7 de abril de 2012
Lista de delegados e suas devidas representações para debate sobre o conflito das Ilhas Malvinas
Rodolfo B. de Lima - Canadá
Caio do Nascimento Máximo - Portugal
Felipe Yagi Ng - Cuba
Melanie Ho - Espanha
Gabriela Domingues Mendes de Oliveira - Venezuela
Abidan Henrique - Chile
Renata Rampazzo Sousa lopes da Silva - Nigeria
Mariana Kronitt Silva - África do Sul
Gustavo Vitral Arbex - Brasil
Danilo Oliveira vaz - Uruguai
Felipe Silva Rocha - França
Felipe Oliveira Machado - Italia
Renan Akaishi - Reino Unido
Daniel Yu Tein Wung -República Dominicana
Vinicius Fernandes Pereira - Estados Unidos
Gabriela de Arantes S.- Russia
Juliana Gomes - Perú
Bruna Ramos dos Santos - Bolivia
Maria Julia Lobato Viotti - Argentina
Luisa Montiel Hiraki - Japão
Beatrice Rolim - Presidente da Mesa de trabalho
Isabela Salgado - China
Luisa Godinho - México
Stefani Lacerda - Secretaria Geral da Mesa de Trabalho
Rafaela Alves de Andrade - Colombia
Eucilene Silva de Melo - Paraguai
Estudo de Caso: Ilhas Malvinas
1 - INTRODUÇÃO
O tema apresentado aborda o papel do Brasil no conflito entre
Argentina e Inglaterra sobre as Ilhas Malvinas. Para tal finalidade, a
investigação se inicia desde a colonização das Ilhas, tanto pela visão
espanhola e Argentina, como do ponto de vista dos ingleses. A
bibliografia histórica dos países é analisada, as condições vividas e a
relação entre os Estados, coletando informações sobre o cenário propício
para o início da guerra.
O objetivo é, a partir da análise dos fatos, poder entender o
desenrolar do conflito gerado na época e averiguar qual foi a
participação do Brasil no mesmo. Acredita-se que os estudos de
conflitos, ainda mais os conflitos que abrangem a nossa região, são de
suma importância para a formação de analistas de Relações
Internacionais.
É de grande valor a compreensão da localização dos países direta e
indiretamente envolvidos no conflito e a localização da ilha, para obter
uma visão mais clara e ampla da situação.
O artigo está dividido em cinco partes. Primeiramente há uma breve
explicação sobre as Ilhas Malvinas, seguido da interpretação histórica
por parte da Espanha e Argentina e também por parte da Inglaterra. O
cenário argentino próximo dos anos prévios à guerra é exposto para o
entendimento da decisão do governo argentino de dar início ao combate.
E, por último, a partir de informações obtidas pelo Ministério das
Relações Exteriores, é analisada a participação brasileira no conflito.
2 - Ilhas Malvinas (ou Falkland Islands em inglês)
As Ilhas Malvinas são territórios controlados e sob a soberania do
Reino Unido[1], que se situam no Atlântico Sul. É constituída por duas
ilhas principais e uma porção de ilhas menores, próximas à costa
Argentina, no Atlântico Sul, como é representado no mapa abaixo. Sua
capital é Stanley, que se encontra na costa leste da Ilha Soledad ou
East Falkland. A capital possui uma população de quase 3000 habitantes e
possui uma infra-estrutura que conta com aeroporto internacional,
hotéis, restaurantes, pubs e igrejas. Sua língua oficial é o inglês e a
moeda é Libra das Malvinas.
A respeito da história do descobrimento da ilha e também de sua
colonização, existem versões diferentes do ocorrido. O Reino Unido
afirma que foram eles quem primeiro chegaram às Ilhas, no entanto, há
relatos de que as Ilhas foram colonizadas pela Espanha desde o Tratado
de Tordesilhas de 1494. Até a França formou estabelecimento em Port
Louis em 1764, mas logo se retirou devido à oposição espanhola.
3 - A Visão Argentina
O governo argentino alega que desde o Tratado de Tordesilhas em 1494,
as Ilhas Malvinas faziam parte da área sob jurisdição da Espanha e que a
maior parte do tempo, somente navegantes espanhóis podiam transitar ao
longo da costa sul-americana. Em 1520, a expedição de Magalhães
descobriu as Ilhas Malvinas e as Ilhas foram registradas na cartografia
européia como sendo espaços sob controle efetivo das autoridades
espanholas.
Ao passar dos anos, as Ilhas se tornaram alvo de interesse de muitos
países, que se arriscavam nos domínios espanhóis, mas a Espanha
conservou muito bem sua soberania através de diversos tratados, que eram
sempre atualizados com o passar dos anos. Um dos tratados foi o Tratado
Americano feito em 1670 entre Espanha e Inglaterra, outro foi a Paz de
Utrecht em 1713.
A França formou estabelecimento em Port Louis em 1764, mas logo se
retirou devido à oposição espanhola. Após a saída francesa em 1767, se
instalou um governador espanhol residente e dependente de Buenos Aires.
Secretamente, no ano de 1766, marinheiros ingleses construíram um forte
em Port Egmont, porém a Espanha veio a saber, e a protestar,
reivindicando seus direitos. Os britânicos não deram uma resposta
aceitável, portanto, em 1770 os espanhóis expulsaram a força os
ocupantes. Em decorrência dessa expulsão, quase desencadeou uma guerra,
que foi evitada com um acordo bilateral em 1771.
Até 1811, as Ilhas Malvinas foram governadas por trinta e dois
governadores espanhóis. Já em 1820, o Estado argentino, representado
pelo oficial de Marinha David Jewett, tomou posse das Ilhas
publicamente. Durante essa mesma década, os governos argentinos deram
provas de sua soberania perante as Ilhas, designando governadores,
estipulando legislação sobre recursos pesqueiros e outorgamento de
concessões territoriais.
Em 1831, Puerto Soledad foi destruída por navios de guerra
americanos, em represália a captura de navios lobeiros que estavam
infringindo a lei de pesca pelas autoridades argentinas. Quando a cidade
estava se restabelecendo, a Marinha Real britânica com ameaça do uso de
força exigiu a rendição e entrega da praça e expulsou as autoridades
argentinas. Um oficial da Armada britânica permaneceu na ilha a partir
de 1834 e em 1841, os ingleses colonizaram as Malvinas e nomearam um
governador.
Desde 1833 a Argentina protestou tal invasão, mas o governo britânico
não reconhecia a invasão e nada foi resolvido, apenas se transformou em
um caso pendente, reconhecido pelo Secretário de Assuntos Estrangeiros
Britânico em 1849. A partir desta data, até a atualidade a Argentina
continua reivindicando sua soberania sobre as Ilhas Malvinas.
Na Assembléia Geral das Nações Unidas, no ano de 1965, foi aberto um
diálogo para encontrar uma solução pacífica entre os países. As
negociações se estenderam até 1982, mas os países não entraram em um
acordo. No dia 02 de Abril de 82 iniciou-se um conflito armado que durou
até 14 de Junho do mesmo ano. O conflito causou a morte de 649 soldados
argentinos, 255 britânicos e três civis das ilhas. O resultado foi que o
Reino Unido manteve a posse das Ilhas.
Houve também a ruptura das relações diplomáticas entre Argentina e
Reino Unido, a qual só foi restabelecida em Fevereiro de 1990.
Atualmente, vigoram medidas para criar confiança e evitar incidentes
militares, as quais oferecem alguns acessos e informações sobre a Ilha à
Argentina.
4 - A Visão Britânica
Uma expedição britânica chegou em West Falkland em 1765 e tomou posse
formal das Malvinas. Em 1766, britânicos se estabeleceram em Port
Egmont, os quais se retiraram em 1774, mas a soberania britânica nunca
foi abandona ou extinguida. Em 1829, o governo argentino, sob o comando
do governador Louis Vernet, emitiu um decreto estabelecendo seus
direitos sobre as Ilhas. O Reino Unido protestou tal decreto, alegando
que violava sua soberania, a qual nunca havia sido abandonada.
Em 1831 um navio de guerra americano destruiu o forte e declarou
Falkland livre de todos os governos. No ano seguinte, o governo de
Buenos Aires nomeou Juan Mestivier como governador da Ilha. Mais uma vez
o governo britânico alegou que esta afirmação violava a soberania
britânica. Juan Mestivier foi assasinado por seus próprios soldados,
pouco depois de chegar nas ilhas.
No ano de 1833 o governo britânico retoma a ocupação das ilhas e as
têm ocupado até então, salvo os dois meses de ocupação ilegal da
Argentina em 1982. Em 1841 um Governador Civil foi nomeado e em 1843 o
governo civil foi efetivado sobre uma base permanente de acordo com uma
Lei do Parlamento Britânico. O primeiro Conselho Executivo e Legislativo
da Ilha foi criado em 1845, e até hoje esses conselhos dão importante
voz aos moradores da ilha para intervir em seu próprio governo.
Em 02 de Abril de 1982, o líder do regime militar argentino, General
Galtieri, ordenou uma invasão e ocupação ilegal das Ilhas Falkland. Uma
força tarefa britânica foi enviada imediatamente e deu seqüência a um
conflito no qual mais de mil vidas foram perdidas. Em 14 de Junho de
1982 as forças argentinas se renderam.
Desde então, o ritmo de desenvolvimento das ilhas foi acelerado,
foram construídos um novo hospital, nova escola, instalações portuárias e
aeroporto internacional.
5 - Cenário argentino durante os anos 70 e início dos anos 80
Os anos de 1960 e 1970 foram caracterizados por uma enorme
instabilidade política, onde os poucos presidentes eleitos foram
obrigados a se retirar do governo devido aos golpes militares. Esse
período foi marcado também por torturas, detenções, assassinatos,
desaparecimentos e muito terror, entre outras atrocidades típicas das
ditaduras militares violentas. Devido a esse cenário, cria-se o Processo
de Reorganização Nacional.
Na primeira fase, o militar Jorge Rafael Videla preside o governo de
1976 até 1981. Os argentinos continuam sofrendo perseguições, torturas e
execuções, violando explicitamente os direitos humanos. Pela
perspectiva econômica, a Argentina foi capaz de desenvolver uma economia
mais ampla, competitiva e moderna, se inserindo melhor no contexto
internacional.
Depois de Videla em 1981, o general ditador Leopoldo Fortunato
Galtieri[2], deu um golpe dentro de outro golpe e tomou o lugar do
ditador Roberto Viola. No ano seguinte, o país ainda se encontrava nas
mesmas situações conturbadas, onde a política era instável, o povo
estava com medo, mas ao mesmo tempo faziam grande pressão e os golpes de
Estado eram freqüentes, iniciou-se a Guerra das Malvinas contra o Reino
Unido pela disputa das ilhas. Seria um bom momento para recuperar o
crédito perdido entre os setores sociais e ativar o patriotismo dos
argentinos.
No entanto, o governo argentino não tinha estrutura nenhuma para
entrar em uma guerra, muito menos contra a poderosa Inglaterra.
Portanto, foi um fracasso total por parte das tropas argentinas,
fracasso esse que levou à morte, torno de 600 jovens soldados
argentinos. Esse mau êxito levou ao fim o regime militar no país e em 10
de dezembro de 1983, comemora-se a volta da democracia.
6 - A posição do Governo Brasileiro no conflito
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o país
inclinou-se a favor da vizinha Argentina no decorrer do conflito.
“Na noite de 2 de abril de 1982, o cantor Ernesto Ordoñes não
conseguiu terminar seu recital no Clube da Marinha, em Buenos Aires. 'Na
segunda frase do tango Garufa soou um apito e todos os oficiais
deixaram o auditório', lembra Ordoñes, de 77 anos.
Começava a Guerra das Malvinas, entre a Grã-Bretanha e a Argentina,
pela posse de um pequeno arquipélago de 2.200 habitantes no gelado
extremo sul do Atlântico, dominado pelos ingleses e reivindicado pelos
argentinos desde o século 19. Ao fim do conflito, passados 74 dias,
havia mais de 1,4 mil mortos, além de feridos graves e perdas materiais
que ainda hoje, 24 anos depois, não foram reparadas (veja quadro). Os
argentinos, liderados pelo general e presidente Leopoldo Galtieri,
iniciaram a luta tomando as ilhas Geórgias do Sul. A intenção de
Galtieri era desviar o foco de uma grave crise interna. A primeira
ministra britânica, Margareth Thatcher, fez o que o general não
esperava: despachou uma frota de 111 navios e cerca de 5 mil militares
para recuperar o território invadido. Foi bem-sucedida. Em 14 de junho o
general Mário Menendes rendia-se ao comandante Jeremy Moore. Galtieri
renunciou três dias mais tarde. ROBERTO GODOY .”(Arquivos revelam que
Brasil pendeu pela Argentina na Guerra das Malvinas, Marcelo de
Moraes)”.
O governo argentino não imaginava que os britânicos iriam dar tanta
importância para as Ilhas Malvinas, que estavam tão distantes de seu
território. Os argentinos então, não se preparam para tal combate, e na
realidade nem teriam estrutura para se preparar para enfrentar um Estado
como o Reino Unido.
”Vinte e quatro anos depois do fim da Guerra das Malvinas, arquivos
secretos da ditadura revelam os bastidores da movimentação do governo
brasileiro para tentar ajudar a vizinha Argentina no conflito e driblar a
pressão política da Inglaterra. Documentos inéditos liberados pelo
governo e guardados no Arquivo Nacional, em Brasília, aos quais o Estado
teve acesso, mostram como chegou longe o mal-estar entre os governos
brasileiro e inglês por causa da retenção em solo brasileiro de um
bombardeiro Vulcan, da Força Aérea britânica.
Em junho de 1982, o bombardeiro, com problemas técnicos e carregado
de armas, foi escoltado por caças brasileiros e aterrissou em solo
nacional. A partir daí, começou uma guerra diplomática envolvendo
Brasil, Inglaterra e Argentina. Os ingleses reclamavam que, ao mesmo
tempo em que retinha o avião, o governo brasileiro fazia vista grossa
para a passagem pelo Brasil, em escala técnica, de aviões com armamentos
vindos da Líbia rumo à Argentina. .”(Arquivos revelam que Brasil pendeu
pela Argentina na Guerra das Malvinas, Marcelo de Moraes)”.
O Brasil tinha que se mostrar um país neutro no conflito, para não
comprometer suas relações diplomáticas com nenhum dos países, no
entanto, o Brasil apoiava discretamente a Argentina, muitas vezes
fazendo vista grossa para a passagem de armamentos.
”Relatório de número 011650 do Serviço Nacional de Informações (SNI)
mostra a correspondência secreta entre o Ministério das Relações
Exteriores e o então presidente João Baptista Figueiredo, abordando o
andamento da crise e confirmando a preferência pela Argentina no
conflito. Reflete, ainda, a ameaça iminente de 'deterioração' das
relações com a Inglaterra.
Para a diplomacia, a questão era complicada. O Brasil defendia uma
solução negociada, mas declarara seu apoio à pretensão da Argentina pela
posse das ilhas. Ou seja, não tinha posição de neutralidade. O problema
é que, na retenção do bombardeiro, o governo argentino pediu que fossem
aplicadas as regras de neutralidade.
'Se atendêssemos ao pedido argentino, a Grã-Bretanha poderia
exigir-nos a aplicação do estatuto da neutralidade também em relação à
Argentina, o que seria incompatível com as diversas formas de apoio que
temos dado ao nosso vizinho', revela a correspondência enviada pelo
ministério. 'Nas circunstâncias, parece-me necessário procurar uma
solução sui generis, de caráter prático, que atenda ao máximo à
Argentina e sem caracterizar uma neutralidade formal, que sirva de
argumento ao Reino Unido para outras questões. Cabe notar, ainda, que,
verbalmente, o governo argentino havia pedido que 'pelo menos se
atrasasse' a entrega do avião, embora a nota que nos foi passada
evidentemente não mencionasse essa hipótese', acrescenta o texto.
No dia 3 de junho, antes de falar com os argentinos, os militares
haviam anunciado a pronta devolução do avião para a Inglaterra, desde
que desarmado. Dois dias depois, já com gestões políticas e diplomáticas
deflagradas, o Vulcan passou a ter destino incerto. Irritadas com o
problema, as autoridades britânicas deixaram claro que a relação com o
Brasil corria risco. .”(Arquivos revelam que Brasil pendeu pela
Argentina na Guerra das Malvinas, Marcelo de Moraes)”.
Apesar de ser necessário tomar decisões que não favorecesse nenhum
dos países, o governo brasileiro acabou tomando medidas não tão neutras,
que acarretaram um nervosismo por parte dos britânicos, os quais
alertaram o Brasil, que se a atitude continuasse, poderia acarretar
problemas em suas relações bilaterais com aquele país.
”REAÇÃO
No dia 5 de junho de 1982, a embaixada britânica entregou um duro
texto para as autoridades brasileiras. A conclusão da mensagem, incluída
no documento 011650 do SNI, não poderia ser mais objetiva. 'O governo
de Sua Majestade Britânica lamenta ter que deixar claro ao governo
brasileiro que a reversão da decisão anunciada em 3 de junho, se
mantida, acarretaria sérias conseqüências para as amistosas relações de
que a Grã-Bretanha e o Brasil têm desfrutado ininterruptamente há tanto
tempo e às quais atribui grande valor', diz a mensagem.
No recado enviado pelos britânicos, é feita menção à passagem de
aviões com armas para a Argentina. 'À luz das antigas e amistosas
relações entre a Grã-Bretanha e o Brasil, o governo de Sua Majestade
Britânica acredita ter o direito de esperar tratamento equilibrado na
atual situação de crise. Nesse contexto, tem conhecimento de que aviões
militares argentinos e outras aeronaves utilizaram e continuam
utilizando aeroportos brasileiros ao transportarem equipamento militar
para uso pela Argentina.'
Os papéis mostram o esforço do Brasil para negar ao governo britânico
a versão de que fosse conivente com o trânsito de armas. 'Já foi
explicado ao embaixador britânico que o governo brasileiro não tem
interesse em participar de operações triangulares para o fornecimento de
armas', relata a correspondência enviada pelo Ministério das Relações
Exteriores a Figueiredo.
Segundo o documento, o Brasil teria avisado aos ingleses 'que já
vendeu e continuará a vender armas' ao país vizinho. Pressionado pelos
britânicos, o governo devolveu o Vulcan a seu país de origem, mas sob
condições que não desagradaram à Argentina - sem as armas e com a
garantia de que não seria mais usado na guerra. De fato, nem foi
preciso, já que os ingleses definiram o conflito naquele mesmo mês de
junho.”(Arquivos revelam que Brasil pendeu pela Argentina na Guerra das
Malvinas, Marcelo de Moraes)”.
Após ter recebido a carta alerta do Reino Unido, o Brasil afirmou que
não “tinha interesse em participar de operações triangulares para o
fornecimento de armas”, mas que vendeu e iria continuar vendendo armas à
Argentina. No entanto, essa situação não teve longa duração, pois logo a
Argentina foi derrotada pelos ingleses, pondo um fim ao dilema
brasileiro.
7 - CONCLUSÃO
No artigo, como previamente proposto, foi abordado o papel do Brasil
no conflito entre Argentina e Inglaterra sobre as Ilhas Malvinas. A
pesquisa sobre os antecedentes históricos dos países foi analisada e
explicada ao longo trabalho. A noção da localização e cenário também foi
abordada. Foram de grande contribuição os documentos liberados pelo
Arquivo Nacional, que revelaram os envolvimentos do Brasil a favor da
Argentina.
A partir dos fatos pôde-se concluir que o Brasil acabou por não
seguir uma posição de total neutralidade como deveria, sendo mais
favorável à Argentina. No entanto, a guerra durou tão pouco tempo, que
não houve nem chance de criar uma intensa discórdia entre Brasil e
Inglaterra, apenas foram trocadas cartas não tão amigáveis, exigindo
novas posições do governo brasileiro em relação às retenções de aviões e
cargas inglesas.
O conflito foi finalizado com a vitória britânica sobre a Argentina e
consolidou ainda mais as Ilhas Malvinas como territórios controlados e
sob a soberania do Reino Unido. Tal soberania britânica é apoiada pelas
Ilhas Malvinas atualmente, mesmo porque, a Inglaterra teve e tem
condições de prover boa estrutura para sua então colônia, permitindo
assim, haver maior estabilidade econômica na ilha.
Depois de debatidas estas informações, podemos ter maior compreensão
de atuais e futuras relações entre os países envolvidos e do histórico
regional do qual nosso país faz parte.
8 - REFERÊNCIAS:
Biography Base
http://www.biographybase.com/biography/Galtieri_Leopoldo_Fortunato.html
acesso em 28/04/2010.
Embaixada Argentina no Brasil
http://www.brasil.embajada-argentina.gov.ar/ acesso em 10/03/2010.
Embaixada Britânica na Argentina
http://ukinargentina.fco.gov.uk/en/about-us/other-locations/overseas-territories/falkland-islands1/ acesso em 10/03/2010.
Estadão.com.br
http://www.estadao.com.br/arquivo/mundo/2003/not20030112p24527.htm acesso em 20/04/2010.
Estadão.com.br/Internacional
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ilhas-malvinas-apoiam-soberania-britanica,515965,0.htm acesso em 20/04/2010.
Falkland Islands
http://www.falklandislands.com/contents/view/137/about-falklands/history/falklands-history-&-culture acesso em 10/03/2010.
Ministério das Relações Exteriores
http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=281385 acesso em 04/05/2010.
Portal São Francisco
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/argentina/historia-da-argentina-4.php acesso em 04/05/2010.
[1] As Ilhas Malvinas apóiam a soberania britânica. Em 24 de
Fevereiro de 2010, a Assembléia Legislativa das Ilhas Malvinas defendeu
os direitos da presença britânica sobre o Atlântico Sul.
[2] Nasceu em 15 de Julho de 1926 e faleceu em 12 de Janeiro de 2003
de ataque cardíaco; Era descendente de imigrantes italianos.
http://www.oxbridgewriters.com/essays/economics/ilhas-malvinas.php
Malvinas, a questão está de volta
As Malvinas, chamadas pelos britânicos de Falklands, são um arquipélago de dezenas de ilhas ao sul do Oceano Atlântico. O território pertence à Grã-Bretanha, e a grande maioria da população das ilhas é de origem britânica.
A Guerra das Malvinas de 1982 foi resultado de uma disputa territorial entre a Grã-Bretanha e a Argentina. Os argentinos reivindicam a soberania da região desde o século 19. Negociações para resolver a disputa política começaram em 1965, mas não deram resultados. Em 1982, o governo militar argentino resolveu tomar as ilhas à força, o que provocou a reação militar britânica.
História das Ilhas
Existe uma divergência quanto ao primeiro a descobrir a existência das ilhas. Segundo os ingleses, o primeiro navegador a aportar nas Malvinas foi John Davis a bordo da nau Desire. Segundo a versão argentina, foram os Espanhóis e os Portugueses os primeiros a chegarem.- 1592 – Descoberta pelos britânicos
- 1690 – Primeiro desembarque
- 1764 – Primeira base francesa
- 1767 – Base francesa passa ao controle espanhol
- 1770 – Espanha expulsa colonos britânicos
- 1820 – Argentina recém-independente toma posse das ilhas
- 1831 – EUA declaram as ilhas “free of government”
- 1833 – Britânicos retomam a ilha da Argentina
Mas foi só a partir de 1964 que as discussões entre os dois países passaram a tomar corpo, provocadas por um cidadão argentino que pousou em Puerto Argentino num pequenino avião e fincou a bandeira argentina.
Os britânicos chamam a localidade Puerto Argentino de Port Stanley, da mesma forma que é comum se referirem à Guerra das Malvinas como Falklands Campaing. Desde então, os argentinos passaram a invocar a soberania sobre as ilhas nos foros internacionais, com ênfase no período de 1975 a 1977.
Em 2 de janeiro de1980, o governo britânico apresentou ao Parlamento uma moção de solução a exemplo de Hong Kong, pela qual a soberania seria cedida aos argentinos com arrendamento ao Reino Unido. Essa idéia, entretanto, foi duramente criticada pelos ilhéus das Malvinas – os chamados “kelpers” – que desejavam a soberania britânica.
Os britânicos sempre enfatizaram, como ponto fundamental nas negociações, que a vontade dos “kelpers” deveria prevalecer na decisão.
Ao final de março de 1982, o governo da Grã-Bretanha já possuía informações sobre a provável invasão argentina, a qual viria a tornar-se realidade em 2 de abril, a despeito do apelo pessoal do Presidente Ronald Reagan, dos Estados Unidos, em conversação telefônica com o Presidente argentino General Leopoldo Fortunato Galtieri, no sentido de evitar a ação armada.
A comunidade internacional criticou o uso da força, não só porque entendia ser uma agressão, como, também, porque existiam negociações diplomáticas em curso. Em decorrência, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas emitiu a Resolução 502, pela qual a Argentina deveria retirar, imediatamente, suas tropas e procurar a solução pacífica.
Os países do mundo desenvolvido ficaram do lado britânico. A decisão do governo norte-americano de apoiar o Reino Unido, nos aspectos militares, e de bloquear a ajuda à Argentina, no campo econômico e também militar, fortaleceu de maneira decisiva a posição britânica. Igualmente,a Comunidade Econômica Européia, ao resolver suspender o apoio militar e boicotar as importações de produtos argentinos, muito contribuiu para o enfraquecimento do seu esforço de guerra.
O cenário que antecedeu a guerra de 1982
A economia argentina, da mesma forma que a economia mundial, experimentava uma rigorosa crise em 1982. Os protestos do povo argentino contra o seu próprio governo, pela maneira como conduzia os problemas sociais, tornavam-se cada vez mais vigorosos nos dias que antecederam a invasão.Com o bloqueio econômico dos Estados Unidos e da Comunidade Econômica Européia, o poder nacional da Argentina obviamente se debilitou nos primórdios do conflito, diminuindo em muito a possibilidade da nação conseguir sustentar uma guerra mais prolongada.
O governo britânico anunciou que a despeito dos gastos que a campanha viesse a despender, já existiam recursos no orçamento militar da Grã-Bretanha para cobri-los. Mesmo que isso não fosse rigorosamente verdadeiro, admite-se que a economia britânica teria fôlego suficiente para manter uma campanha não muito demorada contra um país em processo de desenvolvimento, como a Argentina.
O cenário militar
É necessário salientar dois pontos indispensáveis ao entendimento do cenário militar: as características geoestratégicas das ilhas e a comparação dos poderes combatentes, seja no aspecto quantitativo dos meios bélicos de cada país, seja no estado da arte tecnológica dos equipamentos utilizados.Quanto à geografia da região, as Ilhas Malvinas estão situadas a cerca de 400 milhas a leste da extremidade sul do território continental argentino. Para efeitos de comparação, uma milha náutica equivale a 1.852 m. Aqueles que estão acostumados com o sistema métrico decimal terão uma boa idéia das distâncias envolvidas se considerarem que a milha vale, aproximadamente, 2 km.
As Malvinas ocupam uma posição bastante importante sob o ponto de vista estratégico. Ficam muito próximas da passagem do Cabo Horn, pela qual o Pacífico e o Atlântico Sul se unem, e permitem aos que as dominam um substancial grau de controle das vias de acesso à Antártica. A sua ocupação facilita a projeção do poder militar sobre a área marítima do Atlântico Sul, por onde passavam, no início da década de 80, 70% das mercadorias e bens de interesse dos Estados Unidos e dos países da Europa Ocidental em tempo de paz
A localização geográfica das Malvinas em relação aos territórios metropolitanos dos países em conflito parecia favorecer mais a Argentina, pela proximidade. Afastadas de quase 8 mil milhas do Reino Unido, permitiu uma pequena superioridade aérea inicial argentina, enquanto a Força-Tarefa britânica ainda se deslocava para o Teatro de Operações. Quando chegou nas proximidades das ilhas, a superioridade aérea britânica veio a prevalecer, já que os porta-aviões podiam operar entre 150 e 200 milhas das ilhas.
Mesmo assim, as distâncias envolvidas representavam uma desvantagem respeitável para os britânicos, particularmente sob o aspecto do apoio logístico, isto é, do fornecimento de sobressalentes, substituição de pessoal e material, reabastecimento de toda a ordem etc. Além disso, a aproximação do inverno antártico fazia prever a existência de freqüente mau tempo na área de operações, o que prejudicaria de forma mais intensa o desempenho dos meios de combate britânicos. Eles não tinham a alternativa de poder retirar as suas forças para um local abrigado, próximo e com boa estrutura de apoio, quando fosse necessário.
Ainda no contexto geográfico, a utilização das instalações norte-americanas na Ilha de Ascensão, afastadas de cerca de 3 mil e 800 milhas das Malvinas, foi importante no desfecho da guerra. De lá partiram os ataques dos aviões de bombardeio Vulcan ao aeroporto de Puerto Argentino e vieram os reforços dos 10 Harrier GR III que, reabastecendo-se no ar, incorporaram-se à Força-Tarefa. Formou-se uma corrente de quase 70 navios mercantes e auxiliares entre Ascensão e Malvinas, destacando-se navios-tanque, navios-transporte de tropas e de carga, navio-hospital, rebocadores e navios-oficina.
O Teatro de Operações
As condições de mau tempo e o conseqüente mar agitado iriam prejudicar, igualmente, o desempenho dos navios de superfície. Com relação às operações aéreas, entretanto, os argentinos levariam alguma vantagem, pois operariam os aviões partindo de aeroportos. Os britânicos, ao contrário, teriam que operar seus aviões decolando de conveses de vôo submetidos às más condições do mar. De um modo geral, os argentinos pareciam ser os menos prejudicados pelas influências negativas do clima reinante.
Quanto aos meios de combate – navais e aéreos – a Força-Tarefa britânica possuía 29 navios: 2 porta-aviões, 8 contratorpedeiros lançadores de mísseis guiados, 15 fragatas de emprego geral, 3 submarinos nucleares e 1 convencional. Os argentinos possuíam praticamente a metade, 14 navios: 1 porta-aviões, 2 contratorpedeiros lançadores de mísseis guiados tipo 42, 3 corvetas, 5 contratorpedeiros da Segunda Guerra Mundial de origem norte-americana e 3 submarinos convencionais. Dois desses submarinos eram alemães classe IKL-209, modernos, e o terceiro classe Guppy, de origem norte-americana e também da Segunda Guerra Mundial. Quantitativamente, portanto, o Reino Unido apresentava número superior de navios.
Com relação à dotação de aviões de caça e ataque à jato, os argentinos possuíam 12 da Aviação Naval e 59 da Força Aérea(71 no total), contra 20 Sea Harrier e 10 Harrier GR III dos britânicos (30 no total). Assim, os argentinos possuíam substancial superioridade numérica de aviões. Convém salientar que os Sea Harrier foram projetados para operarem de porta-aviões enquanto os Harrier GR III, baseados em terra, o foram para ataques a objetivos terrestres.
O estado da arte tecnológica dos navios, aviões e respectivos equipamentos sugeria haver superioridade britânica no que concerne à comparação de poderes combatentes navais e aéreos, a despeito do menor número de aviões.
O emprego do Poder Naval argentino na Operação Rosário
No dia 1º de abril de 1982, um Grupo de combate desembarcou do destróier ARA Santíssima Trinidad.No dia 2 de abril, às 04:30 h, outro Grupo foi desembarcado por helicóptero do Transporte ARA Almte. Irizar. Ainda na madrugada do dia 2, um terceiro grupo foi desembarcado pelo Submarino ARA Santa Fé ao norte de Port Stanley.
A escalada
Realizada a invasão, ficou claro que os britânicos utilizariam o Poder Militar caso falhassem as tentativas para uma saída pacífica.A Primeira Ministra Mrs. Margareth Thatcher anunciou o envio de uma força-tarefa em direção ao Atlântico Sul.
As primeiras unidades britânicas zarparam de seus portos no Mar do Norte no dia 5 de abril, apenas três dias depois da invasão.
O conflito durou 74 dias. Morreram em combate 649 argentinos e 255 britânicos. Três habitantes das ilhas morreram durante os bombardeios.
Misperception
A invasão das Malvinas pela Argentina pode ser um bom exemplo de misperception. A Junta Militar equivocou-se ao pensar que a Grã-Bretanha não optaria pela via militar para a recuperação das Ilhas. O descaso do governo inglês pelas Malvinas era apenas aparente, pois se os ingleses cedessem, outras possessões britânicas também poderiam ser contestadas.
O regime militar argentino entrou em colapso, e o país realizou eleições democráticas em 83. O plano do general Leopoldo Galtieri, presidente da Argentina, de ganhar apoio popular com a invasão, teve, no final, efeito inverso.
Do lado britânico, a vitória consolidou o governo da primeira-ministra Margaret Thatcher. Para a comunidade das ilhas, a guerra acabou trazendo efeitos positivos, já que a Grã-Bretanha renovou seu compromisso com o arquipélago e passou a investir no lugar.
Como está a situação diplomática hoje?
Argentina e Grã-Bretanha têm hoje boas relações diplomáticas. Os argentinos continuam a reivindicar a soberania das ilhas, mas os britânicos não aceitam negociar. Os habitantes das ilhas voltaram a aceitar a entrada de argentinos no lugar em 1999, mas a relação entre o arquipélago e o continente ainda é ruim.Londres critica Argentina por fala sobre “submarino nuclear”
Nick Clegg, vice-premiê britânico, disse que acusação de envio de submarino é 'sem fundamentos' (AFP)
SEUL – Argentina e Grã-Bretanha tiveram um atrito nesta terça-feira
em Seul depois que o chanceler argentino, participando de uma cúpula
sobre segurança nuclear, acusou uma "potência extrarregional" de enviar
ao Atlântico Sul um submarino capaz de transportar armas nucleares.
As tensões entre Londres e Buenos Aires recrudesceram às vésperas do
30º aniversário da guerra travada entre dois países pela posse das ilhas
Malvinas (ou Falklands), que durou dez semanas e resultou na morte de
650 militares da Argentina e 255 da Grã-Bretanha.
A Grã-Bretanha ficou indignada com as declarações do ministro Hector
Timerman, e o vice-premiê britânico, Nick Clegg, re-escreveu seu
discurso para apresentar uma resposta.
"Receio ter a obrigação de responder às insinuações feitas pela
delegação argentina sobre a militarização do Atlântico Sul pelo governo
britânico", disse ele. "São insinuações infundadas e sem base."
A Grã-Bretanha, que venceu a guerra e controla as ilhas, diz que só
aceita discutir a soberania do arquipélago caso os seus 3 mil habitantes
solicitem, o que parece improvável num futuro próximo.
Reuters
Nota da Redação:
É dona Argentina, lembras do general Figueiredo que comandou o Brasil
e obrigou a aterrissar no Rio, durante a guerra das Malvinas, um avião
militar britânico (Vulcan), que armado ia para o conflito nas Malvinas?
Pois é, a rota que esse avião fazia era em direção a Buenos Aires, e
aí??
Vulcan – possivelmente em rota direta para Buenos Aires (a guerra era nas Malvinas)
____________________________________________
REAÇÃO
No dia 5 de junho de 1982, a embaixada britânica entregou um duro
texto para as autoridades brasileiras. A conclusão da mensagem, incluída
no documento 011650 do SNI, não poderia ser mais objetiva. 'O governo
de Sua Majestade Britânica lamenta ter que deixar claro ao governo
brasileiro que a reversão da decisão anunciada em 3 de junho, se
mantida, acarretaria sérias conseqüências para as amistosas relações de
que a Grã-Bretanha e o Brasil têm desfrutado ininterruptamente há tanto
tempo e às quais atribui grande valor', diz a mensagem.
No recado enviado pelos britânicos, é feita menção à passagem de
aviões com armas para a Argentina. 'À luz das antigas e amistosas
relações entre a Grã-Bretanha e o Brasil, o governo de Sua Majestade
Britânica acredita ter o direito de esperar tratamento equilibrado na
atual situação de crise. Nesse contexto, tem conhecimento de que aviões
militares argentinos e outras aeronaves utilizaram e continuam
utilizando aeroportos brasileiros ao transportarem equipamento militar
para uso pela Argentina.'
Os papéis mostram o esforço do Brasil para negar ao governo
britânico a versão de que fosse conivente com o trânsito de armas. 'Já
foi explicado ao embaixador britânico que o governo brasileiro não tem
interesse em participar de operações triangulares para o fornecimento de
armas', relata a correspondência enviada pelo Ministério das Relações
Exteriores a Figueiredo.
Segundo o documento, o Brasil teria avisado aos ingleses 'que já
vendeu e continuará a vender armas' ao país vizinho. Pressionado pelos
britânicos, o governo devolveu o Vulcan a seu país de origem, mas sob
condições que não desagradaram à Argentina – sem as armas e com a
garantia de que não seria mais usado na guerra. De fato, nem foi
preciso, já que os ingleses definiram o conflito naquele mesmo mês de
junho.
| Fonte: Arquivos revelam que Brasil pendeu pela Argentina na Guerra das Malvinas |
| O Estado de S. Paulo - 12/11/2006 |
Conflito das Malvinas em novo cenário
Sábado, 18 Fevereiro 2012 19:50
Da
mesma forma, tratou pessoalmente com o presidente da Assembleia Geral
da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, e com o Secretário Geral, Ban
Ki-moon, sobre a violação de Londres às resoluções do organismo que
chamam as partes ao diálogo para resolver pacificamente o conflito pela
soberania desse arquipélago, situação que data de 1833.
Dessa forma, Timerman cumpriu instruções da presidente Cristina Fernández, que alertou sobre o perigo que o envio de naves de guerra ao disputado território representa para a paz em seu país, na América Latina e no mundo.
"Esta é um reivindicação do conjunto da sociedade argentina e latino-americana. As Malvinas se transformaram-se em uma causa latino-americana", assegurou a chefe de Estado.
A ONU ofereceu-se para coordenar uma solução pacífica à disputa, posição que o governo de Fernández aceitou e agradeceu.
Ban Ki-Moon pediu à Argentina e ao Reino Unido "evitar uma escalada nesta disputa" e a resolver "as diferenças de maneira pacífica e através do diálogo".
A tensão entre Londres e Buenos Aires pela soberania sobre as Ilhas renovou-se nas últimas semanas após pronunciamentos do premiê britânico, David Cameron, que qualificou a Argentina como "colonialista" por sua posição nesta causa. Além disso, intensificou-se com o anúncio do envio do moderno contratorpedeiro HMS Dauntless; de um submarino nuclear; e a chegada do príncipe William, herdeiro da coroa britânica, ao território, onde realiza um treinamento militar.
O arquipélago conta com quatro aviões Thyphoon em Mount Pleasant, base aérea com um radar, e uma fragata ou um contratorpedeiro que patrulham a zona. Além disso, nas ilhas é mantida uma guarnição de 1.700 homens.
"Para que um Governo reforça as posições militares e coloca o tema dentro do Conselho de Segurança Nacional?", questionou o chanceler Timerman.
Na opinião do vice-presidente argentino, Amado Boudou, Londres busca, com esta nova escalada, desviar a atenção de seus próprios problemas internos como o "grande desemprego" ou a tentativa "separatista da Escócia".
Assegurou que "na Europa estão tratando de tampar problemas como o desemprego e a insatisfação social" com temas "de alto impacto mediático" e "com uma questão que está muito longe deles".
Desde 1833, quando o Reino Unido ocupou pela força o arquipélago e expulsou seus habitantes, a Argentina realiza contínuas gestões para que esse lhe seja devolvido.
Ambos os países mantiveram desde então um atrito diplomático com altos e baixos, mas o clímax foi a guerra de 1982, quando a ditadura do general Leopoldo Fortunato Galtieri ordenou um desembarque nas ilhas.
Estratagema da ditadura militar
Para Cristina Fernández essa disputa bélica, que começou no dia 2 de abril daquele ano e durou 74 dias, não foi mais que um ardil do decadente regime militar argentino para desviar a atenção da crise política, social e econômica que o país sofria.
A verdade é que naquela ocasião a ditadura de Galtieri esperava respaldo dos Estados Unidos. Nada mais longe do previsível.
A guerra concluiu-se com a rendição das tropas argentinas, inferiores em efetivo e técnica militar aos britânicos, que contaram com o apoio do governo estadunidense e dos países da Organização do Atlântico Norte.
Para Edgardo Esteban, jornalista e ex-combatente daquela guerra, tratou-se de um "genocídio iniciado pelos militares no dia 24 de março de 1976", quando foi imposta uma nova ditadura.
"Nas ilhas, os militares cometeram aberrações denunciadas por aqueles que as sofreram na carne própria: tortura física e psicológica amarrando pessoas com estacas", relembrou em um de seus artigos.
O general Benjamín Rattenbach elaborou em 1983 um relatório, a pedido da Comissão de Análise e Avaliação Político-Militar das Responsabilidades do Conflito do Atlântico Sur, que qualifica a Guerra de Malvinas como uma "aventura irresponsável".
A presidenta Fernández, por conta do aumento recente das tensões em torno desta questão, ordenou a desclassificação do documento.
O relatório detalha, segundo Edgardo Esteban, que cada força armada funcionava por sua conta; que os soldados careciam de preparação e que a condução das ações esteve cheia de erros.
Sobre essa base, o Conselho Supremo das Forças Armadas destituiu e condenou Galtieri à prisão por 12 anos, o almirante Jorge Anaya por 14 anos e o brigadeiro Basilio Lami Dozo por oito.
No entanto, afirma o veterano da chamada Guerra das Malvinas ou do Atlântico Sul, que não houve outros condenados e Galtieri, Anaya e Lami Dozo, finalmente, foram indultados em 1990 pelo então presidente Carlos Saúl Ménem.
"A história demonstra claramente que aquilo [a guerra] não foi uma decisão do povo argentino, senão de uma junta desesperada para esconder uma realidade", revelada por "um grupo de mulheres de lenço branco [mães de Praça de Maio] que buscavam seus filhos e seus netos", assegurou a chefa de Estado.
Depois de 30 anos, o contexto é outro. A Argentina conta com o respaldo dos países do Mercado Comum do Sul, da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, da União de Nações Sul-americanas e da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América.
Os Estados Unidos, o histórico aliado estratégico do país europeu, publicou que a disputa deve se resolver de forma bilateral, o que a Grã-Bretanha se recusa de maneira veemente, "enquanto esse não seja o desejo de seus habitantes".
Os Estados parte do Mercosul e sócios adotaram uma declaração no último dia 20 de dezembro, mediante a qual proíbem o ingresso em seus portos de navios que levem a bandeira ilegal das Ilhas Malvinas.
Da mesma forma, a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América em sua XI Cúpula, realizada na Venezuela, aprovou uma declaração a favor da Argentina pelo caso das Ilhas Malvinas.
Os recursos naturais
San Antonio, Sebaldinas, Falklands, Malouines ou Malvinas, são alguns dos topônimos dados ao arquipélago de cerca de 200 ilhas e ilhotas, com uma superfície aproximada de 12 mil quilômetros quadrados, localizados no Atlântico sul, a 480 quilômetros da Patagônia.
O território em disputa, cujas ilhas principais são Solidão e Grande Malvinas, está a 12.276 quilômetros do ponto mais próximo do Reino Unido, o extremo sudoeste da península de Cornualles.
A pecuária e a pesca são as principais atividades econômicas deste território, que tem uma temperatura máxima média em janeiro de 12,8 graus centígrados, mas especula-se muito sobre suas abundantes reservas de petróleo.
Outro dos temas que esquentam a disputa é a exploração dos recursos naturais por Londres apesar das resoluções da ONU.
A chegada em janeiro da plataforma petroleira Leiv Eiriksson, com bandeira das Bahamas, contratada pelas companhias britânicas Borders & Southern Plc e Falkland Oil and Gas Ltd, acendeu a controvérsia.
Além dessas duas empresas, a Desire Petroleum e Rockhopper Plc também fazem explorações nessa área.
Ainda que até o momento nenhuma das duas últimas tenha encontrado petróleo nem confirmado a possível extração com estes trabalhos, o Reino Unido espera extrair óleo e gás natural antes de 2016, o que lhe permitirá amortecer seu declive energético.
Segundo publicou o diário britânico The Sun, a companhia Andarko com capitais dos Estados Unidos poderia pagar cerca de 1,6 bilhões de dólares ao país europeu para participar da exploração de petróleo na plataforma submarina das Malvinas.
A resolução 31/49 da Assembleia Geral de Nações Unidas pede à Argentina e ao Reino Unido que negociem bilateralmente e não introduzam modificações no território enquanto as ilhas atravessam o processo de soberania.
Por isso a insistente denúncia de Buenos Aires, devido a que se trata de uma franca violação das disposições do organismo internacional.
Em seu primeiro aparecimento público após de uma operação de tiroides, a presidenta Fernández reiterou a legítima reivindicação de seu país sobre as ilhas e denunciou que o Reino Unido "está depredando" o petróleo argentino e as espécies marinhas comerciais.
Argumentos britânicos mutantes
Apesar das resoluções da ONU, que convocam para resolver a disputa na mesa de negociações, Londres se recusa e, inclusive, busca continuamente argumentos para manter a posse do arquipélago.
O professor de Política Exterior da Universidade de Buenos Aires Agustín M. Romero recordou que a suposta descoberta dessas ilhas pelo Reino Unido foi o primeiro argumento apresentado no início do conflito em 1833.
Essa alegação desmoronou por falta de bases históricas e foi deixada de lado, explica.
A guerra de 1982 permitiu a Londres consolidar como novo argumento o direito à autodeterminação dos habitantes da ilha.
Essa tese, disse, de igual forma carece de sustentação, porque "a população argentina originária foi expulsa pela Inglaterra em 1833 e suplantada por súditos da coroa".
As Ilhas Malvinas encontram-se em uma situação diferente da do caso colonial clássico. Estavam governadas por autoridades argentinas e ocupadas por colonos argentinos, que em 1833 foram desalojados por Londres com o uso da violência e substituídos por uma população alheia ao território e por uma administração de origem colonial.
Através deste raciocínio, a Argentina encontrou sua mais forte sustentação jurídica e apoio internacional nas resoluções da ONU, as quais sustentam que o princípio da autodeterminação é operativo em todos os territórios coloniais exceto nas Malvinas, pontuou. Segundo o acadêmico, o Reino Unido tenta uma nova estratégia diante da carência de argumentos sólidos no tema e agora busca que o arquipélago passe a ter a mesma categoria de Aruba, Antilhas Holandesas, Polinésia, entre outros, assegurou.
Em 1965, o Comitê de Descolonização da ONU opinou que nas Malvinas há uma situação colonial que deve ser resolver através de negociações.
Com a nova manobra, Londres entraria no clube de países da União Europeia com territórios que não fazem parte dos que estão no Comitê da ONU, opinou.
O próximo passo de Reino Unido, alertou Romero, seria "tirar o tema de Malvinas do citado Comitê".
http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=24475:conflito-das-malvinas-em-novo-cenario&catid=285:direitos-nacionais-e-imperialismo&Itemid=187
Dessa forma, Timerman cumpriu instruções da presidente Cristina Fernández, que alertou sobre o perigo que o envio de naves de guerra ao disputado território representa para a paz em seu país, na América Latina e no mundo.
"Esta é um reivindicação do conjunto da sociedade argentina e latino-americana. As Malvinas se transformaram-se em uma causa latino-americana", assegurou a chefe de Estado.
A ONU ofereceu-se para coordenar uma solução pacífica à disputa, posição que o governo de Fernández aceitou e agradeceu.
Ban Ki-Moon pediu à Argentina e ao Reino Unido "evitar uma escalada nesta disputa" e a resolver "as diferenças de maneira pacífica e através do diálogo".
A tensão entre Londres e Buenos Aires pela soberania sobre as Ilhas renovou-se nas últimas semanas após pronunciamentos do premiê britânico, David Cameron, que qualificou a Argentina como "colonialista" por sua posição nesta causa. Além disso, intensificou-se com o anúncio do envio do moderno contratorpedeiro HMS Dauntless; de um submarino nuclear; e a chegada do príncipe William, herdeiro da coroa britânica, ao território, onde realiza um treinamento militar.
O arquipélago conta com quatro aviões Thyphoon em Mount Pleasant, base aérea com um radar, e uma fragata ou um contratorpedeiro que patrulham a zona. Além disso, nas ilhas é mantida uma guarnição de 1.700 homens.
"Para que um Governo reforça as posições militares e coloca o tema dentro do Conselho de Segurança Nacional?", questionou o chanceler Timerman.
Na opinião do vice-presidente argentino, Amado Boudou, Londres busca, com esta nova escalada, desviar a atenção de seus próprios problemas internos como o "grande desemprego" ou a tentativa "separatista da Escócia".
Assegurou que "na Europa estão tratando de tampar problemas como o desemprego e a insatisfação social" com temas "de alto impacto mediático" e "com uma questão que está muito longe deles".
Desde 1833, quando o Reino Unido ocupou pela força o arquipélago e expulsou seus habitantes, a Argentina realiza contínuas gestões para que esse lhe seja devolvido.
Ambos os países mantiveram desde então um atrito diplomático com altos e baixos, mas o clímax foi a guerra de 1982, quando a ditadura do general Leopoldo Fortunato Galtieri ordenou um desembarque nas ilhas.
Estratagema da ditadura militar
Para Cristina Fernández essa disputa bélica, que começou no dia 2 de abril daquele ano e durou 74 dias, não foi mais que um ardil do decadente regime militar argentino para desviar a atenção da crise política, social e econômica que o país sofria.
A verdade é que naquela ocasião a ditadura de Galtieri esperava respaldo dos Estados Unidos. Nada mais longe do previsível.
A guerra concluiu-se com a rendição das tropas argentinas, inferiores em efetivo e técnica militar aos britânicos, que contaram com o apoio do governo estadunidense e dos países da Organização do Atlântico Norte.
Para Edgardo Esteban, jornalista e ex-combatente daquela guerra, tratou-se de um "genocídio iniciado pelos militares no dia 24 de março de 1976", quando foi imposta uma nova ditadura.
"Nas ilhas, os militares cometeram aberrações denunciadas por aqueles que as sofreram na carne própria: tortura física e psicológica amarrando pessoas com estacas", relembrou em um de seus artigos.
O general Benjamín Rattenbach elaborou em 1983 um relatório, a pedido da Comissão de Análise e Avaliação Político-Militar das Responsabilidades do Conflito do Atlântico Sur, que qualifica a Guerra de Malvinas como uma "aventura irresponsável".
A presidenta Fernández, por conta do aumento recente das tensões em torno desta questão, ordenou a desclassificação do documento.
O relatório detalha, segundo Edgardo Esteban, que cada força armada funcionava por sua conta; que os soldados careciam de preparação e que a condução das ações esteve cheia de erros.
Sobre essa base, o Conselho Supremo das Forças Armadas destituiu e condenou Galtieri à prisão por 12 anos, o almirante Jorge Anaya por 14 anos e o brigadeiro Basilio Lami Dozo por oito.
No entanto, afirma o veterano da chamada Guerra das Malvinas ou do Atlântico Sul, que não houve outros condenados e Galtieri, Anaya e Lami Dozo, finalmente, foram indultados em 1990 pelo então presidente Carlos Saúl Ménem.
"A história demonstra claramente que aquilo [a guerra] não foi uma decisão do povo argentino, senão de uma junta desesperada para esconder uma realidade", revelada por "um grupo de mulheres de lenço branco [mães de Praça de Maio] que buscavam seus filhos e seus netos", assegurou a chefa de Estado.
Depois de 30 anos, o contexto é outro. A Argentina conta com o respaldo dos países do Mercado Comum do Sul, da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, da União de Nações Sul-americanas e da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América.
Os Estados Unidos, o histórico aliado estratégico do país europeu, publicou que a disputa deve se resolver de forma bilateral, o que a Grã-Bretanha se recusa de maneira veemente, "enquanto esse não seja o desejo de seus habitantes".
Os Estados parte do Mercosul e sócios adotaram uma declaração no último dia 20 de dezembro, mediante a qual proíbem o ingresso em seus portos de navios que levem a bandeira ilegal das Ilhas Malvinas.
Da mesma forma, a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América em sua XI Cúpula, realizada na Venezuela, aprovou uma declaração a favor da Argentina pelo caso das Ilhas Malvinas.
Os recursos naturais
San Antonio, Sebaldinas, Falklands, Malouines ou Malvinas, são alguns dos topônimos dados ao arquipélago de cerca de 200 ilhas e ilhotas, com uma superfície aproximada de 12 mil quilômetros quadrados, localizados no Atlântico sul, a 480 quilômetros da Patagônia.
O território em disputa, cujas ilhas principais são Solidão e Grande Malvinas, está a 12.276 quilômetros do ponto mais próximo do Reino Unido, o extremo sudoeste da península de Cornualles.
A pecuária e a pesca são as principais atividades econômicas deste território, que tem uma temperatura máxima média em janeiro de 12,8 graus centígrados, mas especula-se muito sobre suas abundantes reservas de petróleo.
Outro dos temas que esquentam a disputa é a exploração dos recursos naturais por Londres apesar das resoluções da ONU.
A chegada em janeiro da plataforma petroleira Leiv Eiriksson, com bandeira das Bahamas, contratada pelas companhias britânicas Borders & Southern Plc e Falkland Oil and Gas Ltd, acendeu a controvérsia.
Além dessas duas empresas, a Desire Petroleum e Rockhopper Plc também fazem explorações nessa área.
Ainda que até o momento nenhuma das duas últimas tenha encontrado petróleo nem confirmado a possível extração com estes trabalhos, o Reino Unido espera extrair óleo e gás natural antes de 2016, o que lhe permitirá amortecer seu declive energético.
Segundo publicou o diário britânico The Sun, a companhia Andarko com capitais dos Estados Unidos poderia pagar cerca de 1,6 bilhões de dólares ao país europeu para participar da exploração de petróleo na plataforma submarina das Malvinas.
A resolução 31/49 da Assembleia Geral de Nações Unidas pede à Argentina e ao Reino Unido que negociem bilateralmente e não introduzam modificações no território enquanto as ilhas atravessam o processo de soberania.
Por isso a insistente denúncia de Buenos Aires, devido a que se trata de uma franca violação das disposições do organismo internacional.
Em seu primeiro aparecimento público após de uma operação de tiroides, a presidenta Fernández reiterou a legítima reivindicação de seu país sobre as ilhas e denunciou que o Reino Unido "está depredando" o petróleo argentino e as espécies marinhas comerciais.
Argumentos britânicos mutantes
Apesar das resoluções da ONU, que convocam para resolver a disputa na mesa de negociações, Londres se recusa e, inclusive, busca continuamente argumentos para manter a posse do arquipélago.
O professor de Política Exterior da Universidade de Buenos Aires Agustín M. Romero recordou que a suposta descoberta dessas ilhas pelo Reino Unido foi o primeiro argumento apresentado no início do conflito em 1833.
Essa alegação desmoronou por falta de bases históricas e foi deixada de lado, explica.
A guerra de 1982 permitiu a Londres consolidar como novo argumento o direito à autodeterminação dos habitantes da ilha.
Essa tese, disse, de igual forma carece de sustentação, porque "a população argentina originária foi expulsa pela Inglaterra em 1833 e suplantada por súditos da coroa".
As Ilhas Malvinas encontram-se em uma situação diferente da do caso colonial clássico. Estavam governadas por autoridades argentinas e ocupadas por colonos argentinos, que em 1833 foram desalojados por Londres com o uso da violência e substituídos por uma população alheia ao território e por uma administração de origem colonial.
Através deste raciocínio, a Argentina encontrou sua mais forte sustentação jurídica e apoio internacional nas resoluções da ONU, as quais sustentam que o princípio da autodeterminação é operativo em todos os territórios coloniais exceto nas Malvinas, pontuou. Segundo o acadêmico, o Reino Unido tenta uma nova estratégia diante da carência de argumentos sólidos no tema e agora busca que o arquipélago passe a ter a mesma categoria de Aruba, Antilhas Holandesas, Polinésia, entre outros, assegurou.
Em 1965, o Comitê de Descolonização da ONU opinou que nas Malvinas há uma situação colonial que deve ser resolver através de negociações.
Com a nova manobra, Londres entraria no clube de países da União Europeia com territórios que não fazem parte dos que estão no Comitê da ONU, opinou.
O próximo passo de Reino Unido, alertou Romero, seria "tirar o tema de Malvinas do citado Comitê".
http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=24475:conflito-das-malvinas-em-novo-cenario&catid=285:direitos-nacionais-e-imperialismo&Itemid=187
Argentina aceita mediação da ONU em conflito sobre Malvinas
Ken Griffiths/Wikimedia Commons
Em 2012 vai completar 30 anos da guerra
entre os dois países pela posse das Malvinas, que terminou em 14 de
junho de 1982 com a rendição da Argentina
Buenos Aires - O governo argentino aceitou oficialmente a oferta de
mediação da ONU para 'coordenar uma solução pacífica' ao conflito entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas, informou nesta terça-feira a Chancelaria do país.
O chanceler argentino, Héctor Timerman, enviou ao presidente da
Assembleia Geral das Nações Unidas, Nassir Abdulaziz al-Nasser, uma
carta na qual aceita sua 'boa disposição' para coordenar uma 'solução
pacífica' entre seu país e o Reino Unido na questão das Ilhas Malvinas,
aponta o comunicado.
Segundo a nota, 'a Argentina aceita com o maior interesse e atenção as
iniciativas e sugestões' que possam ser feitas pelo presidente da
Assembleia para contribuir para a solução da polêmica, solicitando a
transmissão da disposição argentina ao Reino Unido.
O anúncio do governo argentino coincide com a ameaça da Confederação
Argentina de Trabalhadores do Transporte (CATT), que na segunda-feira
antecipou que iria boicotar os navios de bandeira britânica que
entrassem no país em protesto pelas 'pretensões militaristas dos
ingleses'.
A oferta de mediação das Nações Unidas veio à tona após ter recebido na
última sexta-feira uma denúncia da Argentina contra o Reino Unido pela
'militarização' das Malvinas e do Atlântico Sul, depois do envio ao
arquipélago do destróier 'MS Dauntless', da Marinha britânica, e da
chegada do príncipe William à região para uma instrução militar.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou ambas as partes a evitar
uma 'escalada de tensões' às vésperas do 30º aniversário do início da
Guerra das Malvinas, disputada entre Argentina e Reino Unido e que
deixou cerca de 900 mortos em 1982.
Nas últimas semanas, a Argentina aumentou suas gestões diplomáticas
para somar adesões a sua postura sobre as Malvinas, apoiada até agora
por seus vizinhos sul-americanos e os países da Alba (Venezuela, Cuba,
Bolívia, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas, Dominica, Antígua
e Barbuda).
http://exame.abril.com.br/economia/politica/noticias/argentina-aceita-mediacao-da-onu-em-conflito-sobre-malvinas
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