Guerra das Malvinas
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| Guerra das Malvinas | |||
|---|---|---|---|
| Data | 2 de Abril a 14 de Junho de 1982 | ||
| Local | Ilhas Malvinas e Sandwich do Sul | ||
| Resultado | O Reino Unido manteve a posse das ilhas. | ||
| Combatentes | |||
| Comandantes | |||
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A Guerra das Malvinas (em inglês Falklands War e em castelhano Guerra de las Malvinas) ou Guerra do Atlântico Sul ou ainda Guerra das Falklands foi um conflito armado entre a Argentina e o Reino Unido ocorrido nas Ilhas Malvinas (em inglês Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982 pela soberania sobre estes arquipélagos austrais tomados por força em 1833
e dominados a partir de então pelo Reino Unido. Sem dúvida, a Argentina
reclamou como parte integral e indivisível de seu território,
considerando que elas encontram "ocupadas ilegalmente por uma potência
invasora" e as incluem como partes da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul.
O saldo final da guerra foi a recuperação do arquipélago pelo Reino
Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das
ilhas. Na Argentina, a derrota no conflito fortaleceu a queda da Junta militar que governava o país e que havia sucedido as outras juntas militares instaladas através do golpe de Estado de 1976 e a restauração da democracia como forma de governo. Por outro lado, a vitória no confronto permitiu ao governo conservador de Margaret Thatcher obter a vitória nas eleições de 1983.
Antecedentes
As ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul são três arquipélagos situados no Oceano Atlântico, perto da costa argentina, que constituem um domínio colonial britânico desde 1833. Não obstante, desde a sua ocupação em 1690 foram motivos de conflito entre o Reino Unido, França e Espanha,
e depois entre o Reino Unido e a Argentina, que se considera herdeira
dos direitos espanhóis sobre estas ilhas. Neste período, surgiram
diversas quedas de braço para estabelecer uma ou outra soberania, que
terminaram com a ocupação britânica de 1833.
Só um destes arquipélagos, as ilhas Malvinas, tem uma população civil nativa permanente (chamados em inglês de kelpers). Geralmente de origem escocesa,
esta população se considera a si mesma britânica e apoia o estado atual
de soberania sobre estas ilhas. As outras duas estão ocupadas,
essencialmente, por cientistas. Em 1965 a Argentina conseguiu que a ONU
aprovasse a resolução 2065, qualificando a disputa como um problema
colonial e convocando as partes para negociar uma solução; não obstante,
as negociações ficaram infrutíferas durante os próximos dezessete anos.
De todas as formas, as relações entre a Argentina, o Reino Unido e os
habitantes das Ilhas até os finais da década de 1960 e o início da
década de 1970 foram excelentes. Tanto assim, que durante grande parte
dos anos anteriores à guerra, semanalmente operava uma ponte aérea entre
a Argentina e Puerto Argentino/Port Stanley,
da qual os insulares dependiam para provisão e assistência médica.
Sendo que a pista de aterrissagem original de Puerto Argentino/Port
Stanley (feita em alumínio) foi construída pela Força Aérea Argentina.
A importância das ilhas
Em outros tempos, nestas ilhas existiram importantes postos de caça de baleias,
porém a prática provocou o desaparecimento de numerosas espécies de
baleias nos mares austrais e fez com que a importância econômica dos
três arquipélagos fosse reduzida. O interesse por elas obedece
fundamentalmente a quatro causas:
- Tanto a Argentina como o Reino Unido consideram que a soberania sobre estes territórios representa uma questão de orgulho e credibilidade nacional.
- A posse de territórios adjacentes à Antártica pode outorgar os direitos sobre este continente em futuras negociações relacionadas com a mesma.
- O controlo deste arquipélago encerra uma posição estratégica ao seu ocupante sobre o cruzamento austral e o seu tráfego marítimo.
- A recente notícia de exploração de petróleo por ingleses, próximo às Malvinas, pode indicar que os britânicos sabiam da existência de combustíveis fósseis na região.
Compra de armas
Para reforçar os estoques bélicos destinados à guerra, o governo militar utilizou a empresa Aerolíneas Argentinas para transportar armas e munições da Africa do Sul, Israel e Líbia em voos secretos e aeronaves civis modificadas[2].
A decisão de atacar
A ditadura
militar que governava a Argentina em 1982 tinha como parte
significativa de seu apoio um exacerbado sentido de patriotismo. A
questão das Malvinas ocupava um lugar central nesta estrutura
ideológica. No início dos anos 1980,
o modelo econômico da Junta militar se esgotou, com as consequentes
tensões sociais: 90% de inflação anual, recessão profunda, interrupção
de boa parte das atividades econômicas, banalização do IVA (imposto ao
valor agregado), empobrecimento da classe média, grande aumento do
endividamento externo das empresas e do Estado, salário real cada vez
mais baixo, aumento da pobreza e de seus efeitos, etc. A substituição do
chefe da Junta Jorge Rafael Videla pelo general Roberto Viola e posteriormente pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri
é o indicativo desta crise econômica, social e política, e era o
momento certo em que a decisão de recuperar as ilhas se põe em prática
com o objetivo de recuperar o crédito perdido entre os setores sociais
sensíveis a este discurso patriótico.
Esta decisão se baseou em três características militares que, a princípio, pareciam certas:
- A guarnição britânica nas ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul era reduzida, e a distância em relação à metrópole impedia a chegada de reforços a tempo.
- A capacidade de guerra anfíbia do Reino Unido a meio mundo de distância não parecia estar à altura destas circunstâncias, apesar do seu grande poderio aeronaval.
- Não parecia provável que o Reino Unido realizaria um contra-ataque em grande escala, afetando o território continental argentino — por exemplo, usando seus submarinos nucleares — por uma questão colonial sobre algumas ilhas remotas.
Não obstante, a Junta não teve em conta os elementos geopolíticos e diplomáticos essenciais na hora de tomar tal decisão:
- Existiam numerosos conflitos fronteiriços no mundo. No contexto da Guerra Fria, não era provável que a comunidade internacional visse com bons olhos a ação violenta de um deles, pois isso poderia legitimar e, mesmo, desencadear várias guerras regionais nos cinco continentes.
- No contexto da Guerra Fria, os Estados Unidos davam mais importância à OTAN, concebida diretamente para deter a URSS, que ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), mais orientado para conter o comunismo na América Latina e percebido como de interesse secundário por Washington.
- Uma ditadura de extrema direita não poderia esperar apoio da URSS, nem de nenhum de seus países satélites ou daqueles por ela influenciados, nem tampouco da maior parte das democracias ocidentais, de onde as graves violações dos Direitos Humanos cometidas pela Junta Militar argentina já eram de domínio generalizado da opinião pública.
- A Junta subestimou, aliás, as estreitas relações entre os Estados Unidos e o Reino Unido que transcendem o marco da OTAN.
- O Reino Unido é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, com direito a veto.
- A Junta subestimou a importância que tem para a credibilidade do Reino Unido a manutenção dos territórios coloniais da Comunidade Britânica das Nações (Commonwealth).
- 1982 era um ano eleitoral no Reino Unido. Se em algum momento houvesse dúvida em dar resposta ou não a uma invasão, a proximidade dos comícios impediria que um fato humilhante como este fosse resolvido por meio de negociações. Numa pesquisa realizada a poucos dias do início da guerra, 28% da população britânica declarou que «a questão das Malvinas» ia a ser o seu elemento fundamental de decisão de voto.
- A Junta subestimou o potencial e a habilidade militar de que por vários séculos foi a Armada mais poderosa do mundo, e particularmente a capacidade de alguns de seus elementos substanciais.
Com esta análise errônea, o Governo argentino articulou um plano para
a recuperação militar dos três arquipélagos em disputa, chamado de
Operação Rosário, cuja idealização foi obra do almirante Jorge Isaac Anaya, membro da Junta militar presidida por Galtieri, no final de 1981 e início de 1982.
A Operação Rosário
A última operação em Thule do Sul
Já em 18 de março de 1977, a Armada Argentina havia estabelecido a estação científica Corveta Uruguay na ilha Morrell (grupo Thule do Sul), no arquipélago das ilhas Sandwich do Sul,
e estava operando desde então. Esta instalação teve grande repercussão
na imprensa argentina, porém o Reino Unido havia optado por ignorá-la,
considerando-a irrelevante.
Movimentos sutis: o desembarque nas Ilhas Geórgia do Sul
| Forças argentinas | Forças britânicas |
|---|---|
| Força de Operações 60: | |
| (Comandante: capitão C. Trombetta) | |
| • Insignia de navio: transporte polar (B-1) ARA Bahía Paraíso (9.600 t) com 1 helicóptero Puma + 1 Alouette (1978). | • Navio de patrulha ártica HMS Endurance (3.600 t), com 2 helicópteros Wasp. (Capitão: Nick J. Barker, CBE.) |
| • Corveta lança-mísseis A-69 (P-32) ARA Guerrico (1.250 t) com 4 lança-mísseis MM-38 Exocet antinavio (4 mísseis ao todo), 1 canhão de 100 mm + 2 de 20 mm (1978). | |
| • Navio de transporte (B-6) ARA Bahía Buen Suceso (3.100 t, 1951). | |
| • 100 fuzileiros navais embarcados | • 22 fuzileiros navais (do 22º Royal Marines) em terra |
No final de 1979, um homem de negócios argentino chamado Constantino
Davidoff, dedicado ao comércio de sucatas, havia adquirido de uma
companhia escocesa
os direitos sobre as três antigas estações baleeiras em Leith (ilhas
Geórgia do Sul). Nestas ilhas, administradas pelo governador das
Malvinas, eram unicamente habitadas pelos cientistas da British Antarctic Survey (BAS: Pesquisa Antártica Britânica), dirigidas por Steve Martin e estacionadas em Grytviken, a uns 40 km de Leith.
Davidoff obteve permissão da embaixada britânica para fazer um porto
em Leith junto com os 41 trabalhadores, supostamente com objetivo de
exercer o seu negócio. Sem dúvida, entre os trabalhadores estava um
grupo de mergulhadores táticos (tropa de elite da Marinha Argentina). A
partida chegou a Leith em 19 de Março de 1982 a bordo do navio de transporte de tropas Bahía Buen Suceso, comandado pelo capitão Briatore.
Como é protocolar, Davidoff deveria ter-se apresentado à Martin ao
atracar nas ilhas Geórgia do Sul. Não somente deixou de fazê-lo como os
«trabalhadores» por ele trazidos hastearam a bandeira argentina em
Leith. Inconformado com estes fatos, Martin envia um dos cientistas para
conversar com os argentinos e informar-lhes de que pisaram em solo
britânico e devem observar certas normas. Ainda não é o momento; a
equipe de trabalho obedece e a bandeira é retirada. Não obstante, Martin
dá ciência dos fatos ao governador das Malvinas Rex Hunt.
Para o capitão Nick Barker, do HMS Endurance, este incidente foi
surpresa. Ele havia passado quinze anos nessas águas e fazia tempo que
observava movimentos estranhos por parte dos argentinos, tanto que já
havia informado aos seus superiores, embora estes não dessem ouvidos.
Decidiu então mandar um de seus helicópteros Wasp para fazer um
reconhecimento. A partir do navio Bahía Paraíso os argentinos enviam um
helicóptero tipo Alouette em atitude agressiva, com o próprio capitão
Trombetta a bordo. Barker retira sua aeronave. Em terra, não obstante,
dois royal marines observaram estes movimentos e os notificam ao
seu superior em Grytviken, o tenente Keith P. Mills. Na Geórgia do Sul,
todo mundo sabe que a guerra iminente. Em Londres, sem dúvida, não.
Whitehall notifica a Barker e Mills que se os argentinos tentarem tomar
Grytviken, os soldados britânicos devem usar os coletes de combate
amarelos, utilizados para operações antiterroristas na Irlanda do Norte.
No dia 29 de Março
de 1982, Trombetta levanta âncora e o navio Bahía Paraíso se perde no
Atlântico Sul. Em Leith permanecem os fuzileiros navais. Por fim, em 30 de Março, a inteligência britânica se dá conta que é iminente uma operação militar argentina sobre as Malvinas.
O desembarque nas ilhas Malvinas
| Forças argentinas | Forças britânicas |
|---|---|
| Força de Operações 40: | |
| (Comandante: vice-almirante Juan Lombardo) | Comandante: governador Rex Hunt |
| • Destróier D-1 Hércules (4.100 t) com 1 lançador MM38-Exocet antinavio (4 tubos), 2 lança-mísseis antiaéreos Sea Dart, 1 canhão de 114 mm, 2 antiaéreos de 20 mm, 2 lançadores triplos de torpedos de 324 mm e 2 helicópteros 2 SH-3H (1976). | • Navio civil costeiro Forrest. |
| • Destróier D-2 Santísima Trinidad (4.100 t) com 1 lançador MM38-Exocet antinavio (4 tubos), 2 lança-mísseis antiaéreos Sea Dart, 1 canhão de 114 mm, 2 antiaéreos de 20 mm, 2 lançadores triplos de torpedos de 324 mm e 2 helicópteros 2 SH-3H (1976). | |
| • Corveta pesada P-31 Drummond (1.250 t) com 1 lança-mísseis MM-38 Exocet antinavio (4 tubos), 1 canhão de 100 mm + 1 de 40 mm (1978). | |
| • Corveta pesada P-33 Granville (1.250 t) com 1 lança-mísseis MM-38 Exocet antinavio (4 tubos), 1 canhão de 100 mm + 1 de 40 mm (1978). | |
| • Submarino S-21 Santa Fé (1.526 t) (ex-USS Catfish SS 339) com 10 tubos lança-torpedos de 254 e 533 mm (1944, modernizado em 1960). | |
| • Navio quebra-gelos de transporte de tropas Q-5 Almirante Irízar (14.900 t) com 2 helicópteros ligeiros (1978). | |
| • Navio de transporte de tropas Isla de los Estados (3.100 t, 1951). | |
| • Navio de desembarque LST Cabo San Antonio (8.000 t, 1944). | |
| • 102 mergulhadores táticos embarcados. | • 67 fuzileiros navais (Unidade 8901) em terra. |
| • 1º e 2º batalhão de fuzileiros blindado (com veículos anfíbios LVTP-7). | • 23 membros da Força Voluntária de Defesa. |
| • Outro número indeterminado de tropas de infantaria do Regimento de Infantaria 25 do exército argentino. |
No dia 26 de Março de 1982, uma importante força naval argentina havia partido de Porto Belgrano sob o pretexto de realizar algumas manobras com a frota uruguaia.
Na verdade, partiram para as Malvinas, embora o mau tempo os tenha
atrasado. No dia 30, a inteligência britânica notifica ao governador Rex
Hunt de que a ameaça é real e que se espera a invasão para o dia 2 de
abril. Hunt reúne as suas poucas tropas e as envia para a defesa das
ilhas. Na manhã do 1 de Abril, apagam o farol e inutilizam o pequeno
aeroporto local e seus radares.
Às 21 horas do dia 1 de abril
de 1982, 92 mergulhadores táticos argentinos, sob o comando do capitão
de corveta Guillermo Sánchez-Sabarots, deixam o destróier Santísima
Trinidad e desembarcam em Mullet Creek às 23 horas. Nesta mesma hora, o
submarino Santa Fé emerge e envia outros dez mergulhadores táticos para
colocar as boias de radionavegação. Quando o Santa Fé emerge, é
detectado pelo radar de navegação do navio costeiro Forrest dando início
às hostilidades.
À 1h30 do dia 2 de abril
de 1982, os homens de Sánchez-Sabarots se dividem em dois grupos. O
primeiro, comandado por ele mesmo, se dirige aos acampamentos de
infantaria da marinha britânica em Moody Brook para atacá-los. O
segundo, sob o comando do capitão de corveta Pedro Giachino, avança até
Puerto Argentino com o objetivo de tomar o Palácio do Governador e
capturá-lo. Porém os britânicos, de sobreaviso, evacuaram os
acampamentos e estão colocados em posições de combate para defender a
localidade.
Passado o meio-dia do dia 3 de abril
de 1982, a bandeira argentina tremula sobre as ilhas Malvinas, nas
ilhas Geórgia do Sul e as ilhas Sandwich do Sul (nestas últimas fazia
vários anos). Sucedem grandes manifestações de alegria patriótica por
toda a Argentina. Fotos dos soldados britânicos capturados deram voltas
ao mundo. Os «terceiro-mundistas» haviam derrotado com sucesso a
«superpotência». Os prisioneiros britânicos voltam para casa via
Montevidéu. O plano da Junta militar para recuperar o prestígio social
parecia ter dado frutos. Sem dúvida, os militares argentinos que foram
testemunhas da feroz resistência britânica estão agora mais orgulhosos.
Se com apenas uma centena de homens puseram em vários cercos a forças
extraordinariamente superiores, o que ocorrerá quando chegar a Marinha
Britânica?
A recuperação das ilhas pela Argentina e a reação britânica
Margaret Thatcher,
revistando as tropas Militares do Reino Unido, Primeira-Ministra
britânica durante a Guerra das Malvinas, considerada a vencedora desta
Guerra.
A recuperação das ilhas Malvinas por parte das Forças Armadas Argentinas não foi uma ação brutal. Geralmente respeitaram a população local, se bem que praticariam as correspondentes mudanças de topônimos por suas versões argentinas, adotaram o castelhano como língua oficial e, entre outras mudanças, modificaram o padrão de circulação de veículos para conduzi-los pela mão-direita em vez da esquerda.
Num primeiro momento, a reação britânica foi essencialmente confusa. No dia 2 de abril, o diário The Times de Londres,
ao final da primeira página e no início da segunda, perguntava como
poderia ocorrer tal episódio já que os serviços secretos britânicos
vinham captando as mensagens de telex da Embaixada Argentina nos últimos
seis meses. O público do Reino Unido reagiu perante as imagens de
alguns «soldados terceiro-mundistas» mostrando os seus compatriotas
rendidos no solo, o que fez explodir na Argentina um verdadeiro
sentimento patriótico que mudou a configuração política de seu país.
O governo de Margaret Thatcher estava então muito debilitado. Suas duras medidas econômicas de cunho neoliberal, então postas em prática, colocaram-no em confronto com amplas camadas da população britânica. Francis Pym, ministro de Relações Exteriores,
não via com bons olhos um conflito com a Argentina pela posse das ilhas
remotas do Atlântico Sul. Não obstante a tudo isto, no dia 3 de abril, o
Reino Unido conseguiu que a ONU aprovasse a resolução 502, exigindo à
Argentina a retirada de suas tropas dos arquipélagos ocupados como
condição prévia para qualquer processo de negociação. O Reino Unido
também rompeu todas as relações comerciais com a Argentina, e começou a
buscar aliados diplomáticos com êxito muito maior que a Junta Argentina.
Durante o conflito bélico, que causou a imediata ruptura das relações diplomáticas entre ambos os países, o Peru representou os interesses diplomáticos da Argentina no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e, por sua vez, a Suíça
representou os interesses diplomáticos da Grã-Bretanha na Argentina.
Assim, os diplomatas argentinos residentes em Londres se converteram em
diplomatas peruanos de nacionalidade argentina, e os britânicos em Buenos Aires, como diplomatas suíços de nacionalidade britânica. Durante o transcurso do conflito, o adido do Serviço de Inteligência britânico à Embaixada peruana em Londres e a seus diplomatas foi tal que originou como resposta mensagens de distração.
No dia 9 de Abril, a Grã-Bretanha obteve o pleno apoio da Comunidade Econômica Europeia (hoje União Europeia), da OTAN, da Comunidade Britânica das Nações (Commonwealth) e da ONU. Surgem propostas de paz por parte do Secretário Geral das Nações Unidas, o peruano Javier Pérez de Cuéllar, e do presidente peruano Fernando Belaúnde Terry.
Porém, no dia 30 de Março, quando se fez óbvio de que a invasão era
um fato, o Governo britânico ordenou que o destróier HMS Antrim, seguido
de outros dois navios de superfície e de três submarinos nucleares, se
dirigissem à Geórgia do Sul para apoiar o HMS Endurance. O resto das
unidades da marinha britânica foi posto em alerta de quatro horas.
Alexander Haig,
Secretário de Estado dos Estados Unidos, percorreu milhares de
quilômetros tentando evitar a guerra entre seus dois aliados. Não teve
êxito. A URSS,
por sua parte, se dedicou a observar o decorrer dos acontecimentos com
alegria dissimulada: dois aliados dos Estados Unidos, ambos com governos
de direita
— uma Monarquia Parlamentarista e uma ditadura —, se enfrentavam.
Moscou estava consciente de que, cedo ou tarde, Washington teria que
escolher um dos dois. Fazendo isto poderia romper a OTAN ou romper o
TIAR. Qualquer das duas opções era benéfica aos soviéticos.
Na prática, a neutralidade era impossível. No final do mês de Abril, o presidente norte-americano Ronald Reagan
apoiou os britânicos. Ao fazê-lo descumpriu o TIAR, aplicável em casos
de guerra, para favorecer a um membro da OTAN. Sua unilateralidade, em
vez de manter a neutralidade por pertencer a dois tratados de defesa,
lhe valeu o descrédito internacional por flagrante descumprimento dos
tratados. Tanto a URSS como Cuba criticaram os Estados Unidos por este abandono do mais fraco, e Fidel Castro chegou a oferecer o seu apoio à Junta Militar argentina.
Existe uma visão dos fatos que considera que o Chile,
por sua parte, ao optar por apoiar a Grã-Bretanha, descumpriu também
seu compromisso com o TIAR , deixando um de seus postulados permanentes
de política exterior na qual era a intangibilidade no cumprimento dos
tratados internacionais. Este fato foi, segundo esta visão, o produto
das relações muito estreitas cultivadas há anos com a Grã-Bretanha no
âmbito da marinha, ao qual se agregam as relações especialmente
delicadas entre a Argentina e o Chile, que chegaram em 1978 a uma
situação pré-bélica por causa da questão do Canal de Beagle.
É possível que o Chile, nas proximidades da guerra com a Argentina no Conflito de Beagle,
tivera poucas opções e mais: exigir o cumprimento dos princípios de
não-agressão baseado nas Nações Unidas e constatar que o TIAR[3]
descartava em seu "considerando" qualquer apoio a uma ditadura
agressora. A partir deste ponto de vista, este novo ímpeto de
recuperação da soberania argentina poderia chegar até as fronteiras
chilenas reconhecidas pelo multilateral Laudo Arbitral de 1971-1978,
porém a Argentina havia declarado nulo de forma unilateral. O Chile não
poderia apoiar a Junta nesta agressão, pois mais tarde ela poderia
voltar-se contra ele. Por esta razão, as relações entre o Chile e a
Grã-Bretanha[4] evoluíram, transformaram-se em cooperação.
Desde os últimos dias de Abril, o Reino Unido contou com todo este apoio diplomático, com a inteligência norte-americana via satélite, com as últimas versões dos armamentos norte-americanos AIM-9L Sidewinder, mísseis Stinger,
etc e com dados tecnológicos essenciais do que se considerava —e que se
demostraria— a arma mais perigosa dos argentinos: os mísseis antinavio Exocet de fabricação francesa. Há duas versões sobre a conduta dos mísseis Exocet:
1°) o Reino Unido obteve acesso aos códigos para desativá-los em fase operacional, salvo os introduzidos na república do Peru. 2°) não obstante as detalhadas informações obtidas pelo construtor Aérospatiale sobre as características dos Exocet e especificamente sobre seu sistema de pontaria final (homing)
ficaram inúteis: este míssil ficou mais perigoso do que se temia e em
nenhum momento da guerra puderam estabelecer contramedidas eficazes
contra ele.
Não houve declaração oficial de guerra por nenhuma das duas partes;
porém, conforme passava o mês de Abril, o mundo viu os dois países
entrar em guerra.
A reocupação: Operação Corporate
Conforme passava o mês de Abril, mais e mais navios da Royal Navy se dirigiam à zona de conflito em uma ação improvisada sob o comando do Lorde Almirante Sir John Fieldhouse que recebeu o nome de Operação Corporate. Seu objetivo era a reconquista das ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul para a Coroa Britânica, e se estenderia desde o dia 9 de Abril de 1982 até o final da Guerra, no dia 14 de Junho de 1982.
Operação Paraquat: reconquista das ilhas Geórgia do Sul
| Forças argentinas | Forças britânicas |
|---|---|
| Forças da Operação Paraquat: | |
| Comandante: capitão Brian Young | |
| • Submarino S-21 Santa Fé (1.526 t) (ex-USS Catfish SS 339) com 10 tubos lança-torpedos de 254 e 533 milímetros (1944, modernizado em 1960). | • Destróier com mísseis guiados D-18 HMS Antrim (6.800 t) com 1 lança-mísseis Seaslug Mk.2 (2 tubos), 1 lança-mísseis MM-38 Exocet (4 tubos); 2 lança-mísseis Seacat antiaéreos (4 tubos), 1 x 2 canhões de 11,4 mm tipo 45 Mk.6; 2 canhões de 20 mm e 1 helicóptero Westland Wessex com capacidade para lançar torpedos (1970). |
| • Fragata anti-submarina F-126 HMS Plymouth (2.800 t) com 1 lança-mísseis Seacat antiaéreos, 1 canhão duplo de 40 mm, 1 canhão de 11,4 mm tipo 45 Mk.6 e 1 helicóptero Wasp com capacidade para lançar torpedos (1961, modernizado). | |
| • Fragata F-90 HMS Brilliant (2.800 t) com 1 lança-mísseis MM-38 Exocet (4 tubos), 2 lança-mísseis Seawolf antiaéreos com (6 tubos) guiados por laser, os quais estavam em fase experimental, 2 canhões de 20 mm, 2 lança-torpedos anti-submarinos Mk.44 o Mk.46 (3 tubos) e 2 helicópteros Lynx, Sea King HAS.5 o Merlin (1981). | |
| • Navio de patrulha ártica HMS Endurance (3.600 t), com 2 helicópteros Wasp. | |
| • Navio petroleiro e de suprimentos HMS Tidespring (27.400 t) com casco reforçado para operações polares (1963). | |
| • Submarino nuclear S-48 HMS Conqueror (7.200 t), com 6 tubos lança-torpedos de 533 mm (1971). | |
| • Guarnição: 130 fuzileiros navais. | • 42 °Comando royal marines |
| • Comandos SAS e SBS. | |
| (Comandante: tenente-comandante Luis Lagos) | (Comandante: major J.M.G. Sheridan) |
Desde o princípio, foi evidente que o primeiro objetivo teria que ser
nas ilhas Geórgia do Sul. Não somente havia um navio britânico na área,
o HMS Endurance, como também que os dados da inteligência notificavam
que a presença argentina nestas ilhas praticamente desabitadas era
reduzida. Reconquistar as ilhas Geórgia do Sul proporcionaria um pequeno
ponto de apoio terrestre à Frota Britânica, porém sobretudo teria um
efeito propagandístico de grande importância sobre a população
argentina, britânica e internacional: a Royal Navy chegou. Pelo
contrário, um fracasso nesta recuperação poderia implicar graves
problemas internos para Margaret Thatcher e o descrédito internacional
definitivo do Reino Unido. Denominada Operação Paraquat, consistiu em
uma série de improvisações e despropósitos táticos e estratégicos que
saiu bem por pura sorte e pela fraqueza das forças opositoras. Dado às
críticas desta operação, o almirante Fieldhouse havia organizado em
segredo e com uma cadeia de comando distinta da que utilizavam às forças
que se preparavam para reconquistar as Malvinas.
O primeiro que chegou, no dia 19, foi o submarino nuclear HMS
Conqueror. Sua presença, em princípio, expulsava da área a frota
argentina e garantia a segurança do HMS Endurance: o HMS Conqueror era
um submarino projetado para combater a armada soviética, com uma
tripulação treinada para lutar contra os cruzadores e submarinos russos,
pelo que não era provável que nenhum elemento da frota argentina
oferecera uma resistência significativa. No dia 20, um avião de cartografia e reconhecimento por radar Handley Page Victor retornava a ilha de Ascensão
depois de levantar novos mapas do arquipélago (sempre variáveis devido
aos glaciares) e de cobrir 150.000 milhas quadradas de mar. Com 14h e 45
min de duração, trata-se da maior missão de reconhecimento de todos os
tempos. Fez mapas estupendos, porém na missão de observação retornou com
mãos vazias: a frota de superfície argentina não estava na área.
Durante o dia 21, o restante da força britânica chegou nas
proximidades das ilhas Geórgia do Sul. Desde o primeiro momento, pôs em
evidencia a pobre gestão da operação: não estava claro quem mandava
sobre quem, não atendeu aos experientes cientistas do British Antarctic
Survey, perfeitos conhecedores da zona, o que deixou ao 19 °Comando do
22º Regimento do SAS (Special Air Service:
serviço aéreo especial, tropas de elite) engajados no glaciar Fortuna
em meio a um clima hostil: ventos de quase 200 km/h e ondas de força 11,
com o barômetro chegando a marcar os 965 milibares de pressão.
E no dia 23, um fraco eco no sonar
localizou a presença do submarino argentino S-21 ARA Santa Fé; todas as
operações foram rastreadas de imediato, o HMS Tidespring foi enviado
para as águas afastadas, outros dois petroleiros em aproximação se
desviaram e a frota britânica se despregou em ordem de combate para
interceptá-lo.
A Operação Paraquat havia se transformado em uma operação de resgate
de montanha, e houve a estranha perseguição de um submarino
diesel-elétrico construído durante a II Guerra Mundial, enquanto as tropas de Lagos e Astiz em Grytviken e Leith permaneciam distraídas ao que se passava.
Resgatar as tropas retidas lhes custou três helicópteros, até que
finalmente 16 homens cansados e com frio vieram aterrissar no HMS Antrim
a bordo do único helicóptero carregado além de suas especificações. Os
britânicos se concentraram agora em achar um ponto de inserção adequado
—ouvindo desta vez os conselhos dos cientistas do British Antarctic
Survey— e perseguir o Santa Fé.
O capitão Bicain, no comando do Santa Fé, não estava ali por
gostar. Suas ordens consistiam em evitar a possível presença britânica
para desembarcar os parcos reforços em Grytviken. Por isto, seu
submarino estava abarrotado de gente, porém a pouca intimidade era o
menor de seus problemas. Ele ordenava evitar a terceira frota do mundo
com um navio que vira um dique seco
pela última vez em 1960. Estava tão deteriorado que não podia controlar
sua profundidade; só tinha duas possíveis posições, na superfície ou
submergido a cota fixa. Operar os tubos lança-torpedos implicava o risco
de sofrer uma explosão. Frente a isto, estão navios e submarinos
pensados para lutar na Terceira Guerra Mundial.
Apesar de tudo, o capitão Bicain fez chegar muito longe. Porém, era uma peleja impossível. Às 11h do dia 25 de Abril de 1982, um helicóptero do HMS Antrim o detectou outra vez e, antes de deixar o local de novo, lançou duas cargas de profundidade
tão obsoletas como o submarino ao que dirigia (o único armamento que
levava a bordo). Uma delas explodiu muito perto e inundou os tanques de
flutuação do Santa Fé, que se viu obrigado a sair da superficie.
Agora é um alvo fácil para toda sorte de canhões, mísseis e torpedos,
Bicain tratou desesperadamente de chegar a Grytviken.
Os britânicos não iam deixar escapar uma presa tão fácil. Outro
helicóptero lançou dois mísseis AS-12. Atingiram na torreta, porém, como
foi feito durante a reforma de 1960, havia reconstruído em materiais
plásticos, não ofereceu suficiente resistência para ativar a sua
espoleta e os mísseis passaram tranquilamente adiante. Ainda o atacaram
pela terceira vez, com torpedos
dirigidos contra as suas hélices, porém naquela época os torpedos
anti-submarinos não explodiram ao alcançar alvos de superficie por
razões de segurança. Para assombro de todos, especialmente de seus
ocupantes, o Santa Fé veio chegar trabalhosamente a Grytviken e ser evacuado. Ficou avariado e partiu adiante.
Entretanto, as tropas do SAS e do SBS acharam finalmente os pontos de
inserção adequados. Na ausência de patrulhas argentinas, simplesmente
caminharam até Grytviken e Leith. Ao chegar na primeira, encontraram-se
bandeiras brancas fincadas nos edificios. O tenente-comandante Luis
Lagos, ao cargo das ilhas Geórgia do Sul, havia decidido não lutar
diante de forças tão enormes. Na manhã do dia 26, Lagos firmava a
rendição na base do British Antarctic Survey em King Edwards Point.
Astiz, responsável pelos quinze mergulhadores táticos em Leith, no
aceitou o princípio este fato. Porém, diante do que se tinha acima, pela
tarde firmaria também a rendição a bordo do HMS Plymouth, copiando
desnecessariamente o ato de Lagos. A imagem de Alfredo Astiz desempenhando os papéis deu a volta ao mundo. A Union Jack rolava de novo sobre as ilhas Geórgia do Sul.
Black Buck I: bombardeiros nucleares sobre Puerto Argentino
| Forças argentinas | Forças britânicas |
|---|---|
| • Porta-aviões HMS Invincible e escoltas. | |
| • 2º esquadrão de bombardeiros Canberra operando a partir do território continental argentino. | • 2 bombardeiros Vulcan operando a partir da ilhade Ascensão. |
| • Aviões COIN Pucará estacionados nas ilhas Malvinas. | • 800º esquadrão de aviões táticos Sea Harrier na configuração de ataque operando a partir do HMS Invincible. |
| • 6º esquadrão de caça-bombardeiros IAI Dagger operando a partir do território continental argentino. | • 801º esquadrão de aviões táticos Sea Harrier em configuração de patrulha aérea de combate (CAP) operando a partir do HMS Invincible. |
| • 8º esquadrão de caças Mirage III operando a partir do território continental argentino. | |
| • Defesa antiaérea terrestre nas Ilhas Malvinas. |
Apesar de ter tomado as ilhas Geórgia do Sul, o Reino Unido
necessitava demonstrar algumas coisas tanto para a Argentina como para a
opinião pública internacional. A primeira delas é que dispunha da
capacidade de atacar pelo ar tanto as ilhas Malvinas como o território
continental argentino. Paralelamente, o almirante Fieldhouse não queria
ver jatos inimigos operando a partir do arquipélago. Por tudo isto, foi
planejado uma série de operações de ataque a terra contra o aeroporto de
Puerto Argentino que se desenvolveria mediante bombardeiros Vulcan baseados na ilha de Ascensão.
O Vulcan, um bombardeiro
nuclear estratégico, não tinha tanto alcance. Foi necessário planejar
complexas operações táticas de reabastecimento de combustível em vôo
mediante aviões tanques Victor.
Porém, os Victor tampouco iam tão longe, pelo que era necessário
reabastecê-los por vez. Em suma, por cada dois Vulcan que chegavam às
ilhas Malvinas a partir da Ilha de Ascensão, necessitavam de 11 aviões
de reabastecimento em vôo; sendo o ataque mais longe jamais realizado
até então.[5]
O primeiro destes ataques foi realizado sobre o aeroporto de Puerto Argentino em 30 de abril
de 1982 às 8h da manhã, com 21 bombas convencionais de 454 kg (Mk 84)
de alto explosivo das quais somente uma acertou a beira da pista.
Mais devastadores tornaram os ataques que se seguiram imediatamente, realizados pelos aviões Sea Harrier do esquadrão 800º operando a partir do porta-aviões britânico HMS Invincible que já havia chegado à zona. Atacaram o aeroporto de Puerto Argentino com bombas de fragmentação,
causando alguns danos nas infra-estruturas anexas. Porém o maior dano
foi realizado no aeródromo de Goose Green, de onde os argentinos haviam
estacionado aviões de ataque ligeiro Pucará
do 3o. Grupo. Mais ou menos às 8h25min, um dos Pucará ficou destruído,
dois danificados sem qualquer possibilidade de reparo e as instalações
do aeroporto severamente afetadas. O tenente Jukic morreu a bordo do seu
Pucará enquanto tratava de decolar.
Nesse momento, a Força Aérea Argentina já havia reagido e enviou caças Mirage do 8º Grupo, IAI Daggers do 6º Grupo e bombardeiros Canberra do 2º grupo: o destróier HMS Glamorgan e as fragatas HMS Arrow e Alacrity
sofreram danos menores, porém o preço pago foi elevado. Nos combates
aéreos posteriores aos dois Harriers do Esquadrão 801 se enfrentaram com
um número similar de Mirages. As táticas de combate aéreo dos Mirage
argentinos foram muito deficientes, já que voavam ao estilo "corpo a
corpo" e no confronto os britânicos derrubaram um Mirage, e danificaram
outro com disparos de mísseis guiados. No confronto posterior derrubaram
um IAI Dagger e um Canberra sem sofrer baixas britânicas, e mesmo
assim, acabaram danificando um Turbo Mentor.
O Mirage avariado no combate com os Harrier, pilotado pelo capitão
García Cuerva, tenta pousar em Puerto Argentino. Porém, a defesa antiaérea
o confunde com um avião britânico e o derruba, o que acabaria com a sua
vida; foi um lamentável incidente de fogo amigo. Outros três pilotos
argentinos ficaram mortos ou desaparecidos no mar.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • Graves danos no aeroporto de Puerto Argentino. | • Nenhum. |
| • Graves danos no aeródromo de Goose Green. | |
| • 1 + 2 aviões táticos Pucará | |
| • 1 + 1 caças Mirage III | |
| • 1 caça-bombardero IAI Dagger | |
| • 1 bombardeiro Canberra | |
| Baixas civis | |
| • 2 mortos + 2 desaparecidos (declarados mortos). | • Nenhum. |
A Operação Black Buck I teve êxito com um brilhante alcance
operacional, porém foi um fracasso quanto aos seus resultados práticos,
já que o aeroporto de Puerto Argentino nunca ficou totalmente
inutilizado e os vôos de transporte do C-130 Hércules
se mantiveram até à última noite da guerra. Sem dúvida, o Reino Unido
havia demostrado sua capacidade para atacar o arquipélago, inclusive o
território continental argentino, a partir de bases tanto em terra como
no mar, assistindo ao segundo golpe propagandístico e destruindo várias
aeronaves no ar e em terra, tudo isto sem sofrer nenhuma perda. Porém, o
almirante Fieldhouse queria algo mais.
O afundamento do ARA General Belgrano
| Forças argentinas | Forças britânicas |
|---|---|
| Força de operações 79.3: | |
| • Cruzador (C-4) General Belgrano (12.242 t), com 15 canhões de 152 mm, 8 canhões antiaéreos de 127 mm, vários canhões antiaéreos de 40 mm e de 20 mm, 1 lança-mísseis antiaéreo Sea Cat e 2 helicópteros (1938, atualizado en 1968). | • Submarino nuclear S-48 HMS Conqueror (7.200 t), com 6 tubos lança-torpedos de 533 mm (1971). |
| • Destróier (D-26) ARA Hipólito Bouchard (3.315 t) com 4 lança-mísseis antinavio com um míssil MM-38 Exocet cada um, 6 canhões de 127 mm, 23 canhões antiaéreos de 40 mm e de 20 mm, 10 lançadores de cargas de profundidade e 10 tubos lança-torpedos de 533 mm (1944, atualizado em 1976). | |
| • Destróier (D-29) ARA Piedra Buena (3.315 t) com 4 lança-mísseis antinavio com um míssil MM-38 Exocet cada um, 6 canhões de 127 mm, 23 canhões antiaéreos de 40 mm e de 20 mm, 10 lançadores de cargas de profundidade e 10 tubos lança-torpedos de 533 mm (1944, atualizado em 1979). |
Se bem com a chegada da Royal Navy e a inutilização do submarino
Santa Fé, a frota argentina havia deslocado para posições mais próximas
do continente. O almirante Fieldhouse desejava firmemente ser atracada
no porto. Não estava disposto a arriscar seus preciosos navios em
batalhas navais como as da Segunda Guerra Mundial. Para isto,
necessitava provocar um golpe brutal, algo que convencera aos seus
almirantes e a Junta de que sair ao mar era a pior das idéias possíveis.
Também fazia falta um golpe propagandístico definitivo do que oferecer a
Londres, mais além da recuperação de ilhotas obscuras e o êxito das
operações de bombardeio todavia meio secretas.
Para o dia 30 de abril, as unidades mais relevantes da força de
operações britânica já haviam configurado dois grupos de operações na
zona das Malvinas, compostos por dois porta-aviões (HMS Hermes e HMS
Invincible), quatro destróiers (HMS Glamorgan, HMS Conventry, HMS
Glasgow e HMS Sheffield), quatro fragatas (HMS Broadsword, HMS Alacrity,
HMS Arrow e HMS Yarmouth) e dois navios petroleiros e de suprimentos
(Olmeda e Resource). Com sua posição assim consolidada, o Reino Unido
declarou uma «zona de exclusão total» (TEZ) de 200 milhas náuticas ao
redor do arquipélago, cujo centro não estava bem definido. Qualquer
navio ou aeronave argentina que passar dentro destas águas poderia ser
atacado sem prévio aviso. O certo é que, como temos visto, a frota
argentina havia decidido retirar-se da área por iniciativa própria em
três grupos muito dispersos. O General Belgrano e suas duas escoltas
patrulhavam o Banco Burdwood, situados no limite sul desta zona de
exclusão. Não parece provável que navios tão antigos cometeram a
imprudência de penetrar na zona proibida. Naquele mesmo dia, foram
detectados pelo submarino nuclear HMS Conqueror, procedente da
reconquista das ilhas Geórgia do Sul.
Londres havia preferido ter colocado o 25 de Mayo, único
porta-aviões da Marinha Argentina como alvo. O General Belgrano, sem
dúvida, era o segundo maior navio do Grupo de Tarefas 79 (nome dado à
Frota Marítima argentina durante o conflito das Malvinas. Ao meio-dia do
dia 2 de Maio
de 1982, e apesar de haver uma proposta de paz do Presidente em suas
mãos, o governo de Margaret Thatcher autorizou o afundamento do General
Belgrano com seus 1.093 tripulantes.
Às 15h do dia 2 de Maio de 1982, com ondas de 12 m de altura, ventos
de 120 km/h e temperatura ambiente em torno de -10 °C , o capitão do HMS
Conqueror, Chris Wreford-Brown ordenou o desfecho de combate e carregar
os tubos lança-torpedos com os obsoletos Mk 8 (considerados mais
confiáveis do que os novos Tigerfish).
Cada um destes torpedos não guiados carregava 363 kg de alto
explosivo. Em nenhum momento o grupo de tarefas 79.3 se deu conta de que
o ataque era iminente. Às 16h, e a curta distância, Wreford-Brown deu a
ordem de disparar os três torpedos. Um deles poderia alcançar o
Hipólito Bouchard, porém errou o alvo. Os outros dois acertaram em cheio
o General Belgrano. O primeiro acertou a sala de máquinas de popa às
16h01min, abrindo um rombo de 20 m no casco, partindo a quilha e matando
272 tripulantes. O segundo acertou na proa, o que fez desaparecer 15 m
do barco, porém aparentemente sem causar vítimas.
O navio estava perdido. Às 16h24min, o capitão Héctor Bonzo ordenou evacuá-lo. Seu destróier de escolta Piedra Buena
se lançou à caça do submarino inimigo, porém Wreford-Brown escapou
facilmente de um navio tão antigo. Não obstante, durante os dias
seguintes haveria tentativas sucessivas de afundar o HMS Conqueror, todas elas sem sucesso. Voltaria ao Reino Unido depois da guerra, tremulando a Jolly Roger
(a bandeira pirata preta com a caveira e os dois ossos cruzados
brancos, símbolo de vitória na Marinha Britânica desde os princípios da
Idade Moderna).
323 marinheiros argentinos perderam a vida (a metade do total de
mortos argentinos durante o conflito) em consequência do afundamento do
General Belgrano, acontecimento este que não foi bem recebido no cenário
internacional. Em muitos países consideravam isto como uso
desproporcionado da força sobre um navio obsoleto, com muitas
tripulações a bordo —em boa parte, marinheiros recrutas— e fora da TEZ,
reforçando as posturas pacifistas
em governos e cidadãos de todo o mundo. Não obstante, no Reino Unido
foi ocasião de comemorações populares e primeiras-páginas de jornais
como esta do diário The Sun.
Por outro lado, outros meios de imprensa, começaram a assumir posturas
moderadas e inclusive contrárias à guerra, diante de tal perda de vidas.
Há posições que consideram o afundamento do General Belgrano como um
crime de guerra, já que este se encontrava fora da zona de exclusão
imposta pelo Reino Unido no momento em que afundou.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • Cruzador C-4 General Belgrano afundado, junto com o helicóptero Alouette. |
• Nenhuma. |
| Baixas humanas | |
| • 323 mortos. | • Nenhuma. |
Ainda que os planos navais argentinos tinham sido frustrados, todavia
a Argentina escondia uma coisa debaixo dos seus panos: a sua Força
Aérea, que a partir do afundamento do General Belgrano começaria a
infligir importantes baixas sobre à Força Tarefa Britânica.
O Exocet entra em cena: o afundamento do HMS Sheffield
| Forças argentinas | Forças británicas |
|---|---|
| • Força de operações da Marinha Real: | |
| • 1 avião de reconhecimento P-2 Neptune. | • 2 porta-aviões (HMS Hermes y HMS Invincible). |
| • 2 aviões táticos Super Étendard (2ª Esquadrilha Aeronaval de Caça e Ataque) equipados com mísseis Exocet. | • 5 destróiers lança-mísseis (HMS Antrim, HMS Glamorgan, HMS Conventry, HMS Glasgow e HMS Sheffield). |
| • 1 grupo de IAI Daggers em missão de escolta armada. | • 4 fragatas (HMS Broadsword, HMS Alacrity, HMS Arrow e HMS Yarmouth). |
| • 2 aeronaves auxiliares. | • Numerosos navios auxiliares. |
| • Várias patrulhas aéreas CAP compostas de aviões Sea Harrier. |
Em Buenos Aires fazia muito frio, e não somente pela proximidade do
inverno austral. O que começou como uma grande aventura patriótica para
recuperar o prestígio social estava convertendo rapidamente em um
fracasso. Apesar da férrea censura de informações imposta pela ditadura,
o entusiasmo entre as camadas populares sensíveis a este tipo de ações
se esfriava tão depressa como o clima bonairense. Rapidamente um mês
depois das celebrações populares pela recuperação dos arquipélagos, e
apesar de toda a propaganda, nada se escapava, já que o regime havia
lançado represálias contra uma grande potência e esta havia aceito o
desafio. Para a Junta, devolver os golpes recebidos como um fato
espetacular se converteu em uma prioridade absoluta. Tal fato não podia
ser outro além do afundamento de um grande navio de guerra britânico,
sob as camadas populares e uma vingança pelo afundamento do General
Belgrano. Com uma guerra em grande escala em marcha, era essencial
devolver a esperança à gente e fazer-lhes crer na vitória.
Antes de por em prática em seus portos, a frota argentina havia determinado com bastante precisão a área geral de operações de dois grupos de batalha britânicos pelo procedimento de detectar suas transmissões radioeletrônicas. Na manhã do dia 4 de Maio de 1982, um avião de patrulha P-2 Neptune da Força Aeronaval Argentina (COAN) estabelece por radar as posições da Força de Operações britânica. De imediato, dois aviões de fabricação francesa Dassault-Breguet Super Étendard da 2º Esquadrilha decolaram de Río Grande às 09h45min com um míssil Exocet AM.39 cada um para, quando estarem no céu, realizar um grande voo semicircular que os aproxime aos navios inimigos, sendo pilotados pelos capitães Augusto Bedacarratz e Armando Mayora. Por trás disto, um grupo de IAI Daggers para dar-lhes cobertura ar-ar e um Learjet em missão de alerta.
Havia um problema com os Exocets. Eles acabavam de chegar da França
e, devido ao embargo imposto pela OTAN contra a Argentina, os
instrutores franceses não se haviam apresentado. Os técnicos da Base de
Río Grande tinham em suas mãos armas muito sofisticadas… só que eles não
sabiam como usar. Sem dúvida, eles não se desencorajaram e fizeram o
possível para aprender todos os seus segredos, lendo os seus manuais e
foram desmontando e montando algumas partes do míssil, cuidadosamente.
Quando finalmente os instalaram a bordo dos Super Étendard, não estavam
muito seguros de que eles realmente funcionariam.
Por outro lado, o Reino Unido prossegue suas operações militares.
Executa a segunda série de bombardeios Black Buck sobre as Malvinas,
buscam o submarino San Luis que está na área, supervisionam de longe as
operações de resgate da tripulação do General Belgrano e de suas
aeronaves e se aventuram até às proximidades da costa argentina para
inspecionar possíveis objetivos, apesar de que a Junta establecia por
sua vez uma zona de exclusão. É uma superpotência, fazendo a guerra
"segundo o manual". De longe, no mar, ao leste das Malvinas, os dois
porta-aviões e seus navios auxiliares atuam de retaguarda avançada, bem
protegidas do cerco das fragatas com seus mísseis de curto alcance Sea Wolf
e, a umas 20 milhas náuticas, pelos destróieres do tipo 42 (entre os
que acompanhvam o HMS Sheffield) com seus sofisticados radares e seus
mísseis de médio alcance Sea Dart, apoiados por sua vez pela fragata HMS Yarmouth.
Às 10h35min, O P-2 Neptune faz uma última subida a 1,2 km de altitude
e localiza um alvo grande e dois pequenos nas coordenadas 52º33'55" Sul
e 57º40'55" Oeste. Retransmite as informações a Bedacarratz e retorna a
base.
Às 10h50min, os dois Super Étendards —que vinham voando acima da
crista das ondas— realizaram uma pequena subida a 160 m de altitude para
confirmar as coordenadas fornecidas pelo Neptune, porém não encontraram
nada. Bedacarratz decide continuar. Quarenta km mais adiante voltam a
tentá-lo e logo ali estão. Um alvo grande e três pequenos. Voltaram a
voar bem baixo pelo local, carregaram os dados nas ogivas dos AM.39
Exocets e os dispararam às 11h04min. Depois de fazê-los, deram a volta
para retornar a Río Grande. Os lançamentos foram realizados em altitude
muito baixa, com mísseis montados sem qualquer assistência do fabricante
e justamente no limite do alcance nominal dos Exocet: quase 50 km. Por
estes motivos, durante o regresso Bedacarratz e Mayora duvidaram de que a
complexa missão tinha servido de algo.
Ainda hoje, os sucessos seguintes são motivos de disputa. O único
fato seguro é de que, às 11h07min do dia 4 de Maio de 1982, um dos dois
mísseis Exocet atinngiu em cheio o destróier HMS Sheffield, o navio mais
moderno da Royal Navy. Algumas fontes disseram que a ogiva de guerra
não detonou, e o que se produziu foi um incêndio causado pelos gases de
combustão do Exocet, que se espalhou rapidamente. O capitão do
Sheffield, ao sair, assegura que o míssil explodiu, destruindo o centro
de operações e o de engenharia. Seja como for, em poucos segundos, o
moderno destróier estava em chamas. 22 homens morreram e 24 ficaram
gravemente feridos, entre eles o chefe de informática que tratava de por
os computadores em marcha de novo sem sucesso.
A principal razão era de que o HMS Sheffield e a fragata HMS Yarmouth
não detectaram a presença do Exocet, até que um marinheiro de primeira
viagem o viu aproximar-se, 4 segundos antes do impacto, permanece
oculta. Uma versão diz que nesse momento estavam realizando as
retransmissões via satélite, que faziam o radar ficar cego. Outra, que
os monitores do radar o identificaram como um projétil amigo devido a
sua origem francesa. Ainda uma outra, que afirma que a tripulação dos
navios britânicos ficaram demasiadamente confiada, com o alerta muito
fraco. Tudo isto ficava incompreensível, apesar de os britânicos terem
levado toda a manhã detectando as transmissões do Neptune e inclusive
havia já uma patrulha de Harriers no ar para interceptá-lo. Apesar de
tudo, o Exocet só fez aquilo para o que foi fabricado: aproximar-se
subrepticiamente a um navio de alta tecnologia e afundá-lo sem prévio
aviso.
Mais controvertido ainda é que o ocurreu com o segundo Exocet. A
versão geral é que falhou o seu alvo e se perdeu. Sem dúvida,
marinheiros a bordo do Yarmouth asseguram que o viram passar diante de
seus olhos. A pouca atividade que o porta-aviões HMS Hermes empregou na
guerra a partir desse momento fez pensar a alguns que aliás o segundo
Exocet dedicara ao "alvo grande" dos radares.
Rapidamente, vários navios pediram ajuda ao HMS Sheffield. Evacuaram
os sobreviventes e lograram controlar o incêndio. Não obstante, o navio
estava à deriva, já perdido. Tentaram rebocá-lo de volta ao Reino Unido,
porém se afundou no caminho.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • Nenhuma. | • Destróier HMS Sheffield afundado. |
| Baixas humanas | |
| • Nenhuma. | • 20 mortos e 24 feridos graves. |
A notícia deu a volta ao mundo. A «soldadesca terceiro-mundista» de
que falava a imprensa londrina — uns com desprezo, outros com lástima —
acabava de abater o navio mais moderno da frota britânica. O frio se
estendeu agora por Whitehall, apesar de que no Hemisfério Norte brilhava
a primavera. Foi um duríssimo golpe no prestígio britânico ante as
nações, que reviveu com as celebrações patrióticas na Argentina, de onde
Bedacarratz e Mayora foram recebidos como heróis, e deu uma máscara de
oxigênio à Junta. A "questão das Malvinas" se converteu prontamente na
"crise das Malvinas". O Exocet ganhou fama entre o público de todos os
países, assistindo pela primeira vez a uma guerra aeronaval baseada no
uso de mísseis. Com a maior descrição possível, o almirante Fieldhouse
afastou as suas unidades da costa tanto quanto foi possível, o qual
significava um grave problema, porque o seu propósito era exatamente o
contrário: dominar as águas ao redor das ilhas Malvinas e
reconquistá-las. Impunha-se uma aproximação diferente.
[editar] Guerra marítima
Já conscientes de que eles enfrentavam um oponente muito perigoso, a
partir do dia 10, numerosos navios de guerra e de apoio britânicos
saíram do Reino Unido para reforçar a Força Tarefa deste país e ajudar
ao desembarque previsto nas ilhas Malvinas no final do mês. Por sua
parte, a Argentina teve de manter-se geralmente na expectativa,
sobretudo tratando de reforçar a guarnição no arquipélago e garantir a
segurança das comunicações com o continente. No dia 15, teve que retirar
do serviço os aviões de reconhecimento P-2 Neptune por ser obsoleto e
por falta de peças de reposição, o que deixou à nação austral sem os
«olhos eletrônicos» mais capazes das Malvinas. Em geral, o Reino Unido
se preparava para a reconquista e a Argentina esperava a tentassem.
Sugeriram-se vários planos de paz; porém, ambos os lados negavam-se a
aceitá-los por diversas razões. Ficou claro de que a intensidade do
conflito seria mais violenta.
Este período de preparativos, que se estenderia até o 21 de Maio,
esteve salpicado de cuidadosas ações aeronavais. Por trás da experiência
do HMS Sheffield, o almirante Fieldhouse não se sentia tentado a
aproximar seus navios mais valiosos às Malvinas; serão as fragatas quem
poderiam arcar com a perigosa tarefa de permanecer nas águas malvinenses
para denegrir a Argentina na medida do possível e dar apoio aos aviões
que operam na área.
Sucedem-se vários incidentes, em que ambas as partes perdem aviões, e
à Argentina, alguns pequenos barcos de transporte, de carga e de
reconhecimento. As unidades britânicas incrementam nitidamente o seu
nível de agressividade, chegando a atacar pelo menos em duas ocasiões as
embarcações e aeronaves de salvamento argentinas, atos esses que
acabaram ferindo os princípios mais elementares do Direito
Internacional.
No dia 12, aviões A-4 Skyhawk
argentinos tentaram destruir com bombas o HMS Glasgow e o HMS
Brilliant, que se encontravam bombardeando Puerto Argentino. O ataque
resultou num fracasso, com a perda de 4 aviões (um deles por fogo
amigo). Apesar disto, o Glasgow recebe o impacto de uma bomba que não
chegou a detonar, porém causou danos suficientes para obrigá-lo a voltar
ao Reino Unido.
No dia 14, uma operação de tropas SAS em ilha Borbón
(Peeble Island), apoiada pelos navios HMS Hermes, HMS Broadsword e o
HMS Glamorgan obtiveram um grande êxito ao destruir os 11 aviões ali
estacionados. Esta operação marca o início da escalada da atividade
militar britânica. Os bombardeios costeiros ficaram mais intensos. Os
argentinos compreendem que a invasão é iminente e se preparam para a
defesa.
Um incidente que pôs em evidência a cooperação chilena com o Reino
Unido aconteceu no dia 18. Ao amanhecer, descobriram os restos de um
helicóptero britânico Sea King (ZA-290) abandonado e destruído pelos
seus ocupantes próximo à Punta Arenas,
Chile. Desde o lado argentino se argumentou que este helicóptero
procedia do país andino, porém atualmente sabe-se que se tratava de um
abre-alas da Operação Mikado. A Operação Mikado era uma ação
praticamente suicida, ao cargo do esquadrão B do SAS, destinada a
destruir os aviões Super Étendard e os mísseis Exocet da 2ª Esquadrilha
em Río Grande. A partir da destruição do HMS Sheffield, colocar e
eliminar estes perigosíssimos mísseis se converteu em uma prioridade tão
alta para o Almirantado Britânico que justificava qualquer tipo de
sacrifício. A visão de que eles não compartilhavam os homens que de fato
iam sacrificar-se, que eram soldados veteranos e corajosos; porém, o
que eles compreendiam é que estavam caminhando para a morte.
Não obstante, às 00h15min do dia 18 de Maio, o tenente Hutchings —
engajado no HMS Hermes — decolou do HMS Invincible com seu helicóptero
Sea King ZA-290 e um grupo de 9 soldados de elite. Sua missão era
penetrá-los nas proximidades da base de Río Grande, donde estavam os
Super Étendards com seus Exocets, para observar seus movimentos e
preparar a chegada de duas lanchas com 50 soldados que destruiriam com
bombas esta base essencial para Argentina. Depois seriam evacuados ou
fugiriam até o Chile, de onde a regime autoritário de Augusto Pinochet
havia garantido em segredo apoio para serem evacuados. Já dias antes
havia chegado ao Chile um certo capitão Andrew H. sob cobertura
diplomática, para realizar um reconhecimento preliminar. Seus
movimientos não foram restringidos em nenhum momento. Reagan havia
advertido a Thatcher de que uma operação assim em território continental
argentino poderia envolver na guerra os outros países do TIAR, como
Peru e Venezuela, porém evidentemente o governo britânico optou por
ignorar esta consideração e as objeções de suas próprias unidades de
comandos.
Tal como eles temiam, o ZA-290 foi detectado por radares argentinos, e
o tenente Hutchings decidiu cancelar a operação e dirigir-se
diretamente ao Chile. Sem combustível, pousaria na praia de Água Fresca,
já em território chileno. Foi abandonado e destruído por seus
ocupantes, porém o certo é que estes retornaram ao Reino Unido por voo
regular e sem nenhum problema, o que confirmaria a implicação chilena no
conflito do lado britânico (oficialmente, "renderam-se às autoridades
chilenas", porém em nenhum momento os tratou como prisioneiros de
guerra, mas sim, como combatentes aliados). O general chileno Fernando
Matthei confirmou em uma entrevista concedida ao Centro de Investigação e
Documentação da Universidade Finis Terrae em 1999 que durante toda a
guerra existia uma constante cooperação do mais alto nível com o Reino
Unido, pois "temiam ser os seguintes". Pouco antes, Margaret Thatcher
também o faria público para defender a Pinochet durante sua estada no
Reino Unido. O helicóptero de apoio, um outro Sea King com matrícula
ZA-292, retornou ao HMS Invincible. A Operação Mikado foi cancelada e o
Almirantado prosseguiu com os seus planos de reconquista sob a ameaça
dos Exocet.
Em efeito, no dia 18, o governo britânico deu ao almirante Woodward o sinal verde para um desembarque na costa leste do Estreito de San Carlos,
que separa as duas ilhas principais do arquipélago malvinense. Uma
operação arriscada que obrigará os navios a entrar em um estreito
rodeado de montanhas; o lugar perfeito para sofrer ataques a baixa
altitude por parte da aviação argentina.
O Dia D: Operação Sutton
| Forças argentinas | Forças británicas |
|---|---|
| • Força de desembarque da Marinha Real: | |
| • 1 destróier lança-mísseis (HMS Antrim). | |
| • 6 fragatas (HMS Ardent, HMS Argonaut, HMS Brilliant, HMS Broadsword, HMS Yarmouth e HMS Plymouth). | |
| • 2 navios de assalto (HMS Fearless e HMS Intrepid). | |
| • 5 navios de desembarque (Sir Percival, Sir Tristram, Sir Geraint, Sir Galahad e Sir Lancelot). | |
| • 4 navios de apoio logístico (Europic Ferry, Norland, Fort Austin e Stromness). | |
| • 1 transatlântico para transporte de tropas (Canberra). | |
| • Outros navios e aviões em operações de ataque e apoio cerrado. | |
| •Guarnição de San Carlos. | • Esquadrão D de comandos SAS. |
| •Guarnição de Darwin. | • 40º, 42º e 45 °Comandos da 3ª Brigada de Comandos. |
| • 2º e 3º de Paraquedistas. |
Ao anoitecer do dia 20 de maio de 1982, 12.000 soldados argentinos
bem equipados de material sabiam que o ataque britânico era iminente,
pois durante os dois dias anteriores já vinham observando numerosas
detecções no radar e um forte incremento da atividade inimiga. Pela
manhã, o Secretário Geral da ONU Javier Pérez de Cuéllar reconhece o fracasso de suas gestões em favor da paz. Uma proposta peruana
é também rechaçada. Segundo as informações do capitão Roberto Vila,
destinado ao arquipélago: No dia 20 continuam as novas missões, com o
capitão Grünert e o tenente Calderón. Às 18h30min, apareceram ecos de
radar dos dois helicópteros que logo foram vistos pela Rede de
Observadores Aéreos. Às 22h30min, houve alarmes de iminentes ataques e
desembarque aerotransportado; nesse dia os soldados dormiram com o FAL carregado.
Esta importante força militar sofria uma fraqueza essencial: uma
parte significativa estava composta por infantaria de recrutamento
obrigatório, não voluntários profissionais. Entre eles, inclusive, havia
estudantes dissidentes
com o regime que foram enviados de castigo, e cuja moral de combate era
evidentemente baixa. As comunicações navais com o continente estavam
cortadas, e as comunicações aéreas sofriam graves alterações em suas
operações devido à constante presença de patrulhas de caças inimigos.
Não obstante a isto, a Força Aérea Argentina esteve à altura das
circunstâncias e manteve o contingente no arquipélago abastecido até a
última noite da guerra, apesar de condições tão adversas.
Em torno deles, a prática totalidade da Royal Navy: mais de 120
navios, 33 deles navios de guerra de primeira linha, com vários milhares
de soldados profissionais e de elite preparando-se para o desembarque.
Os submarinos britânicos já eram completamente donos de todas as águas
ao redor das Malvinas, pelo que a frota argentina permaneceu no porto.
Não obstante essa superioridade tecnológica e militar britânica, a
guarnição das Malvinas e a Força Aérea Argentina prepararam-se para a
defesa. Acreditavam ter uma oportunidade e de fato a tinham.
Durante a noite do dia 20 de Maio de 1982, a operação Sutton,
dirigida pelo contra-almirante Woodward e o comodoro Clapp, pôs-se em
marcha. Dezenove navios da Marinha Real (o transatlântico Canberra, os
navios de assalto Fearless e Intrepid; os navios de desembarque Sir
Percival, Sir Tristram, Sir Geraint, Sir Galahad e Sir Lancelot; os
navios de apoio logístico Europic Ferry, Norland, Fort Austin e
Stromness; escoltados pelo destróier Antrim e as fragatas Ardent,
Argonaut, Brilliant, Broadsword, Yarmouth e Antelope) dispersaram-se
pelo Estreito de San Carlos. Às 1h do dia 21 de Maio de 1982,
as primeiras tropas britânicas chegavam em terra na Baía de San Carlos,
ao extremo ocidental da Ilha Soledad (de onde está a capital Puerto
Argentino). Sem encontrar resistência, estabeleceram rapidamente três
cabeças de praia e avançam até a localidade de San Carlos, de onde
produziriam as primeiras lutas. Entretanto, diversas unidades aeronavais
britânicas realizam ataques de apoio cerrado em outros pontos do
arquipélago, bombardeavam alvos selecionados e enviavam tropas para
Darwin e Goose Green.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • Nenhum. | • 2 helicópteros Gazelle derrubados. |
| • 1 avião tático Harrier GR.3 derrubado. | |
| Baixas humanas | |
| • Não precisas (poucas). | • Pelo menos 4 mortos. |
| Resultados estratégicos | |
| • 3 cabeças de praia britânicas na Baía de San Carlos. |
|
| • Guarnições de Darwin e de San Carlos imobilizadas. |
A decisão de desembarcar pelo Estreito de San Carlos foi muito
controvertida, sobretudo à luz de suas consequências. Por um lado é
certo que as montanhas circundantes pareciam proteger as unidades
britânicas e pô-las a salvo dos radares inimigos. Porém, pelo outro
lado, a aviação argentina já havia demonstrado em ocasiões precedentes
ser muito capaz de aproveitar esta classe de obstáculos em seu próprio
beneficio; aliás, este desembarque afastava as unidades implicadas da
força principal situada ao Leste da Ilha Soledad. Um ataque direto sobre
Puerto Argentino ou aos suas periferias não teria sido adequado, pois
ali se concentrava a maior parte da guarnição argentina, porém muitos
historiadores não explicam por que Woodward e Clapp escolheram um dos
três piores lugares possíveis para iniciar o ataque. Seja como for,
assim ocorreu. E pagaram caro pelas consequências.
Às 9h, um Aermacchi MBB 339 argentino utilizou pela primeira vez as
características geográficas do Estreito de San Carlos para sobrevoar à
força de desembarque britânica sem ser derrubado. Este aparato
confirmaria que se falavam ante o «Dia D» das Malvinas, e inclusive fez
alguns disparos com seus lança-foguetes Zuni, provocando danos menores
na fragata Argonaut. Apenas meia hora depois, a Força Aérea
Argentina ficava ao seu encargo os seus aviões para responder com uma
série de ataques de excepcional ousadia que rebatizariam o Estreito de
San Carlos como «o corredor das bombas». Era o momento que demoravam um
mês esperando. E esta era a sua oportunidade.
O Dia D: O corredor das bombas ou O Vale da Morte
| Forças argentinas | Forças britânicas |
|---|---|
| • Força de desembarque da Marinha Real: | |
| • 20 aviões táticos IAI Dagger (do grupo 6º) armados com bombas de 250 e de 500 kg | • 1 destróier lança-mísseis (HMS Antrim). |
| • 30 aviões táticos Skyhawk (do grupo 5º) armados com bombas de 250 e de 500 kg | • 6 fragatas (HMS Ardent, HMS Argonaut, HMS Brilliant, HMS Broadsword, HMS Yarmouth e HMS Antelope). |
| • 6 caças Mirage III (do grupo 8º) armados com mísseis Magic em função de escolta. | • 2 navios de assalto (HMS Fearless e HMS Intrepid). |
| • Diversas aeronaves de apoio em retaguarda. | • 5 navios de desembarque (Sir Percival, Sir Tristram, Sir Geraint, Sir Galahad e Sir Lancelot). |
| • 4 navios de apoio logístico (Europic Ferry, Norland, Fort Austin e Stromness). | |
| • 1 transatlântico para transporte de tropas (Canberra). | |
| • Patrulhas CAP compostas por aviões Sea Harrier. | |
| •Guarnição de San Carlos. | • Armas antiaéreas de infantaria. |
Sem dúvida, Woodward e Clapp esperavam algum tipo de reação
argentina. Para o que não estavam preparados, segundo demostraram os
acontecimentos, foi para as furiosas formações de ataques aéreos que
choveram bombas por cima das tropas inimigas durante as cinco horas
seguintes.
Trouxe um primeiro ataque sem consequências ao cargo de dois Daggers
às 10.25, e posteriormente seguiram cinco minutos depois a duas
esquadrilhas de três Dagger cada uma. Com seus canhões e bombas
danificaram severamente a fragata HMS Broadsword e deixaran fora de serviço (com uma bomba sem explodir a bordo) o destróier HMS Antrim, perdendo um avião com um míssil Sea Cat da Plymouth.
Quase simultaneamente cinco A-4B Skyhawk do Grupo 5 de Caça lançaram sobre a Argonaut,
danificando-a gravemente com duas bombas de meia tonelada que não
explodiram. Uma hora mais tarde, dois A-4B se adentraram no estreito,
bombardeando erradamente o casco avariado do navio Río Carcarañá, entretanto que o líder atacava sem sucesso a fragata Ardent.
Ao mesmo tempo quatro A-4C do Grupo 4 de Caça eram interceptados por
uma PAC, que derrubou com seus Sidewinder a dois deles: ambos os pilotos
perderam a vida.
Produziram então uma trégua que terminou abruptamente às 14h40min.
Três Dagger (o quarto avião havia sido derrubado por um Sea Harrier
pouco antes sem que os seus companheiros o notaram) descobriram que a Ardent
que navegava rumo ao norte e a alcançaram com duas bombas, uma das
quais explodiu, destruindo o helicóptero Lynx e o lançador de mísseis
Sea Cat e matando quatro homens.
Cinco minutos depois, outros três Daggers atacaram com fogo de canhão a fragata Brilliant,
deixando alguns feridos e danos menores: por outro lado, pouco depois a
esquadrilha de Daggers foi aniquilada sobre a Grande Malvina pelos Sea
Harriers, embora felizmente os três pilotos puderam ejetar-se.
Finalmente, às 15h10min três A-4Q Skyhawk da 3° Esquadrilha da aviação naval fizeram a sua aparição e descobriram a malsucedida Ardent,
que tentava desesperadamente unir ao grosso dos britânicos. De imediato
a atacaram, alcançando-a com várias bombas de ação retardada Snakeye de
227 kg. A formação argentina foi imediatamente interceptada por um PAC,
que derrubou dois aviões e avariou o terceiro de tal forma que o piloto
ejetou da cabine do avião sobre Puerto Argentino/Port Stanley diante da
impossibilidade de aterrissar.
Sem dúvida o ataque havia firmado a sentença de morte da Ardent:
com 22 mortos e 37 feridos a bordo, os incêndios espalhando
impiedosamente e a água do mar penetrando em grande velocidade na linha
de flutuação, só ficava uma decisão por tomar. A fragata Yarmouth foi colocada junto à Ardent
e procedeu a evacuação dos feridos e ao resto da tripulação. Depois de
arder em chamas durante horas, o navio afundou às duas horas da
madrugada do dia seguinte.
Entretanto, os navios de desembarque dentro da baía de San Carlos seguiram levando unidades de combate à terra. Desembarcam os carros de combate
de The Blues and the Royals e as quatro baterias de canhões de 105 mm
do 29 °Comando e do 4º Regimento. Os sobreviventes da Ardent são
transportados ao transatlântico Canberra. O desembarque foi feito com
êxito. Porém a um preço elevadíssimo.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • 5 aviões IAI Dagger. | • Fragata HMS Ardent afundada. |
| • 6 aviões Skyhawk. | • Fragata HMS Argonaut severamente danificada. |
| • Destróier lança-mísseis HMS Antrim e a fragata HMS Brilliant consideravelmente danificados. | |
| • Fragata HMS Broadsword e HMS Alacrity levemente danificadas. | |
| • 3 aviões Pucará e um helicóptero CH-47 Chinook (em ações paralelas) | • 2 aviones Sea Harrier. |
| Baixas humanas | |
| • Pelo menos 12 pilotos mortos. | • Pelo menos 29 mortos e numerosos feridos. |
Terra, água, ar e fogo
Em terra, o desembarque na Baía de San Carlos proseguia
ininterruptamente. Durante os dias 22 e 23, as tropas inglesas
asseguraram numerosos pontos táticos essenciais e acumularam grandes
quantidades de armas e suprimentos chegados por via marítima. A fragata
HMS Antelope substituiu a Ardent. Numerosos navios logísticos, entre eles o cargueiro MV Atlantic Conveyor
estacionaram no Estreito de San Carlos para descer mais e mais homens e
material. O general Julian Thompson —chefe das forças terrestres
britânicas— estableceu oficialmente o seu quartel general em San Carlos,
de onde já tremula a bandeira Union Jack. Apesar das terríveis
perdas sofridas no dia 21, o desembarque foi um êxito. Nada crê que, com
todas estas medidas, a aviação argentina apareça de novo no Estreito de
San Carlos.
Não obstante, a meio-dia do dia 23 detectaram aviões argentinos ao
sul do estreito. Recebem fogo antiaéreo da Antelope e da Broadsword,
afugentando-os. Porém os britânicos desconhecem que esta pequema
incursão forma parte na realidade de uma dupla formação de 12 Daggers e 6
Skyhawks que não foram detectados e cujo o primeiro escalão faliu. A
aviação argentina voltou.
De pronto, três A-4B Skyhawk reaparecem pelo norte a grande
velocidade e altitude muito baixa. Desta vez, as forças britânicas
reagiram de imediato produzindo uma densa cortina de fogo antiaéreo. O
avião líder é alcançado em seguida, e o seu piloto, o capitão Carballo
desapareceu atrás das montanhas para voltar ao continente. Sem dúvida,
de maneira suicida os dois aparelhos restantes prosseguem ao ataque
enquanto os mísseis e as metralhadoras os envolvem. Se encaram
diretamente até a recém-chegada HMS Antelope. O alferes Hugo Gómez lança
sua bomba Mk.17 de 500 kg que alcança a fragata, sem explodir, e
consegue fugir. O primeiro tenente Luciano Guadagnini lança por sua vez e
é imediatamente alcançado pela asa direita: O avião de Guadagnini se
desintegra contra o míssil da Antelope e um instante depois sua bomba alcança o barco sem explodir.
A Antelope ficou fora de combate. Com duas bombas sem explodir
a bordo e um incêndio controlado, os britânicos decidem evacuar a
fragata, exceto pelo pessoal essencial para desativação de bombas e
controle de danos. Na noite do dia 23 ao dia 24, enquanto o pessoal de
desativação tentava desativar uma das bombas, esta detona e o incêndio
seguinte alcança o paiol de mísseis Sea Cat: a Antelope se vê atingida por uma terrível explosão. Partida em dois, afundará na manhã do dia 24.
Não houve trégua. A aviação argentina golpeia de uma e de outra vez
as forças navais de desembarque, apesar de que os britânicos estejam
esperando e percam cada vez mais e mais aviões. Não obstante, são
alcançados pelos navios de desembarque HMS Sir Galahad e Sir Lancelot. Os ataques do dia 24 fizeram perder três Daggers e um Skyhawk, todos eles abatidos por Sea Harriers sem sofrer nenhuma perda.
O dia 25 de Maio é um feriado nacional argentino. Todo o mundo, em
ambas as partes, sabe que haverá ação e estão em alerta máximo. Em
efeito, desde a primeira hora da manhã começam os ataques argentinos sob
forte pressão aérea e antiaérea inimiga. Às 8h37min, o primeiro Skyhawk
é atingido por um míssil do destróier HMS Coventry, da mesma
classe do malfadado Sheffield. Em torno do meio-dia produziu um outro
ataque sobre as forças de desembarque no Estreito de San Carlos: um
Skyhawk é derrubado por um míssil Rapier disparado em terra e outro cai
nas mãos do Coventry. É a segunda vitória do dia para este moderno
destróier, porém foram justamente os êxitos que os selam seu destino: a
Força Aérea Argentina decide a eliminar a "armadilha 42/22" a qualquer
preço.
Um ataque de quatro Skyhawks cai às 15h20min sobre o destróier Coventry e a fragata Broadsword. A Broadsword é severamente danificada na popa e seu helicóptero Lynx ficou destruído, porém sobrevive. O Coventry,
ao invés, recebe o impacto direto de três bombas que fizeram matar 19
homens. Nenhum avião atacante ficou abatido. O destróier está perdido e
eles evacuaram o navio de imediato. Em meia hora, o navio dá uma pequena
volta e afunda.
O Almirantado britânico fica nervoso. Haviam considerado que o Sheffield
era um erro tático pontual, algo que não se repetira. Agora, já são
quatro os navios de guerra britânicos de primeira linha que apodrecem no
fundo dos mares malvinenses, entretanto outra dezena arcou como pode
com os seus danos. Não era o previsto em absoluto. Decidem acelerar as
operações terrestres. Começa a pairar no ar o desejo de terminar o antes
possível com este "obscuro incidente colonial" que se converteu em uma
guerra de verdade.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • 7 aviões Skyhawk. | • Destróier lança-mísseis HMS Coventry afundado. |
| • 5 aviões Dagger. | • Fragata HMS Antelope afundada. |
| • Navio porta-containers MV Atlantic Conveyor destruído. Dez helicópteros destruídos. | |
| • Fragata HMS Broadsword gravemente danificada. Helicóptero destruído. | |
| • Navios de desembarque Sir Lancelot e Sir Galahad avariados. | |
| Baixas humanas | |
| • Pelo menos 10 pilotos mortos. | • Pelo menos 62 mortos e numerosos feridos. |
Por si algo lhes faltava para convencer. Às 16h30min, uma ou duas fortes explosões sacudem o porta-contêineres MV Atlantic Conveyor ao norte da Ilha Soledad, bem próxima do porta-aviões HMS Hermes.
A explosão produz um incêndio que nada podia controlar. São os Super
Étendards do 2º Esquadrão Aeronaval. Sem ser detectados e a partir de
uma distância de 50 km, foram lançados dois Exocets contra os alvos distantes que apareciam em seus radares. O Atlantic Conveyor
há de ser evacuado e arde como uma tocha com dez helicópteros e
milhares de toneladas de material a bordo, até ficar reduzido a um peixe
calcinado que flutua a duras penas.
Haviam-se perdido dois grandes navios em um só dia, e outros seis
foram danificados. Por outro lado, a aviação argentina perdeu somente
três aviões. Pessoas em todo o mundo olhavam a Argentina com simpatia
pelo seu ímpeto, porém a lástima por sua inevitável derrota começam a
perguntar quem está ganhando verdadeiramente a guerra. No Reino Unido
também, e todas as expectativas se dirigem para Margaret Thatcher. Algo
deve mudar de imediato. A "questão das Malvinas" estava transformando-se
em uma derrota maior para a superpotência e o seu Governo.
Batalha de Goose Green
Entre as poucas pessoas do lado britânico que não estavam atribuladas
para o dever dos acontecimentos se contavam, curiosamente, o
Contra-Almirante Woodward e o General Thompson. Ambos tinham seus
motivos.
Apesar das severas perdas sofridas, Woodward, como bom marinheiro,
conhecia de sobra um princípio básico da guerra naval: sem importar as
coisas espetaculares que seriam os golpes propinados ou recebidos, no
mar ganha quem fica. A Marinha Argentina se desgastava no porto desde o
afundamento do General Belgrano enquanto que a Royal Navy, maltratada ou
não, permanecia no mar. O que fez, uma vez completado o desembarque,
foi retroceder suas posições tanto como pôde sem denegrir o apoio às
unidades presentes em Ilha Soledad. Importantes forças de reserva, como
os milhares de homens a bordo do Queen Elizabeth II, foram à deriva nas
ilhas Geórgia do Sul. Seus suprimentos e reforços, em vez de viajar
diretamente às Malvinas, descreviam um semicírculo que os colocava fora
do alcance da aviação argentina. Sim, a Royal Navy havia sofrido severas
perdas, porém não era a primeira vez que ocorria em sua história nem
seria a última. O fato é que continuava sendo a dona do mar.
O general Thompson, responsável pelas forças terrestres, também tinha
seus próprios motivos para não perder a moral. Em último recurso as
guerras são ganhas quem conquistam a terra e, a partir do seu punto de
vista, o desembarque havia se tornado um êxito total, somente
obscurecido pela destruição dos equipamentos a bordo do Atlantic
Conveyor e do Sir Lancelot. Em geral, todos os seus homens haviam
chegado a terra junto com a maior parte do seu material, estavam bem
estabelecidos e protegidos contra ataques aéreos tanto por seus próprios
sistemas antiaéreos como pelas patrulhas de Harriers e suas linhas
logísticas, embora ameaçadas, seguiam abertas. Frente a isto, 12.000
homens do Exército e da Marinha argentinos. Porém 12.000 homens
essencialmente apostos, exceto pelo par de contêineres que os aviões de
transporte Hércules transportavam a cada noite a partir do continente.
O Brigadeiro Thompson decidiu que era imprescindível fechar a bolsa
que o inimigo fazia o antes possível, confinando-o nos arredores de
Puerto Argentino, agarrando-o entre suas próprias forças e o mar
dominado pela Royal Navy. E ao mesmo tempo, estabelecer rapidamente uma
cabeça de praia desde o interior na costa leste da Ilha Soledad, de tal
modo que sua linha logística não tivera que penetrar nas perigosas águas
do estreito de San Carlos, agora conhecido como "o corredor das
bombas". Dessa forma, os suprimentos e reforços poderiam chegar
diretamente a partir do oceano, o seu oceano.
| Forças argentinas | Forças británicas |
|---|---|
| • 12º Regimento de Infantaria. | • 4 companhias del 2 PARA. |
| • 1 companhia do Regimento de Infantaria 25 (tipo Ranger). | |
| • 1 bateria de artilharia com canhões de 105 mm. | • 3 peças de artilharia do 29 °Comando com quase mil projéteis de calibre 105mm e uma unidade Milan antitanque. |
| • 1 seção do Regimento de Infantaria 8 (3º seção da companhia C). | |
| • defesa antiaérea AAA pesada (Oerlikon de 35 mm e similares). | • 2 unidades Blowpipe. |
| • apoio aéreo limitado pelo mau tempo. | • helicópteros Scout de reconhecimento e apoio aéreo de 3 Harriers ao anoitecer do dia 28. |
| • breve apoio naval da fragata HMS Arrow com 135 projéteis de calibre 114mm. | |
| Total RRHH: | |
| • Mais de 700. | • 600 homens. |
| (Comandante: tenente-coronel Italo Piaggi) | (Comandantes: tenente-coronel Herbert Jones —morto— e o major Chris Keeble) |
O primeiro ponto de ataque ficava, pois, evidente; e já durante as
primeiras inserções o tiveram em conta. O lugar seria Goose Green
(Pradaria do Ganso). Se as forças do Batalhão de Paraquedistas 2 (2
PARA) estacionadas em Darwin logravam tomar esta posição (e de
propósitto, o seu aeródromo), as forças argentinas ficariam rodeadas na
metade norte da Ilha Soledad, ao outro lado das montanhas, e ele teria
acesso a um corredor costeiro até o oceano. A primeira batalha terrestre
da Guerra das Malvinas só podia ocorrer, pois, em Goose Green.
Pouco depois da meia-noite do dia 28 de Maio de 1982, o 2 PARA partiu do lado ocidental do extremo norte do istmo
que divide Ilha Soledad em dois. As companhias B e D penetraram no
istmo, enquanto que a conpanhia A se situou ao leste. A companhia A
iniciaría o ataque desde ali, tomando Burntside House sem achar presença
argentina. Às 03h30min, as companhias B e D se dirigiram à posição de
Boca Hill. De pronto, receberam fortes rajadas de fogo inimigo. A
batalha de Goose Green havia começado.
Entretanto, a companhia A, do major Dair Farrar-Hockley seguiu seu
caminho até o sul para encontrar-se com uma seção do 25o. Regimento de
Infantaria na colina Darwin. Na luta seguinte, os argentinos detiveram o
avanço da companhia A, apesar de sofrerem severas perdas que incluíram o
seu comandante, o tenente Roberto Estévez. O ataque britânico havia
sido detido.
O soldado recruta Sergio Rodríguez do Regimento 25 (tipo Ranger) foi
ferido nesse combate disparando as últimas balas de sua metralhadora
MAG. En uma edição especial do diário Tiempo Argentino (Maio de 1983,
pág. 10) relata assim a morte do tenente Estévez:
" … chegou a minha posição o tenente Estévez ferido com dois tiros no
corpo, na perna direita e no braço, que o teria atravessado. Me
perguntou se estava ferido, que o dele não era nada (…) seguia dando
ordens e fazendo-os manter o combate, entretanto ele com o único braço
se comunicava con o comando, dando toda a informação sobre o inimigo.
Não sei como os ingleses haviam tomado posições tão altas. Estava
falando pelo rádio no meu lado, quando recebi um tiro de raspão na
cabeça que o entrou pelo pulmão direito. O impacto bateu por trás a
Estévez. Eu já não tinha medo de nada. Era como que esperava ter um tiro
a um inglês, e eu o matava, ou ele me mataria. E o tenente sangrando…
houve um momento em que lançaram dois fragmentos de bala na cabeça, e o
tenente Estévez, que agonizava em silêncio, pede-me que ponha o casaco
de um morto. Caíam os filetes de sangue pelo rosto. Quando voltei a
olhá-lo, o tenente Estévez estava morto…"
O tenente-coronel H. Jones, ao comando da operação, não desejava
ver-se envolto em uma batalha estática com forças ligeiramente
inferiores em número, e as suas ordens eram tomar Goose Green com a
maior rapidez possível. Fez ato de presença na companhia A e dirigiu
pessoalmente um grupo contra a colina Darwin. Às 10h30min
aproximadamente, cairia mortalmente ferido no seguinte episódio: em
circunstâncias que o Tenente-Coronel H. Jones e dois de seus homens
tentam tomar por assalto uma trincheira com soldados do RI 12, são
observados desde um "pozo de zorro" pelos AOR (aspirantes a Oficiais de
Reserva - Soldados Recrutas) Guillermo Huircapan e Jorge Ledesma, quem
com fogo de metralhadora e fuzil desbarataram este avanço do Chefe do II
Batalhão de Paraquedistas, caindo este mortalmente ferido.
Isto se depreende das investigações feitas pelos próprios argentinos e
dos testemunhos de seus protagonistas, corroboradas aliás pelo lugar
exato de onde morreu o Tenente-Coronel Jones, na colina de Darwin, aonde
foi construído um monumento em sua memória. A colocação do monumento
não coincide em absoluto com a posição de onde combateu o Subtenente
Gomez Centurión, o que faz cair por terra a versão militar argentina que
afirmava que Jones mata Gómez Centurión logo depois de uma conversa.
Esta versão militar argentina ficou desvirtuada 25 anos depois do
término da Guerra, após as conclusões às quais chegaram os próprios
argentinos através das obras "Partes da Guerra" dos Licenciados Speranza
e Cittadini e "Pradaria do Ganso - Uma Batalha da Guerra das Malvinas"
do investigador-escritor Oscar Teves do qual se conclui que o mais alto
oficial inglês caído na Guerra das Malvinas abatem 2 Soldados Recrutas
no cerro Darwin.
Agora havia dois combates em marcha nas alturas de Darwin: uma ao
redor da baía Darwin, e outra de igual ferocidade em frente a Boca
House, defendida pelo subtenente Guillermo Aliaga ao comando da 3a
Secção de Atiradores do Regimento 8. A defesa é tenaz, apesar do pesado
assalto com morteiros, metralhadoras e projéteis antitanques. Na colina
Darwin, o pelotão do Regimento 12 ao comando do subtenente Ernesto
Peluffo e os AOR do já falecido Tenente Roberto Esteves, defendiam
ferozmente suas trincheras. Se destaca o valor do subtenente Peluffo e
de muitos soldados não profissionais que esgotam sua munição e se
reabastecem várias vezes com a do pessoal morto. Aqui «os defensores
argentinos lutaram encarniçadamente», segundo os autores Max Hastings e
Simon Jenkins.
Com o apoio da unidade Milan antitanque, que destruiu numerosas
posições argentinas, a companhia A do 2 PARA fez finalmente com as
colinas Darwin Boca. Porém, a resistencia é feroz e o plano concebido
originalmente pelo falecido comandante Jones, um fracasso. Por trás de
uma severa reorganização no meio do combate, os paraquedistas britânicos
logram por fim superar as altitudes de Darwin à primeira hora da tarde
do dia 28 e descer até Goose Green. Porém, o combate não pára: enquanto
as companhias C e D estão tomando a base aérea e a escola do povoado,
seguem os tiroteios. Pouco antes do anoitecer — às 5 da tarde, tão
rigoroso está o inverno — e aproveitando um instante de bom tempo para
produzir um ataque aéreo argentino e outro britânico, que apenas possam
causar danos em terra. Sem dúvida um Pucará e um Aeromacchi argentino
caem abatidos.
| Perdas argentinas | Perdas britânicas |
|---|---|
| • Aprox. 50 mortos. | • 15 Paras (+2 outros) mortos . |
| • Aprox. 120 feridos. | • 64 feridos (fuente) |
| • 1.083 prisioneiros. | |
| • Abundante material. | |
| • 3 Pucará. | • 1 Sea Harrier (4 de Maio) 1 Harrier GR.3 (27 de Maio) |
| • 1 Aeromacchi MB.339. | • 1 helicóptero Scout. |
| Resultados estratégicos | |
| • Goose Green capturado pelos britânicos. |
Durante o anoitecer, Keeble oferece a Piaggi que se renda em termos
honoráveis. Ante a extrema violência dos combates e a elevada perda de
vidas, Piaggi cede. Goose Green caiu em mãos britânicas depois de 14
horas de combate. Quando amanheceu jaziam 15 paraquedistas, 1 Engenheiro
Real e 1 piloto britânico mortos, além de 64 feridos. Em torno de 50
argentinos morreram, outras centenas ficaram feridas e mais de mil
argentinos foram feitos prisioneiros. Estes serão repatriados via
Montevidéu. A posição estratégica britânica em Ilha Soledad está
consolidada e seus inimigos expulsos. A partir de agora, é só uma
questão de tempo até que a guarnição argentina nas Malvinas entre em
colapso.
Em San Carlos, o general Thompson estava contente. Porém, tinha outro
problema: os helicópteros com que contava para uma rápida ação
aeroterrestre contra Puerto Argentino não eram mais do que ferragens a
bordo do calcinado Atlantic Conveyor. As tropas britânicas terão que
avançar a pé, através das montanhas geladas. Será um longo caminho.
Golpes entre os gelos
No dia 30 realizou a operação mais importante da Força Aérea
Argentina cujo saldo, apesar dos êxitos dos dias precedentes, é confuso.
Sabiam que o almirante Woodward havia retirado seus navios como fazia
no leste como o foi possível, sem deixar desprotegidas às suas forças
nas Malvinas, e também sabiam que com 3.800 britânicos já desembarcados e
suas forças embolsadas, somente uma série de golpes devastadores podiam
evitar a derrota. Em particular, era de essencial importância deter as
patrulhas de Harriers, que vinham demostrando ser abertamente superiores
em combate aéreo a qualquer coisa que a força aérea e aeronaval
argentina pudera opor-lhes. Por mais arriscado que fora, tinha que
atacar os porta-aviões, com o mesmo coração da frota britânica. Durante
os dias anteriores se havia estabelecido firmemente a posição do HMS
Invincible em 51°38'S 53°38'W. Seria, pois, o Invincible.
Na manhã do dia 30 decolaram de Río Grande quatro Skyhawks com bombas
de 250 kg retardadas por paraquedas — para evitar as falhas de
detonação que impediram a destruição de grandes alvos nos dias
anteriores — e dois Super Étendards, um dos quais transportava o último
Exocet AM.39 ar-terra da Argentina.
Após reabastecer-se em voo, atacaram a partir do sul. O primeiro a
disparar foi um Super Étendard, lançando seu Exocet contra um alvo de
grande tamanho nitidamente detectado em seu radar. Cumprida sua missão,
os Super Étendards deram a volta para retornar à base. Sem mais Exocets
disponíveis, seu papel na guerra havia se encerrado.
Os Skyhawks, ao contrário, utilizaram o rastro do Exocet para
guiar-se até o alvo. De pronto, observaram "uma grande coluna de fumaça
preta no horizonte". O Exocet, uma vez mais, havia alcançado algo.
Porém, ao mesmo tempo havia posto em alerta os porta-aviões e sua
escolta, a fragata HMS Avenger. Quando os pilotos argentinos chegaram,
se encontraram com densas camadas de fumaça preta e de névoa branca
geradas pelos dois navios para ocultar-se, pelo que não puderam avaliar
que tipo de danos havia ocasionado pelo Exocet (segundo a versão
britânica, foi detectado aproximando-se e destruído com um disparo DP de
114 mm, porém parece bastante improvável que um disparo de 114 mm
intercepte um ágil míssil antinavio). Também se encontraram com algo
mais: uma densa barreira de fogo antiaéreo. Quando já tinham claramente o
HMS Invincible em suas miras, um míssil Sea Dart derrubou o avião
líder, e o fogo antiaéreo do 1o. tenente Omar J. Castillo, tão próximo
que um de seus motores caiu sobre o elevador de aeronaves do
porta-aviões, produzindo um pequeno incêndio. Ambos os pilotos morreram.
Porém, os outros dois lograram lançar suas bombas e escapar da área a
grande velocidade, perseguidos por mísseis e balas. Acharam a última
vista de seu alvo de longe, e asseguram tê-lo visto envolto em "uma
fumaça densa e preta". Sem dúvida, a versão britânica da história
tampouco está de acordo. Assegura que os pilotos argentinos, entre
tantas névoas, confundiram al Invincible com o Avenger e suas bombas
foram parar no mar.
Nesse mesmo dia, ocurreu um incidente em terra que demostrou a
coragem do pessoal de quadros do Exército Argentino. Durante as
operações preliminares de reconhecimento para o avanço até Puerto
Argentino/Port Stanley, 19 homens da Brigada de Comandos 3 ao comando do
capitão Rod Boswell, apoiado por um helicóptero Sea King entraram em
contato com a 1a. Secão de Assalto a cargo do capitão José Vercesi, da
Companhia de Comandos 602 estabelecida no chamado Casarão de Top Malo.
Durante o combate, morreram o tenente Ernesto Espinoza e o
primeiro-sargento Mateo Sbert.
O primeiro soldado britânico ferido em combate foi um que destruiu a
bazuca do tenente Espinoza (que era um atirador especial), com um fuzil
Magnum 300 com mira telescópica noturna. Porém depois o tenente recebeu
um impacto de lança-foguete descartável e detonou, junto com os
explosivos e as granadas que a sua equipe levava. A casa se incendou, e
os comandos argentinos saíram combatendo. O primeiro-tenente Horacio Losito
saiu ferido da casa, tinha cravado um fragmento na cabeça e buscou
acobertar-se, porém antes recebeu outro disparo na coxa. Os comandos
argentinos estavam equipados com munição perfurante e letal. Losito
tomou cobertura em uma sala, de onde pela perda de sangue começou a
sentir que suas forças estavam acabando. Viu como dois soldados
britânicos aproximaram-se, disparando suas pistolas-metralhadoras.
Apontou a um deles e deu os tiros. Quando foi apontar ao outro, ficou
sem forças, a vista dele escureceu e não pôde disparar o seu fuzil FAL.
Tudo isso sucedeu em quarenta minutos. Em seguida, foi tomado
prisioneiro e atendido de suas feridas pelos soldados britânicos. Dois
argentinos foram mortos, seis feridos e os últimos cinco caíram
prisioneiros. Os britânicos sofreram quatro baixas.
Entre os dias 29 e 31 de maio de 1982, aconteceram violentos combates
sobre as encostas do monte Kent. Os chefes das Companhias de Comandos
601 e 602 planejavam uma operação para ocupar as colinas mais ou menos
sobre a linha do monte Kent. Os majores Mario Castagneto e Aldo Rico
iam levar duas companhias de comandos a "enterrá-las" para depois tomar
os helicópteros britânicos de surpresa. Mandaram cinco patrulhas em 29
de maio, e no outro dia ia juntar-se ao Esquadrão de Forças Especiais
601 da Guarda Nacional sob as ordens do major José Spadaro. Porém, no
dia seguinte, os helicópteros já não podiam sair por causa dos alertas
aéreos. Somente fez decolar um Puma, com 17 comandos, sob as ordens do
capitão Jorge San Emeterio da Guarda Nacional, porém foi alcançado pelo
fogo terrestre (possivelmente próprio) e morreram 6 soldados.
O capitão Tomas Fernández enviou um grupo para explorar o caminho até
o cume do monte Bluff Cove Peak, porém, na primeira encosta, ao subir a
ladeira íngreme, caíram numa emboscada. Ali caíram imediatamente os
boinas verdes Ruben Eduardo Márquez e Oscar Humberto Blas. O golpe
devastador era obra dos comandos britânicos (SAS) do major Cedric
Delves.
Como simples mostra do vivido nos combates com as patrulhas do Esquadrão D do Special Air Service (SAS) reproduz um fragmento do Informativo Oficial do Exército Argentino
referido "Cruz do Heróico Valor em Combate" outorgada ao
primeiro-tenente Rubén Márquez, que se põe à frente da 2a. Secão,
seguido a curta distância pelo primeiro-sargento Oscar Blas.
"Opor-se a uma facção inimiga superior em número em ocasião que
integrava uma patrulha de exploração que operava em uma zona ocupada
pelo inimigo. Alertar com sua ação a seus camaradas e combater até
lograr que estes se enfrentaram, oferecendo sua vida nesta ação."
Ambos os soldados são abatidos pelo fogo automático do inimigo, porém
permitem ao resto da patrulha da 602 enfrentar-se. Por sua conducta,
ambos receberam a mais alta condecoração argentina - a "Cruz ao Heróico
Valor em Combate".
A 3a Seção de Assalto, sob às ordens do capitão Andrés Ferrero foram
deixados por um helicóptero Bell UH-1H a 500 metros do monte Kent. Os
soldados da 602 iam separados por 50 metros, portando duas
metralhadoras, mísseis Blowpipe e granadas de fuzil. O primeiro-tenente
Francisco Maqueda ia adiante, para que sua experiência de montanhista
servira à patrulha. Em determinado momento, o capitão Ferrero, junto com
o sargento Arturo Oviedo, se adiantou para comunicar algo ao
primeiro-tenente Maqueda: nesse preciso instante uma chuva de fogo
cruzado se abateu sobre os soldados que caminhavam atrás. O capitão
Ferrero com Maqueda e Oviedo caíram e os deram como mortos. Sem dúvida,
uma troca de tiros de munição traçante nas encostas do monte os fêz
saber que nem todos os seus homens haviam sucumbido.
Depois da emboscada no monte Kent, os capitães Fernández e Ferrero e
os sobrevivientes das patrulhas da 602 trocaram tiros com o inimigo
apostado nas alturas e responderam até o fundo do vale e encontraram
covas de onde puderam esconder-se. Permaneceram ali isolados durante
três dias, observando os helicópteros britânicos que se decolavam de San
Carlos até o monte Kent.
As patrulhas do SAS tiveram quatro feridos graves nas partes altas do
monte Kent e Bluff Cove Peak, entretanto o que aconteceram aos soldados
argentinos da 602 e da Guarda Nacional foram oitoo mortos e nove
feridos (a maioria soldados de patrulha do capitão San Emeterio).
No dia 1° de junho de 1982, 5.000 homens da Brigada de Infantaria 5º, dos Gurkhas e da Guarda Galesa e Escocesa
desembarcam em San Carlos, de onde se suspeita que já opera uma pista
para os Harriers. Agora as forças terrestres estão quase igualadas em
número. Um míssil Roland de fabricação francesa abate de Puerto Argentino/Port Stanley um Sea Harrier FRS.1.
Agora os avanços britânicos a 20 km de Puerto Argentino/Port Stanley e
o Batalhão 42 de Comandos tomaram os montes Kent e Challenger, donde se
concentram a acumular suas forças em meio a um tempo espantoso. Agora,
os navios, a artilharia e os aviões britânicos bombardeiam quase
constantemente a linha argentina estendida sobre os morros Longdon-Dos
Hermanas-Harriet. Nestas circunstâncias deve destacar-se a valorosa
atitude do capitão Carlos López Patterson, quem, sob o fogo inimigo,
recorre às posicões no morro Dos Hermanas dando apoio moral ao pessoal
da Companhia C do Regimento 4.
Nessas recorridas, uma coisa que sempre me emocionava era que,
enquanto saudava ao subtenente Llambias Pravaz, os soldados dessa seção
aplaudiam e comemoraram vitórias. Deve ser porque notavam que lhes
reconhecia o valor que estavam adquirindo nesse lugar. Porque estavam
muito sós, esperando o inimigo, só eles e suas almas. Ou talvez, porque
ao ver o chefe que vá dizer-lhes duas palavras - gesto fraternal de uma
pessoa jovem a outras pessoas jovens - sentiam reviver suas vitórias. Um
dia, me aproximei de um rapaz e me disse "Já que nos dançamos nesta,
vamos fazê-lo bem. Vamos apoiar o subtenente que está enfermo e segue
igual com a gente. Temos que ajudar antes que congelem os pés, ou ao que
se assuste. Porque daqui saímos todo mundo ou não sai ninguém." O que
podia contestar?
Como chefe da Companhia B do Regimento de Infantaria 6 "General
Viamonte", o major Oscar Ramón Jaimet fala de seus subordinados desde
então.
Aliás, todo o mundo compartilhou os mesmos riscos, as mesmas
privações e as mesmas atividades, apesar do mesmo frio e dos mesmos
poços que encheram de água. Havia uma tendência de criar diferenças - ou
fazer crê-las - entre a vida que dessenvolvia o oficial, o suboficial e
o soldado. Meus chefes de seção [os subtenentes Aldo Franco, Augusto La
Madrid, Guillermo Robredo e Guillermo Corbella] dormiam junto com os
soldados. Eu dormia com os soldados na posição. (Malvinas:
Contrahistoria, página 84)
Numerosos soldados recrutas resgatam e valorizam com objetividade a
tarefa dos quadros nas Malvinas. Rubén Gaetán integrou a Companhia de
Engenharia de Combate 601 durante a contenda.
Meu chefe imediato era o cabo Domingo Villarreal que nos dirigia com
eficiência e camaradagem. Porém, minha melhor recordação que tenho é o
primeiro-cabo Miguel Galarza, um soldado profissional, e acima de tudo
um exemplo de homem. Nos cuidava como um pai. Siga este exemplo. Nos
primeiros dias de Junho, durante uma madrugada em que nós aguentamos um
intenso canhoneio naval e ataque de artilharia inimiga, e como os
projéteis caíam diretamente sobre nossas posições, Galarza nos fez
retirar a sítios mais seguros. Villarreal e o teniente Horacio Blanco
ficaram de onde nós estávamos. Recordo que me pediu a minha FAP e me
entregou sua FAL. Naquele canhoneio foi a salvá-los, e Galarza e seus
companheiros terminaram retirando-se também e chegaram até nós. Menos
mal que foi assim. Quando o perguntei por minha arma, me disse que a
havia perdido ao regressar. Um projétil havia acertado de cheio de onde
eles estavam como um rato antes. Ele e os que ficaram a seu lado sentia a
proteção do soldado profissional até nós, humildes recrutas e desde
logo, o imenso valor que tais oficiais e suboficiais demostraram. (Así
peleamos, página 154)
Sobre o aprovisionamiento daqueles dias, Julio Lago (soldado de campo
do Regimento 7 "Coronel Conde") mostra sua particular visão.
De entrada fazíamos três refeições por dia, depois duas e ao final,
uma. Levantavas-te às quatro da manhã e preparavas um mate cozido;
depois já entravas com a comida que se repartia ao meio-dia, outra mais
que era repartida às quatro, cinco da tarde, e a preparar tudo para o
outro dia. E assim era continuamente. O problema era que amanhecia às
dez da manhã ou às nove, e escurecia às três e meia. Com o toque de
recolher não podia circular de noite, ou seja, não havia tempo para
andar repartindo a comida.
Continuando com esta linha de pensamento o soldado recruta classe 63
Francisco Montenegro, do Regimento de Infantaria 1 "Patricios" explica
seu modo de analisar a realidade.
Por suposto que o aprovisionamiento era deficiente, por uma razão
muito sensível, era o aprovisionamiento em condições de guerra, o
terreno não permitia o deslocamento de um jeep rebocando uma cozinha de
campanha, sem falar da contínua observação do inimigo. Não há guerra em
que o soldado não tenha passado fome e frio, isso é parte do negócio.
(Así Peleamos, página 216).
Em 3 de Junho, um ataque dos Black Buck destrói um radar de controle
de fogo Skyguard. Nessa noite, uma nova missão de exploração a cargo de
uma patrulha ao mando do primeiro-tenente Jorge Vizoso Posse da 602
detecta escassa presença inimiga no monte Challenger, o qual oferece um
flanco favorável para atacar a artilharia inimiga, embora a ocasião é
perdida pelos responsáveis da defesa. Durante a noite de 4/5 de Junio, o
radar Rasit do Regimento 7 no monte Longdon detecta o movimento de três
atiradores especiais do 3 PARA, abrindo fogo no pessoal com morteiros e
artilharia. Os paraquedistas se protegem como consequência do fogo
recebido.
Em 5 de Junho a 3a Seção da 602 a cargo do capitão Andrés Ferrero ao
qual acompanha o major Aldo Rico logra desalojar do monte Wall ao
pelotão a cargo do tenente Tony Hornby, do Batalhão de Comandos 42, com o
apoio coordenado de fogo do Grupo de Artilharia 3 embora devem
abandonar a posição algumas horas mais tarde para não ser pego pelo
dispositivo inimigo. Em 6 de Junho, a 2a Seção da 601 liderada pelo
capitão Rubén Figueroa se propõe a abrir uma emboscada na ponte sobre o
Rio Murell com elementos avançados do 3 PARA, surpreendidos a partir de
uma elevação rochosa por duas patrulhas ao mando dos cabos Paul Haddon e
Peter Brown, e logo depois de uma eficaz troca de tiros, teve um
soldado ferido porém logram pôr em fuga 30 paraquedistas britânicos
capturando equipamentos de comunicações, códigos e material. Entretanto o
Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução 505, que
designa como mediador a Pérez de Cuéllar. No dia 5, Estados Unidos e o
Reino Unido vetam um novo projeto de cessar-fogo.
Para o general Moore, agora comandante das forças terrestres
britânicas, a "crise das Malvinas" está praticamente resolvida. O cerco
sobre Puerto Argentino/Port Stanley já estava quase fechado. Tão somente
devem desembarcar algumas unidades das Guardas Galesa e Escocesa em
Fitzroy e Bahía Agradable, diretamente ao sul da capital malvinense.
Junto com eles chegam numerosas peças de morteiro e mísseis antiaéreos
Rapier.
A Brigada 5 britânica havia recebido a missão de abrir uma nova
frente ao sudoeste de Puerto Argentino/Port Stanley, e no dia 2 de
junho, o único helicóptero Chinook que havia sobrevivido ao afundamento
do Atlantic Conveyor deixou em dois voos 156 soldados do Batalhão
2 de Paraquedistas em Fitzroy. Este contingente foi reforçado na noite
de 5 de Junho por Guardas Escoceses transportados pelos quatro LCU do Intrepid: a travessia não careceu de imprevistos, e somente no último momento se evitou que o destróier HMS Cardiff atacara por engano o pequeno comboio (o ansioso capitão do Cardiff
havia derrubado uma hora antes com um Sea Dart um helicóptero
desconhecido, que finalmente foi o próprio Gazelle: os quatro
tripulantes morreram). Na noite seguinte, o procedimento foi repetido
pelo Fearless com os Guardas Galeses a bordo, porém, a
imposibilidade de desembarcá-los a todos motivou o regresso do navio a
San Carlos para evitar ser surpreendido pela luz do dia fora do cais: a
fim de não voltar a arriscar os preciosos navios de desembarque e
decidiu então que o Sir Galahad transportaria os trezentos soldados restantes a Fitzroy, acompanhado pelo Sir Tristram, carregado de munição e suprimentos.
A atividade da aviação argentina durante as duas semanas anteriores
havia sido relativamente fraca e, quando às sete da manhã do dia 8 de
Junho, o Sir Galahad ancorou em Fitzroy, nada previu que a
tragédia prontamente se desencadearia. Os Guardas Galeses, que deviam
concentrar com as duas companhias restantes em Bahía Agradable, se
negaram a realizar a marcha a pé e insistiram em permanecer no navio,
até que este os levara em seu destino final: com esta decisão selaram a
sua sorte.
Sucedeu, então, o inevitável. Às 13h50min, cinco A-4B Skyhawk se avançaram sobre os navios britânicos, alcançando o Sir Galahad com três bombas e o Sir Tristram
com duas: 51 homens morreram e em torno de 150 ficaram feridos, muitos
deles com graves queimaduras. Este ataque coincidiu com o de cinco
Dagger contra a fragata HMS Plymouth no lado norte do estreito de
San Carlos: se bem que o objetivo da formação era Fitzroy, em uma
decisão compreensível, porém questionável; os pilotos atacaram o navio
de guerra, alcançando-o com quatro bombas que não explodiram e
provocando um grave incêndio. Um segundo ataque de Skyhawks perdeu três
aviões ao ser interceptado por uma patrulha de Sea Harriers, embora pôde
afundar antes a lancha de desembarque Foxtrot 4 (os seis tripulantes morreram), quando esta tentava alcançar San Carlos.
Dois dias mais tarde, a 602, reagrupando todos os seus efetivos
disponíveis a mando do major Rico, se mobiliza por terra até às
proximidades do Río Murrell, colocando-se a 700 m del morro Dos Hermanas
junto ao Esquadrão de Forças Especiais 601 da Guarda Nacional,
utilizando novamente o apoio de fogo, coordenado pelo Grupo de
Artilharia 3 a partir de Puerto Argentino/Port Stanley. A ação resulta
em um duro combate, com 50 homens a cargo do tenente David Stewart, do
Batalhão de Comandos 45, cujo balanço resulta em dois mortos destes
últimos, confirmadas, nas mãos do primeiro-tenente Vizoso Posse, apesar
de encontrar seriamente ferido e a morte do sargento Mario Cisneros.
(Veja a versão britânica BRUCE QUARRIE, The Worlds Elite Forces, páginas 53-54, Octopus Books Limited, 1985)
Em 11 de junho de 1982, o Papa João Paulo II
chegou a Buenos Aires para «orar pela paz». É recebido com
manifestações populares fervorosas. Paralelamente, a diplomacia vaticana
está também tentando chegar a um cessar-fogo negociado. A aliança
ocidental está ficando demasiadamente danificada pelo conflito.
O colapso
No dia 11 de junho de 1982, ao anoitecer, as forças britânicas iniciam o assalto final sobre Puerto Argentino e de seus arredores. A Armada dos defensores permanece ancorada no porto, e sua aviação apenas dá o mais de si: foram perdidos dezenas de aviões e pilotos, o material está muito deteriorado pelas constantes operações e alcances, não tinham mais Exocets; apenas algum avião de transporte consegue lançar um ou dois containers protegido pela noite. O bombardeio de suas posições a partir do mar, do ar e da terra é contínuo. Circulam rumores sobre a eficácia e letalidade das tropas britânicas. Os soldados recrutas que ainda defendem as Malvinas começam a perder o moral.
O comando britânico considera que um ataque diurno é demasiadamente
perigoso, e decidem proceder através dos montes que rodeiam a Puerto
Argentino pela noite para não incorrer na mesma falha ocorrida em Goose
Green. Durante a noite do dia 11 ao dia 12, os Royal Marines
britânicos tomam o monte Harriet através de um campo minado e sob
intenso fogo de artilharia pesada. O capitão Tomas Fox, por sua parte,
relatou:
Começou a ficar insustentável a posição e o chefe do Regimento
decidiu ir pessoalmente até a Companhia B para organizar um
contra-ataque ali à frente. Ele o havia mandado a pedir uma seção,
porque a questão é que o pedido não chegou ou demorou. Ante a previsão
de que o posto de comando caísse, ordenou que nós queimássemos os
códigos; estava ali um suboficial radio-operador e eu, que havia estado
colaborando com a direção do fogo. Uma vez que o chefe do Regimento se
foi, o general Jofre quis lhe falar e pediu ao suboficial que comunicara
con ele; eu lhe disse que havia constituído o posto de comando na
companhia B. Então, o general disse ao suboficial: "E você, o que faz
aí? Vá com seu chefe que eu quero falar com ele!" O suboficial
respondeu: "Sim, meu general", e saiu com o rádio. E fiquei somente eu
dentro do buraco colocando fogo nos documentos.
Entretanto, o tiroteio prosseguia: "Era um fogo totalmente disperso, a
intensidade do combate havia diminuído exceto pela frente, de onde
estava o primeiro-tenente Carlos Alberto Arroyo com sua companhia",
relembrou o primeiro-teniente Jorge Alejandro Echeverría," e se vê que
puderam mudar de posição, porque estavam combatendo muito forte". (Así
Lucharon, página 152)
Sobrepassado pela Companhia L do Batalhão de Comandos 42, durante
toda essa noite, um soldado recruta da Companhia B do Regimiento 4, o
fustigou e perturbou como atirador noturno, até ser mortalmente ferido.
Os soldados do Regimento 4, no monte Harriet receberam 1.000 disparos de
artilharia procedentes de 6 peças de artilharia situados no monte
Challenger. O monte Harriet foi capturado às custas de 2 vidas dos
fuzileiros navais britânicos e 24 feridos. O monte Longdon e Dos
Hermanas caem também nas mãos do 3 PARA e do Batalhão de Comandos 45,
porém não sem um feroz combate.
No morro Dos Hermanas, os soldados britânicos voltaram a encontrar
outra companhia do Regimento 4 que lhes demandou supera um esforço
sério. A batalha durou mais de 6 horas. Os fuzileiros navais do Batalhão
de Comandos 45, sob as ordens do tenente-coronel Andrew Whitehead
perderam 4 homens e tiveram 11 feridos. Entre os feridos argentinos da
Companhia C contaram os subtenentes Jorge Pérez Grandi, Juan Nazer e
Julio Mosquera. Entre os dez mortos da companhia estava o tenente Luis
Carlos Martella.
Foi no morro Dos Hermanas de onde o tenente Luis Martella,
de Regimento 4 faleceu ao cobrir a entrada de seus soldados recrutas.
Em um momento determinado do ataque, a Companhia Z do Batalhão de
Comandos 45 foi detida em seu avanço durante horas, primordialmente pelo
soldado Oscar Poltronieri, sob as ordens do subtenente Aldo Franco, da Companhia B do Regimento 6. Relata Poltronieri:
- Eu estava no monte Dos Hermanas. Adiante nós estavamos no Regimento 4 de Corrientes. Ao costado, tinhamos o Regimiento de Infantería 7 de La Plata. Passávamos todo o dia na trincheira. Às vezes descíamos o morro para matar um par de ovelhas, prepalá-las assim mesmo e comê-las. Quando vinha um companheiro de curso do tenente que me mandava, que se chamava Llambías Pravaz, eo lhe pedia os binóculos e ele me emprestava. Assim vi como desembarcaram os ingleses. Passaram uns dias desde o desembarque, até que chegaram de onde nós estávamos. Tomaram todas as corridas. Os gurkhas mataram um monte de gente do Regimento 4 de Corrientes. E a nós assim nos rodearam, em forma de meia-lua. Eu estava em cima, no monte, quando os viu, seriam as cinco ou as seis da manhã, no meio da neblina. Ali matam três ou quatro dos nossos soldados, todos próximos de mim: um que deu um tiro de morteiro que cai próximo de mim e um fragmento voa a tampa da roda, limpa, e sangra; quando chega ao hospital de Puerto Argentino chega sangrando. no outro um fragmento entrou nas costas. E a outro que sobe o monte um pouco para montar a metralhadora, também o mataram com uma rajada de metralhadora. Esse era Ramón, meu amigo…
Como simples mostra do vivido na noite, se reproduz um fragmento do relato do capitão Ian Gardiner, do Batalhão de Comandos 45 no livro Above All Courage
(‘Mais além da coragem’, Pen & Sword Books, 2002) referido às
capacidades e o espírito de luta da 3a Seção de Atiradores do subtenente Marcelo Llambías Pravaz nas encostas do morro Dos Hermanas nas cercanias do rio Murrell:
- Um quadro duro de uns vinte homens [argentinos] havia permanecido por trás e havia lutado, e eram homens valientes. Os que ficaram e lutaram tinham algo. Eu, por minha parte não desejaria fazer frente aos meus fuzileiros em batalha.
Em duas ocasiões, repeliu-os pelo fogo argentino, porém, uma terceira
tentativa do capitão Gardiner teve êxito. Ao todo, os soldados e
quadros do pelotão do subtenente Llambias Pravaz tiveram 5 mortos e 16
feridos.
A batalha do monte Longdon começou quando o cabo britânico Brian
Milne pisou uma mina antipessoal que arrancou uma perna. A explosão da
mesma, e o alarido posterior, puseram de sobreaviso o chefe da Companhia
B do Regimento 7, lotado no monte Longdon, major Carlos Carrizo
Salvadores e foi falar com o subtenente Juan Domingo Baldini na ladeira
oeste. A batalha pelas posições do subtenente Baldini nas proximidades
do rio Murrell rugiu constante. A 1a. Seção de Atiradores, do subtenente
Baldini combatiam de diferentes posições, dificultando ao major
veterano Mike Argue - ex SAS -, chefe da Companhia B que atacava o monte
Longdon. ãs 02h teve que empregar a 1a. Seção do subtenente Raul
Castañeda da Companhia C do Regimento 7 a ordens do capitão Hugo García
para reforçar e contra-atacar no monte Longdon.
Estes soldados recrutas lutaram como leões. Dessa seção era o soldado
Leonardo Rondi, que armado com seu fuzil FAL chegou à luta corpo a
corpo como estafeta a pé até que esgotaram as munições do pelotão e
voltou com um troféu de valor singular: uma boina colorida com
distintivos do 3o. PARA. Somente 21 argentinos dos 46 que haviam
participado no contra-ataque alcançam suas posições em Wireless Ridge. O
resto ficou morto, ferido ou feito prisioneiro. O brigadeiro Julián
Thompson disse acerca do contra-ataque no monte Longdon:
- Em um determinado momento estive a ponto de retirar meus paraquedistas do monte Longdon. Não podíamos crer que estes adolescentes disfarçados de soldados estiveram causando tantas baixas. (Veja Jon Cooksey, 3 PARA Mount Longdon: The Bloodiest Battle, página 98, Pen & Sword Books Ltd)
No dia 12 de Junho de 1982, entre as 4h e 4h30min, os soldados
britânicos controlavam a maior parte do monte Longdon. Porém tiveram 13
mortos e 27 feridos na Companhia B do Batalhão 3 de Paraquedistas, e a
resistência continuava próximo ao posto de comando do segundo chefe do
Regimento 7.
Aproximadamente às 5h, o soldado recruta Horacio Cañeque viu como
alguns paraquedistas (os remanescentes dos pelotões 4 e 5 da Companhia B
do 3 PARA), avançavam no posto de comando no monte Longdon (nas
proximidades de Wireless Ridge), do major Carlos Carrizo sobre seu
flanco direito. Cañeque disparava sua FAL com dois projéteis comuns e um
traçante para precisão da pontaria, entretanto estouravam bengalas e
explosivos por todas as partes.
Ante os autores de Así peleamos: Malvinas (testimonios de veteranos del ejército), (Biblioteca Soldados, 1999), Cañeque recorda:
- Escutamse gritos e ordens em inglês. Começo a insultá-los em seu idioma. Os insultos são os primeiros que se aprende e eu tinha uma pronúncia americana bastante boa. Insulto aos gritos, vociferando, durante uma perseguição. Talvez por ações como esta, os ingleses logo diriam que nas Malvinas teve osAmerican Special Forces ou American Snipers.
Os argentinos sobreviventes das 1ª, 2ª e 3ª seções avançadas pugnavam
por seguir combatendo até esgotar a munição perto do posto de comando
do major Carrizo Salvadores. Assim o relata o aludido Cañeque, quem
havia guiado a tenente Castañeda e seu pelotão até os paraquedistas
britânicos:
- Alejandro Rosas e o cabo Oscar Mussi se penduraram a um pico rochoso e disparavam, com grande risco, desenfreadamente, contra uma das MAG que nos fustigavam (teria sido o cabo Vincent Bramley). Pouco depois, o lugar se converte em um inferno de balas. Não podem manter a posição. Por sorte, logram juntar-se.
Frente a essa situação crítica, aproximadamente às 06h30min, o major
Carrizo ordenou juntar-se aos 78 homens da Companhia B qu ficavam no
monte Longdon até Wireless Ridge. Para isto, o soldado recruta Jorge
Colombo fez disparar sua metralhadora Browning 12.7 a fim de defender a
retaguarda dos que se retiraram do monte Longdon.
Segundo Julia Solana Pacheco, autora do livro Malvinas: ¿y ahora qué?,
seis soldados argentinos do Regimento 7 (os recrutas Ramón Quintana,
Donato Gramisci, Aldo Ferreyra, Enrique Mosconi, Alberto Petrucelli e
Julio Maidana), feridos e feitos prisioneiros, foram fuzilados ou
baionetados pelos paraquedistas britânicos no monte Longdon, diante dos
olhos do soldado recruta Néstor Flores e do cabo Gustavo Pedemonte do
pelotão do subtenente Juan Baldini.
Entre os feridos, estava o cabo José Carrizo. Quando foi em 1993, conheceu o livro Viagem ao inferno
do ex-paraquedista britânico Vincent Bramley, que denunciou o
fuzilamento de argentinos no monte Longdon, Carrizo contou sua história.
Relatou que naquela madrugada no monte Longdon, sentiu que lhe puseram a
boca de um fuzil nas costas. Levantou os braços em sinal de rendição e
um inglês "com olhos de chinês" fez um gesto com a mão como de que iam
cortar o pescoço. Logo uma curta rajada de metralhadora arrancou parte
da massa encefálica e um olho. Deram-no por morto e o abandonaram ali.
Mais tarde, um médico britânico o salvou.
Durante esta noite morreriam os três únicos civis caídos no conflito,
três mulheres malvinenses de Puerto Argentino, cuja casa foi alcançada
por um obus britânico. Ao amanhecer do dia 12, a capital malvinense está
à vista. Na manhã cedo do dia 12 de Junho de 1982, foram destacados
para as ladeiras do morro Tumbledown — ao lado de Moody Brook — o major
Guillermo Berazay e a Companhia A do Regimento 3, a fim de fazer forte
aí para logo tomar as posições perdidas no monte Longdon. Essa
oportunidade jamais se daria.
A carência de munição e meios ofensivos adequados era crítica, e a
improvisação deveu suprir sua falta: no mais absoluto segredo, os
argentinos montaram um míssil Exocet sobre uma precária construção
terrestre e desenvolveram durante semanas a engenharia reversa
necessária para fazê-lo operacional. O sistema foi chamado
humoristicamente "ITB", sigla de "Instalação de Tiro Berreta" (berreta significa "de má qualidade"). Às 3h do dia 12 de Junho,
um reduzido grupo, liderado pelo então capitão de fragata Julio M.
Pérez logrou dispará-lo com resultado eficaz. A bordo do destróier
lança-mísseis classe County HMS Glamorgan, o oficial de navegação Ian
Inskip detecta o míssil em trajetória e ordena lançar contramedidas e
virar o navio tentando virar para popa. O míssil alcança o navio pelo
lado de trás no hangar de helicópteros, destruindo o helicóptero Wessex,
matando treze homens e provocando um forte incêndio. Rancoroso e
levantando fumaça, o destróier se estropia. Sobreviverá, porém a guerra
acabou para ele.
Um sentimento muito parecido com a histeria surge no almirantado
inglês. Se a aviação argentina conseguiu mais mísseis Exocet, então, a
situação atual de toda a frota é muito perigosa e o que já parece uma
iminente vitória pode tornar-se em um novo desastre. Londres move todos
os fios possíveis para saber de onde saiu esse míssil, porém, nada sabe.
Na realidade, a aviação argentina não havia conseguido nenhum novo
míssil. Tampouco é o primeiro Exocet que dispara contra um navio
britânico desde a Isla Soledad (o primeiro falhou sem ser detectado).
Resulta que embora a frota argentina esteja ancorada no porto, seus
preciosos lança-mísseis superficie-superficie não têm o por quê de ficar
ali. Modificar um Exocet MM38 superficie-superficie para convertê-lo em
um AM39 ar-superficie estava além do alcance dos engenheiros
argentinos, porém não é assim desmontar um conjunto de lançadores do
destróier ARA (D-25) "Seguí" junto com seu sistema de guia,
aerotransportá-lo sobre reboques às Malvinas, pô-lo em funcionamento e
acioná-lo até o alvo, tudo com uma pequena margem de erro. Se trata de
uma aplicação improvisada desta arma letal; sem dúvida, ao segundo
disparo efetivo (no total de 3 tentativas, um dos quais não obteve
lançamento e o outro se perdeu sem acertar alvo) fizeram inutilizar o HMS Glamorgan
em uma ação inédita e histórica. Depois da guerra, o Reino Unido, tendo
capturado e estudado o engenhoso dispositivo, retomaria a ideia para
comercializá-lo como «sistema de defensa costeira Excalibur».
No momento, a ação contra o Glamorgan detém o ataque terrestre
britânico durante todo o dia 12, pois o apoio desde o mar ficou
impedido. Não será até a noite do dia 13 que o 2 PARA e o Segundo
Batalhão da Guarda Escocesa tomem Wireless Ridge e o monte Tumbledown
sob intensos combates contra o Batallhão de Fuzileiros Navais 5 e o
Regimiento 7 de Infantaria e a Companhia A do Regimento 3, que a
apoiava. O assalto britânico demorava ante a desesperada e enérgica
resistência. As três companhias do Batalhão de Fuzileiros Navais 5, com
seus 700 homens às ordens do capitão de fragata Carlos Hugo Robacio
agora esperavam lutar contra o invasor na zona do monte Tumbledown-monte
William-colina Sapper. Entretanto os esperavam com ansiedade crescente,
o major Aldo Rico montou emboscadas para proteger o perímetro e enviou a
vários comandos a instalar uma emboscada em frente ao monte William.
Um infernal dilúvio de balas abateu sobre as Companhias A e C do
Regimento 7 que seria a unidade com mais baixas da guerra: 36 mortos e
152 feridos. As bocas de fogo da artilharia britânica esmagaram
constantemente as posições argentinas com um intenso e preciso fogo,
ferindo gravemente os majores José Banetta, Emilio Nani e José Bettolli e
os capitães Hugo García, Jorge Calvo, Carlos Ferreyra e Luis Limia..
«Durante as doze últimas horas de luta, descarregaram seis mil tiros de
artilharia», disseram Max Hastings e Simon Jenkins (La batalla por las Malvinas, p. 326, Emecé, Buenos Aires, 1984).
Ali estava o soldado Carlos Daniel Sotelo, um dos 21 sobreviventes do
pelotão do subtenente Castaneda: "Nos mandaram uns poucos reforços,
cinco ou seis soldados e três oficiais com uma metralhadora pesada MAG,
que foram para frente, a posições que conhecíamos bem e que sabíamos que
eram muito complicadas: te davas conta de que havia um esforço
desesperado por resistir. O pior era escutar como havíamos escutado pela
rádio do comando, os pedidos de ajuda das outras posições: isso fica na
tua cabeça para sempre."
Perto de Puerto Argentino o soldado Raúl Menéndez, do Grupo de
Artilharia Aerotransportada 4, em 14 de Junho de 1982, saiu disparando
as últimas munições de sua Bateria C.
"Tínhamos seis obuses de 105 mm e a amanhecer todavia mantínhamos um
belo duelo de artilharia com os ingleses. porén, pouco a pouco nos foram
desgastando a maior parte das peças, porque tinhamos que disparar a uma
média de dez projéteis por minuto, nós disparávamos trinta por minuto.
Perto do amanhecer, havia um canhão Sofma de 155 mm que disparava desde
Sapper Hill e uma peça do meu grupo: eram as únicas que disparavam. Me
acordo que defendiamos a retirada do BIM 5 (Batalhão de Fuzileiros
Navais 5) que se retirava desde o Monte William."
Longe de Puerto Argentino e muito mais próximo do inimigo, o tenente
Miguel Cargnel batalhava em Wireless Ridge juntos às partes dos tenentes
Luis Karbiner e Jorge Guidobono:
No dia 12 de Junho de 1982, quando os ingleses atacaram Longdon,
vimos que estávamos muito comprometidos. E dizemos: «A bandeira, não».
Com o tenente Jorge Guidobono colocamos o mastro e os ferros na nossa
posição de combate. Guidobono costurou o pano no interior da jaqueta de
frio. E eu fiquei com a gravata e a fita e repartimos as condecorações
entre outros oficiais. Assim nos retiramos no dia 14 a Puerto Argentino,
quando já se sabia da rendição.
Karbiner foi o extravagante oficial que fez uma festa de cumprimentos
e distribuiu doces de batata para os seus soldados no dia 13 de Junho.
Tomaram facilmente o perímetro do capitão Hugo García em Wireless
Ridge e avançaram até as defesas del capitã Jorge Calvo. As companhias
do tenente coronel Omar Gimenez se desmoronaram; seus homens e os
paraquedistas que os acompanhavam fugiram até Moody Brook. O general
Jofre enviu a Polícia Militar e o tenente coronel Eugenio Dalton, do
Estado Maior da Brigada 10 com vários comandos a fazer cargo do
Regimento. Entretanto Dalton se fez cargo da situação de uma companhia
do atuante Regimento 25 de Rangers, treinados por soldados, foi reforçar
as unidades na saída de Puerto Argentino.
A posição argentina em Tumbledown era agora insustentável, com o
risco de que os fuzileiros foram cercados, e o general Menéndez
autorizou a retirada. Foi tal a surpresa que padeceram inicialmente a
Guarda Escocesa no monte Tumbledown, que o subtenente Robert Lawrence
ficou mutilado, narrou que o subtenente James Stuart insistiu que o seu
pelotão abandonara o assalto e que disparara contra qualquier que os
impedira retirar da batalha. (Veja Robert Lawrence, Depois da batalha:
Tumbledown, Buenos Aires, REI, 1989)
Nesse momento, o capitão Robacio, chefe do BIM 5 recebeu uma chamada
pelo telefone de campanha: em cima do monte Tumbledown acabava de cair,
seus homens batiam em retirada, avançavam os soldados inimigos.
Imediatamente informou ao major Jaimet e se propôs organizar uma
retirada imediata, o que este aceitou. Conta Poltronieri:
- A mim me deu como um ataque de loucura e comecei a sacudir a MAG, que é uma metralhadora pesada. Meu abastecedor estava cansado de por as cintas de balas na MAG, porém eu seguia atirando. Eram as nove da manhã. As balas passavam bem próximas: as traçantes eram vistas claramente. O subtenente me dizia: «Vamos, Poltronieri, que ele vão te matar…». Porém eu dizia que eles se foram. Porque eu sabia que o sargento Hector Echeverría havia tido família nesses dias. Então disse: «Vão vocês, que tem filhos, que tem família. Eu não tenho nada». Os rapazes vinham cantando, atirando no ar, como de passagem… e bem chupados (alcoolizados).
Assim não dei bola ao tenente e me fiquei esperando que a minha
companhia retirara. Até que me acabaram as balas e comecei a retirar
para Puerto Argentino. cheguei de tarde de onde estava o Batalhão de
Fuzileiros Navais 5. Lhes preguntei se sabiam aonde estava o Batalhão 6
de Mercedes, porque eu queria juntar com os meus. Me disseram que era
próximo do cemitério, que era o ponto de reunião. Quando me viram, não o
podiam crer: me haviam dado por morto. Ali me juntei com os que haviam
rendido às dez da manhã. E viu como às três da tarde nós havíamos
deixado de combater. Quando vimos a bandeira branca estendida no mastro,
a maioria ficou chorando.
Desde o edifício do comando da Brigada 10, o general Oscar Jofre e o
coronel Felix Aguiar, segundo comandante da Brigada 10 enviavam
mensagens para abandonar essa posição; em qualquer momento podia
produzir um ataque aerotransportado inimigo que o impediria facilmente a
retirada até à cidade.
O comandante das Guardas Escocesa e Galesa, declarou o seguinte: "Não
há dúvida de que os homens que nos opuseram eram soldados tenazes e
competentes, e muitos foram mortos em seus postos". (Veja Paul Eddy e
Magnus Linkater, Um lado da moeda, Buenos Aires, Hispamerica, página
382)
Foi o próprio capitão Robacio quem buscou e reconheceu os mortos do
BIM 5 no monte Tumbledown que havia sido muito atingido pela artilharia
britânica.
Nessa noite teme uma grande manifestação em Buenos Aires exigindo a
não rendição; não é possível inflamar uma sociedade como fez a Junta, e
logo pretender que não reaja. Galtieri proibiu a Menéndez que se renda.
Desde o continente, a maltratada Força Aérea Argentina ainda tenta dar
os seus últimos golpes. Há um último plano peruano de paz em marcha.
Agora que a frente militar estava próximo do golpe, o major Carrizo
Salvadores tratava de aproveitar o impulso para contra-atacar com alguns
soldados do Regimento 7. Conta o soldado Horacio Cañeque:
- O major ia ao flanco da fila. Por momentos estava na ponta da coluna. Às vezes se perdia atrás, verificando se tudo estava em ordem. O capitão Raúl Daneri ia em frente… Nisso estamos quando nos chega desde a obscuridade do caminho um grupo numeroso de soldados. Vem caminhando rápido, e muitos se confundem com nossa improvisada companhia. Tem cansaço, temor e esperanza nesses olhos. Há abraços de amigos que não pensavam voltar a ver. Tem fuzis e carregadores cheios retirados no meio do caminho. …O major gritava em vão tratando de fazer ouvir. Viu que pouco fivava por fazer, porém não se resignava. Gritei duas vezes assim: "os que queiram voltar, os que queiram, que me sigam", e encarou até Wireless Ridge sozinho, sem olhar para atrás.
Os sete Rayos saímos atras dele. Sentíamos que era uma loucura porém
não podíamos deixá-lo só. Alejandro Rosas e Luis Cunningham haviam
jogado seus radios ao diabo. Agora traziam somente seu fuzil. Nos
acompanhou vinte soldados e um par de suboficiais. Uno deles era o
sargento Pedro Villarreal, quem había sido meu chefe do grupo no período
de instrução, o início do meu serviço militar. Senti orgullo de que o
homem que me havia ensinado tudo o que eu sabia da guerra ao vir às
Malvinas, estivera comigo nesses momentos. …Em pouco tempo, os ingleses
fizeram saber de sua presença. … Não tinhamos cobertura e os ingleses
atiravam intensamente, parece que também com metralhadoras 12,7 mm ou
algo assim… A terra parecia ferver ao nosro redor.
Foi um outro ato desesperado e valente. Porém, não tiveram sorte.
Foram rechaçados. Porque os paraqueidistas britânicos já haviam
conquistado Wireless Ridge, e desde ali fizeram a cena. Com o major
foram os sete Rayos (os integrantes de seu pelotão de comando) Horacio
Caneque, Gabriel García, Carlos Connell, Fernando Magno, Luis
Cunningham, Daniel Cesar Maltagliatti e Alejandro Rosas. (Veja *[1])
Porém quando os britânicos decidem avançar ante o contra-ataque
argentino, não encontram mais resistência. É o resultado de quatro dias
de operações psicológicas executadas pelo coronel Mike Rose, do SAS, e o
capitã Rod Bell, tradutor. Estavam desde o dia 10 falando com Menéndez
pelo radio, ganhando sua confiança e insistindo a rendição «com
dignidade e honra». O 2 PARA entra nos arredores de Puerto Argentino com
suas boinas em vez dos casacos de combate e tremulando bandeiras
britânicas. No dia 23, o comandante das forças britânicas Jeremy Moore
chega no helicóptero a Puerto Argentino e conversa com Menéndez. Quando o
primeiro mostra ao segundo os documentos de rendição, Menéndez declara
de imediato a palavra «incondicional». Não era isso o pactado durante as
conversações secretas de rádio dos dias anteriores.
Faz uma breve continência e abaixa a mão, o general Mario Benjamín
Menéndez se rende nas ilhas Malvinas ao general Jeremy J. Moore às
23h59min do dia 14 de Junho de 1982,
sendo testesmunha o coronel Pennicott. Os 8.000 soldados argentinos são
desarmados e concentrados no aeroporto na qualidade de prisioneiros de
guerra. O inverno austral esfria. Faz muito frio.
Quando as notícias chegam a Buenos Aires, produz-se uma importantes
manifestações populares que são reprimidas pela Junta, perdendo assim o
pouco apoio que os ficava entre a população sensível a seu discurso
nacionalista e patriótico. Durante o dia 15, o resto das unidades
argentinas presentes no arquipélago entregam as suas armas. No dia 20,
cinco navios britânicos fazem ato de presença nas ilhas Sandwich do Sul e
a guarnição de Thule se rende sem luta. Todos os prisioneiros são
repatriados durante o mês seguinte.
As consequências
Um quarto de século depois, a normalidade reina nas Ilhas Malvinas
(Falkland Islands em inglês). Para sua população, a guerra de 1982
não era mais do que uma funesta recordação. Não obstante, anos depois
de firmadas todas as pazes, estreitadas todas as mãos e caídos todos os
políticos que a protagonizaram, alguns indícios permitem observar que
não se trata de mais um domínio colonial. A guarnição britânica no
arquipélago é singularmente numerosa, as pistas do pequeno aeroporto
adquiriram tamanhos típicos de um aeroporto internacional e um discreto
dispositivo antiaéreo e naval varre apazivelmente mares e céus.
Para o povo britânico e a opinião pública internacional, a «questão
das Malvinas» está essencialmente resolvida. Entre o povo argentino, por
outro lado, perduram aqueles que seguem considerando que as Malvinas
são, em justo direito, argentinas. Sem dúvida, não parece que este
desejo pode conduzir de novo a uma guerra, ao menos em tempos próximos.
A Guerra das Malvinas foi o primeiro conflito aeronaval moderno em
que se enfrentaram armas de alta tecnologia. Foi um enfrentamento entre
duas nações ocidentais, ambas aliadas dos Estados Unidos na Guerra Fria. Violaram tratados, cometeram excessos, houve guerras secretas paralelas. A Guerra das Malvinas teve consequências.
Consequências militares
| Perdas argentinas | Perdas britânicas | |
|---|---|---|
| Navios de guerra: | ||
| Afundados: | 4 | 6 |
| Gravemente danificados: | 1 | 15 |
| Navios de apoio: | 6 | 9 |
| Aviões de guerra: | 58 | 11 |
| Aviões de apoio: | 2 | 3 |
| Helicópteros: | 2 | 21 |
| Vidas humanas: | 649 | 258 |
| Feridos: | 1.068 | 777 |
- A Guerra das Malvinas revelou que, em termos costeiros, a guerra aeronaval não havia mudado muita coisa desde a Segunda Guerra Mundial. A maioria dos navios afundados se perderam nas mãos de aviões realizando «rasantes» com bombas, foguetes e canhões. Tal fato afirmou a importância da implementação de poderosos meios de defesa antiaérea nos navios das próximas décadas.
- O míssil já era uma arma apreciada em 1982, porém, a partir desse momento adquiriu uma relevância enorme tanto em suas variantes, tanto aéreas, como de superficie. Em particular, a letalidade demonstrada pelos Exocet, na luta antinavio, e pelos Sidewinder, em combate aéreo, influenciou decisivamente na mentalidade militar mundial. Todos os navios de guerra posteriores a 1982 levam algum tipo de defesa antimíssil.
- Se pôs em evidência que o conceito de «projeção de força» era especialmente válido, pois podem produzir conflitos imprevistos que não se liberam nas imediações do próprio território ou países aliados.
- Ficou nitidamente demostrada a eficácia dos submarinos modernos na hora de conter uma frota inimiga. A carência de submarinos modernos por parte da Argentina, e sua grande disponibilidade por parte do Reino Unido, foi decisiva para conceder a este último o dominio marítimo na guerra.
- A vulnerabilidade dos navios britânicos frente aos ataques aéreos argentinos resultaram em um duro ensinamento, não só para o Reino Unido, mas também para quase todas as forças navais do mundo, que vieram a necessidade de modernizar os radares e as defesas contra mísseis de seus navios com novas proteções, como o sistema de defesa de área.[6]
- Demostrou-se que caças modernos subsônicos com eletrônica de ponta e pilotos bem preparados (Harrier britânicos) eram superiores aos caças supersônicos de alta velocidade com uma eletrônica mais antiga e pilotos menos treinados (Mirage argentinos). Os Harriers impuseram superioridade aérea no primeiro combate de caças a jato da América Latina.
- O conflito deixou as Forças Armadas Argentinas debilitadas em equipamento, pessoal e moral. Perdeu a supremacía na região e, com a perda de prestígio da cúpula militar, as verbas e gastos militares foram mais controlados nos anos seguintes.
- Mostrou-se claramente que a superioridade de treinamento dos recursos humanos é decisiva para a vitória. Foi o princípio do fim dos exércitos de recrutamento obrigatório, um processo de desaparecimento ainda em curso, e o crescimento dos exércitos profissionais altamente especializados.
[editar] Consequências políticas e históricas
- Desde a Guerra das Malvinas, nenhuma nação ousou disputar uma grande potência por uma possesão colonial. A partir deste ponto de vista, o conflito contribuiu a um maior grau de estabilidade internacional, como também ao reforço de políticas neocoloniais que aspiram a modificar o statu quo por meios mais sutis.[7][8]
- A guerra piorou ainda mais a situação econômica argentina, e significou um severo golpe para a moral do país, do que tardaria muito em recuperar-se. Leopoldo Galtieri caiu e teve que renunciar a presidência três dias após a derrota, sendo substituído por Alfredo Óscar Saint-Jean, que a sua vez foi suplantado duas semanas depois por Reynaldo Bignone. Porém, a Junta Militar estava ferida de morte. Um ano e meio depois, o último militar entregava o poder a Raúl Ricardo Alfonsín, primeiro presidente eleito democraticamente desde o golpe de Estado de 1976. A democratização da Argentina foi, talvez, a única consequência política positiva da Guerra das Malvinas.
- O setor da sociedade que antes havia apostado sempre nos militares para que consertassem as coisas quando estas iam mal, começou a pensar que eles careciam na realidade de habilidades políticas, com isso, a mentalidade golpista foi se dissolvendo na Argentina durante os anos seguintes.
- No Reino Unido, a vitória tirou o governo de Margaret Thatcher do atoleiro em que se encontrava por suas duras políticas sociais de porte neoliberal, e ganhou as eleiçoes de 1982 com a mais ampla maioria que havia tido um candidato desde 1935. Isto lhe permitiu enfrentar com muita força todos os conflitos, com o apoio de amplas camadas da população, derivados das políticas mencionadas que se produziram nos anos seguintes e continuar no poder até 1990.
- A Guerra das Malvinas significou na prática, o fim do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), pois o mais poderoso dos seus componentes, Estados Unidos, decidiu desonrá-lo de fato para aliar-se com a outra parte no conflito. Também significou um fracasso para a ONU e para a diplomacia de numerosas nações.
- Pelo contrário, a Guerra das Malvinas reforçou a «relação especial» entre os Estados Unidos e o Reino Unido, dando lugar a um atlantismo extremo que em tempos recentes havia significado profundas divisões no processo de construção da União Europeia. Não obstante, os Estados Unidos votaram em novembro de 1982 a favor de uma resolução das Nações Unidas, juntando as partes para renegociar o conflito. Por sua parte, o resto dos países da União Europeia declarou sanções à Argentina, enquanto a guerra terminou. Havia mais mísseis e fragatas para vender.
- Na atualidade, as relações entre a Argentina e o Reino Unido podem qualificar-se de regulares. Há um «parêntese de silêncio» sobre a questão malvinense. Em 1985, Londres concedeu aos habitantes o direito a autodeterminação; tendo em conta que estes são e se sentem britânicos em sua imensa maioria, não parece que isso significa grande coisa. Em 1990, se restabeleceram as relações diplomáticas entre ambos os países. Em 1999, foi retirada do aeroporto de Buenos Aires a placa «Las Malvinas son nuestras» (As Malvinas são Nossas). *Voltaram os voos regulares entre a Argentina e Puerto Argentino/Port Stanley (o que a grande quantidade de argentinos continua chamando de Puerto Argentino). Em 2001, o Primeiro Ministro britânico Tony Blair visitou oficialmente a Argentina. Os arquipélagos seguem nas mesmas mãos que estavam no dia anterior ao início do conflito. As relações bilaterais são igualmente cordiais.
- Graças à neutralidade do Brasil na guerra, a Argentina começou a deixar de ver o país vizinho como um potencial perigo bélico.
Os centros de veteranos indicam que desde o fim da guerra, mais de
450 ex-soldados suicidaram-se por estarem mergulhados em profundo estado
de depressão. Esse número é superior ao de soldados mortos em batalhas
nas ilhas, que foram um total de 326; outros 323 morreram quando um
submarino britânico torpedeou o cruzador General Belgrano.
Os segredos não contados
Usualmente, os governos só vão manter secretas durante 25 ou 30 anos
certas informações delicadas para a opinião pública. No caso das
informações classificadas nas mãos do Estado britânico acerca da Guerra
das Malvinas, uma vez finalizado o conflito, «o governo desse país
decretou que sua publicação somente poderá realizar-se no ano 2082».
Em 2005, no programa Informe Especial, veio à luz o apoio que o Chile prestou ao Reino Unido. Um dos membros da Junta Militar do Chile, o general Fernando Matthei,
afirmou que o Chile apoiou secretamente o Reino Unido e fez todo o
possível para que a Argentina perdesse a guerra. Aviões britânicos com
insígnias chilenas sobrevoavam a Patagônia chilena e usavam bases
chilenas como centros de operações. Ademais, um grande número de
soldados chilenos foram trasladados para o sul do Chile, alarmando a
Argentina e fazendo com que as tropas argentinas se transferissem para
essa zona.
Se supôs que o Peru não somente apoiou diplomaticamente a Argentina,
como também apoiou militarmente com ações de inteligência e os temíveis
mísseis Exocet de fabricação francesa, apetrechos militares e remédios,
aliás, o Peru mobilizou a sua frota naval ao sul, fronteira que
compartilha com o Chile com o propósito de neutralizar o movimento
militar Chileno à Patagonia, as forças armadas peruanas estavam postas
para entrar em ação se o Chile tomasse parte do conflito. Peru foi um
dos poucos aliados da Argentina que a apoiou abertamente durante o
conflito.
Arquivos secretos mostram que o governo brasileiro alertou os EUA que
não aceitaria que tropas britânicas atacassem a região continental da
Argentina durante a Guerra das Malvinas. O documento narra dois
encontros em maio de 1982 entre os então presidentes do Brasil, general
João Baptista Figueiredo, e dos EUA, Ronald Reagan, além do secretário
de Estado dos EUA, Alexander Haig. a primeira conversa, no dia 11 de
maio, na Blair House – a casa de hóspede oficial do presidente dos EUA,
Figueiredo encontra-se apenas com Haig, numa preparação para a reunião
presidencial, dois dias depois, com Reagan. Tanto ele quanto Haig
lamentam que a disputa pelas Malvinas – que os britânicos chamam de
Falklands – tenha se tornado um conflito militar e tentam operar como
moderadores. Mas Figueiredo avisa que as consequências poderiam ser
muito piores se os britânicos terminassem por combater em solo
continental, em vez de apenas no Arquipélago das Malvinas.
O general brasileiro dá a entender que essa situação não seria aceita
na América do Sul e o Brasil poderia até mesmo se posicionar
militarmente ao lado dos vizinhos. Segundo o documento, ao término do
encontro, Haig perguntou a Figueiredo se “haveria algo que pudesse dizer
ao presidente Ronald Reagan” como preparação para o encontro do dia
seguinte. Segundo o relato do arquivo, “o presidente Figueiredo, em
resposta, disse que só tinha uma preocupação, qual seja a do fato
consumado de que a Inglaterra promova ação no continente, o que teria
repercussões desastrosas na América do Sul”.
O documento deixa claro que “o presidente Figueiredo assinalou a
necessidade de que essa hipótese seja evitada a todo custo”. O receio
brasileiro era que um ataque desse tipo, representando invasão de
território sul-americano por um país europeu, provocasse forte reação
popular contrária.
[editar] A ameaça nuclear contra a Argentina
Em Dezembro de 2005, apareceu o livro Rendez-vous : La psychanalyse de François Mitterrand (ISBN 2-02-029760-4), escrito por Ali Magoudi, que havia sido psicanalista do presidente francês François Mitterrand entre 1982 e 1993.
No livro, Magoudi afirma que o presidente francês havia revelado que,
durante a guerra das Malvinas, a primeira ministra britânica, Margaret Thatcher,
ameaçou lançar um ataque nuclear contra a Argentina se a França não
cedesse os códigos de desativação dos mísseis Exocet que ela havia
vendido à Argentina ("Que mulher mais terrível, esta Thatcher. Com
seus quatro submarinos nucleares destacados no Atlântico Sul, ameaça
lançar mísseis nucleares contra a Argentina, a menos que o proporcione
com os códigos secretos que deixariam os mísseis que vendemos surdos e
cegos aos argentinos"). Questionado sobre a veracidade da afirmação
de Mitterrand, Magoudi insistiu em que todas as citações atribuídas a
Mitterrand no livro são autênticas, porém não pode garantir a veracidade
das afirmações do presidente.
Dois anos antes da guerra, o Partido Trabalhista britânico inquiriu
se o Reino Unido havia enviado um submarino à ilha de Ascensão como
apoio para um ataque nuclear contra a cidade de Córdoba, em caso de a guerra ir mal. Os almirantes a cargo da Armada Real o negaram.[9]
O uso de cargas de profundidade nucleares
Em 2003, o Reino Unido reconheceu que sua frota durante a Guerra das
Malvinas havia contado com cargas de profundidade nucleares. O
presidente argentino Néstor Kirchner
exigiu que o Reino Unido apresentasse desculpas à Argentina pelo
"lamentável e monstruoso ato" de empregar armas nucleares em seus navios
de guerra.[10]
Forças Argentinas na Guerra das Malvinas
- Junta Militar da Argentina
- Exército Argentino: Tenente-General Leopoldo Galtieri, Presidente.
- Armada da República Argentina: Almirante Jorge Anaya
- Força Aérea Argentina: Brigadeiro General Basilio Lami Dozo
- Operação Rosario - 2 de Abril
Vice-almirante Juan Lombardo
Força de Tarefas 20 Capitão de Navio José Sarcona
- Porta-aviões ARA Veinticinco de Mayo (ex HMS Venerable)
- Destróier ARA Comodoro Py (ex USS Perkins)
- Destróier ARA Hipólito Bouchard (ex USS Borie)
- Destróier ARA Piedrabuena (ex USS Collet)
- Destróier ARA Comodoro Seguí (ex USS Hank)
- Navio petroleiro ARA Punta Médanos
Força de Tarefas Anfíbia 40 Contra-almirante Jorge Allara
Grupo de Tarefas 40.1 Contra-almirante de Fuzileiros Navais Carlos Busser
- 2o. Batalhão de Fuzileiros Navais. c. 700 homens em Puerto Argentino/Port Stanley
- 20 veículos anfíbios LVTP-7 Amtraks
Grupo de Tarefas 40.2 Capitão de Mar e Guerra Alejandro Estrada
- Navio de desembarque de tanques ARA Cabo San Antonio (ex USS LST 1171)
- Quebra-gelos ARA Almirante Irizar
- Transporte ARA Isla de los Estados
Grupo de Tarefas 40.3 Capitão de Fragata Molina Pico
- Destróier ARA Santísima Trinidad (Tipo 42 '80)
- Destróier ARA Hércules (Inglaterra '76)
- Corveta ARA Drummond (Francia ’78)
- Corveta ARA Granville (França ’82)
Grupo de Tarefas 40.4 Capitão de Corveta Alberto Bicain
- Submarino ARA Santa Fe (ex USS Catfish)
- Mergulhadores táticos cerca de 102 homens.
2a. Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros: 5 S-61D SeaKing
- Geórgia do Sul. - 3 de Abril
Grupo de Tarefas 60 Capitão de Mar e Guerra Carlos Trombeta
- Quebra-gelos ARA Bahía Paraíso
- Transporte ARA Bahía Buen Suceso
- Corveta ARA Guerrico (França ’78 - danificada)
- 100 homens do 2o. Batalhão de Fuzileiros Navais
- 1 Alouette III (danificado) e 1 Puma do Exército (perdido)
Teatro de Operações das Malvinas
General de Brigada Mario Menéndez (Governador)
Exército Argentino:
Puerto Argentino/Port Stanley - General de Brigada Oscar Joffre - cerca 8.000 homens.
- 10a. Brigada de Infantaria Mecanizada com os 3o., 4o., 6to, 7o. e 25o. Regimentos: cerca de 5.000 homens.
- Grupo de Artilharia com 3 canhões de 155mm e 30 canhões de 105mm.
- Comandos do 601o.Grupamento Antiaéreo com canhões de 20mm, 30mm e de 35mm e mísseis Roland, Tigercat e Blowpipe.
- Esquadão de Reconhecimento de Cavalaria Blindada com 12 Panhards.
- 9o. Batalhão de Engenheiros.
- 181a. Companhia de Policía Militar
Ilhas Malvinas sem Puerto Argentino/Port Stanley - General de Brigada Omar Parada :
Ilha Soledad:
Goose Green cerca de 1.000 homens
- 3a. Brigada de Infantaria Mecanizada com o 12o. Regimento.
- elementos do 601o Grupo Antiaéreo.
- Bateria "B" de Artilharia de 3 canhões de 105mm
Ilha Grande Malvina:
Port Howard cerca de 800 homens
- III Brigada de Infantaria Mecanizada com o 5o. Regimento.
- elementos de engenheiros do 9o batalhão.
Fox Bay - cerca 900 hombres
- III Brigada de Infantaria Mecanizada con o 8o. Regimento.
- elementos de engenheiros do 9o batalhão.
Comando de Aviação do Exército Argentino: 601o. Batalhão de helicópteros
- 2 Chinook CH-47C, 1 perdido, 1 capturado.
- 5 Puma SA.330L, todos perdidos.
- 3 Agusta A-109A Hirundo, 1 perdido, 2 capturados.
- 9 Iroquois UH-1H, todos capturados.
Armada da República Argentina ARA:
- Transporte ARA Isla de los Estados, afundado
- Transporte ARA Bahía Buen Suceso, afundado
- Transporte Río Carcarañá, hundido
- Aviso ARA Alférez Sobral (ex USS Salish) , danificado
- Aviso ARA Comodoro Somellera
Infantería de Marina:
- 5º Batalhão de Fuzileiros Navais c. 800 homens em Montes William e Tumbledown.
Comando da Aviação Naval Argentina COAN:
- 1ª Esquadrilha de Ataque: 6 Aermacchi MB.339 em Puerto Argentino/Port Stanley, 2 perdidos, 3 capturados.
- 4ª Esquadrilha de Ataque: 4 Mentor T-34C em Ilha Borbón, todos perdidos.
Força Aérea Argentina FAA:
- Westinghouse AN-TPS43 sistema de Radares de Vigilância em Puerto Argentino/Port Stanley
- 3º Grupo de Ataque: 24 IA-58 Pucará, aviões de ataque em Puerto Argentino/Port Stanley, Goose Green e Ilha Borbón, 13 perdidos, 11 capturados.
- 7º Grupo Aéreo de Helicópteros: 2 Bell 212 helicópteros, todos capturados.
- 7º Grupo Aéreo de Helicópteros: 2 Chinook CH-47C.
Guarda Nacional Argentina GNA:
- Seção de Forças Especiais, quadro esquadrões.
Prefeitura Naval Argentina PNA:
- Lancha costeira GC-82 Islas Malvinas, capturado.
- Lancha costeira GC-83 Río Iguazú, afundado
- 1 Puma SA.330L, capturado.
- 2 Skyvan 3-M de transporte leve em Ilha Borbón, todos perdidos.
Força Aérea Sul
Brigadeiro Ernesto Crespo
Força Aérea Argentina FAA:
- 1º Grupo de Transporte Aéreo: 9 Hercules C-130 baseados em Comodoro Rivadavia, 1 perdido.
- 1º Grupo de Transporte Aéreo: 12 Fokker F-27 Friendship e 6 F-28 Fellowship, de El Palomar.
- 1º Grupo de Transporte Aéreo: 1 Boeing 707 (utilizado em missões de reconhecimento de longo alcance) baseado em Comodoro Rivadavia, El Palomar e Ezeiza.
- 2º Grupo de Bombardeio: 8 Canberra baseados em Trelew, 2 perdidos.
- 3º Grupo de Ataque: 11 IA-58 Pucará baseados em Comodoro Rivadavia, 1 perdido.
- 4º Grupo de Caça: 15 Skyhawk A-4C baseados em San Julián, 9 perdidos.
- 5º Grupo de Caça: 24 Skyhawk A-4B baseados em Río Gallegos, 10 perdidos.
- 6º Grupo de Caça: 20 IAI M-5 Dagger baseados em Río Grande e San Julián, 11 perdidos.
- 8º Grupo de Caça: 17 Mirage IIIEA baseados em Comodoro Rivadavia e Río Gallegos, 2 perdidos.
- 9º Grupo de Transporte Aéreo: DHC-6 Twin Otter baseados em Comodoro Rivadavia.
- Grupo Aerofotográfico: Learjets baseados em Comodoro Rivadavia e Río Gallegos, 1 perdido.
Comando da Aviação Naval Argentina COAN:
- 1ª Esquadrilha de Abastecimento Logístico Móvel: 3 L-188 Electra baseados em Río Grande.
- 2ª Esquadrilha de Abastecimento Logístico Móvel: 3 F-28 Fellowship baseados em Río Grande.
- 2ª Esquadrilha de Caça e Ataque: 5 Super Étendard baseados em Río Grande.
- 3ª Esquadrilha de Caça e Ataque: 8 Skyhawk A-4Q do ARA 25 de Mayo baseados posteriormente em Río Grande, 3 perdidos.
- Esquadrilha de Exploração: 2 SP-2H Neptune baseados em Bahía Blanca e Río Grande
Prefeitura Naval Argentina:
- Unidades de Búsca e Resgate CSAR: 2 aviões (Turboélices)Short Skyvan, e 2 helicópteros Puma SA330, baseados en Río Grande.
Aviões civis:
- Esquadrão Fénix: 30 aviões (bimotores): Gates Learjet, Cessna Citation, Hawker Siddeley HS-125 Commander 690 e Mitsubishi MU-2.
- Aerolíneas Argentinas: Boeing 737
Teatro de Operações do Atlântico Sul
Vice-Almirante Juan Lombardo
Armada da República Argentina ARA:
Grupo de Tarefas 79.1 Contra-Almirante Jorge Allara
- Porta-aviões ARA Veinticinco de Mayo Capitán de Navío José Sarcona
- Destróier ARA Santísima Trinidad
- Destróier ARA Hércules
- Navio petroleiro ARA Punta Médanos
Grupo de Tareas 79.2 Capitão de Mar e Guerra Juan Calmon
- Corveta ARA Drummond
- Corveta ARA Granville
- Corveta ARA Guerrico
Grupo de Tareas 79.3 Capitán de Navío Héctor Bonzo
- Cruzador ARA General Belgrano, afundado.
- Destróier ARA Hipólito Bouchard
- Destróier ARA Piedra Bueno
- Navio petroleiro ARA Punta Delgada
Força de Submarinos:
- Submarino ARA Santa Fe, avariado.
- Submarino ARA San Luis
Outros:
- Quebra-gelos ARA Almirante Irizar
- Navios espiões María Alejandra, Constanza e Capitán Canepa.
- Buque espiões Narwal, afundado.
Comando da Aviação Naval Argentina COAN:
- 3a. Esquadrilha de Caça e Ataque: 8 Skyhawk A-4Q do ARA 25 de Mayo.
- Esquadrilha Anti-submarina: 6 S-2E Tracker del ARA 25 de Mayo
- 1a. Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros: 10 Alouette III + 2 Sea Lynx. 1 Alouette III perdido a bordo do ARA General Belgrano e 1 Lynx do ARA Santísima Trinidad, destruído em acidente.
- 2a. Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros: 5 S-61E Sea King do ARA 25 de Mayo.
Navios civis na MEZ:
- Navios mercantes da Argentina: Formosa e Mar del Norte.
- Navio mercante das Malvinas: Monsunen, capturado.
- Navios mercantes das Malvinas: Forrest y Penelope.
Mortos do lado argentino
- Exército Argentino:
- 194 (16 oficiais, 35 suboficiais, 143 soldados recrutas)
- Armada da República Argentina:
- 375 (ARA General Belgrano 321, ARA Alférez Sobral 8, ARA Santa Fe 1, ARA Guerrico 1, ARA Isla de los Estados 5, fuzileiros navais 34, Base das Ilhas Malvinas 1 e 4 pilotos do COAN)
- Força Aérea Argentina:
- 55 (41 aviadores)
- Guarda Nacional Argentina:
- 7
- Prefeitura Naval Argentina:
- 2 (Río Iguazú 1)
- Agentes civis:
- 16 (ARA Isla de los Estados 13, ARA General Belgrano 2 e Narwal 1)
- 649 homens
Mortos do lado britânico
- Exército Britânico: 123 (7 oficiais, 40 suboficiais).
- Regimento de Paraquedistas: 39
- Serviço Especial Aéreo: 19
- A bordo dos navios RFA Sir Galahad e Sir Tristam: 43.
- Marinha Real Britânica (Royal Navy): 86
- destóiers: HMS Sheffield 19, HMS Coventry 18, HMS Glamorgan 13, fragata HMS Ardent 22.
- Fuzileiros Reais (Royal Marines): 27 (2 oficiais, 14 suboficiais).
- Real Frota Auxiliar: 4. (RFA Sir Galahad e Atlantic Conveyor).
- Real Força Aérea Britânica: 1.
- Agentes civis: 14 (Atlantic Conveyor 8, RFA Sir Galahad e Sir Tristam 4).
- Moradores das Malvinas: 3 mulheres. (Sua casa foi destruída equivocadamente pelo HMS Avenger).
- 255 homens e 3 mulheres.
As cifras oficiais são duvidosas. Os registros próprios falam das seguintes cifras:
- Aeronaves:
-
- BAC Sea Harrier FRS.1: 6
- BAC Harrier GR.3: 4
- Boeing Chinook HC.1: 3
- Westland Sea King HC.4/HAS.5: 5
- Westland Wessex HAS.3/HU.5: 9
- Westland Sea Lynx HAS.2: 3
- Westland Scout AH.1: 1
- Aérospatiale 342 Gazelle AH.1: 3
Total: 34
- Navios afundados ou destruidos
-
- Destróier tipo 42 classe Sheffield (D-80) HMS Sheffield.
- Destróier tipo 42 classe Sheffield (D-118) HMS Coventry.
- Fragata tipo 21 clase Amazon (F-184) HMS Ardent.
- Fragata tipo 21 clase Amazon (F-170) HMS Antelope.
- Navio logístico de desembarque (L-3005) RFA Sir Galahad.
- Navio logístico de desembarque (L-3505) RFA Sir Tristam.
- Porta-containers de grande porte Atlantic Conveyor.
- Lancha de desembarque Foxtrot Four.
Total: 8
- Navios avariados de consideração
-
- Porta-aviões leve (R-05) HMS Invincible.
- Porta-aviões leve (R-12) HMS Hermes. (*)
- Destróier classe County (D-18) HMS Antrim.
- Destróier classe County (D-19) HMS Glamorgan.
- Destróier tipo 42 classe Sheffield (D-88) HMS Glasgow.
- Destróier tipo 42 classe Sheffield (D-89) HMS Exeter.
- Fragata tipo 22 classe Broadsword (F-90) HMS Brilliant.
- Fragata classe Leander (F-56) HMS Argonaut.
- Fragata tipo 21 classe Amazon (F-173) HMS Arrow.
- Fragata tipo 12 classe Rothesay (F-126) HMS Plymouth.
- Submarino classe Oberon (S-21) HMS Onyx. (acidente operacional)
Total: 11
(*) Embora não pôde ser confirmado oficialmente, o fato de que
os aviões que operavam a partir do Hermes haviam deixado de fazê-lo
desde o momento do ataque, oferece claros indícios de que pode haver
sido danificado.
- Navios avariados
-
- Fragata tipo 22 classe Broadsword (F-88) HMS Broadsword.
- Fragata tipo 21 classe Amazon (F-174) HMS Alacrity.
- Fragata tipo 21 classe Amazon (F-172) HMS Ambuscade.
- Fragata tipo 21 classe Amazon (F-185) HMS Avenger.
- Navio de assalto anfibio (L-10) HMS Fearless.
- Navio logístico de desembarque (L-3004) RFA Sir Bedivere.
- Navio logístico de desembarque (L-3029) RFA Sir Lancelot.
- Navio auxiliar de apoio classe Tide (A-76) RFA Tidepool.
- Três navios não identificados.
Total: 11
Referências
- ↑ EDDY, Paul; LINKLATER, Magnus; GILLMAN, Peter(Editores). War in the falklands: The Full Story. Cambridge: Harper & Row, 1982. 294 p. ISBN 0-06-015082-3
- ↑ Argentina fez voos secretos para buscar armas durante guerra Portal Terra (reproduzindo o Clarin.com) - acesso em 19 de fevereiro de 2012
- ↑ Texto do Tratado, TRATADO INTERAMERICANO DE ASISTENCIA RECIPROCA
- ↑ EL BEAGLE Y LA CONSULTA POPULAR
- ↑ Vários, Livro Guinness dos Records, Ediciones MAEVA, Estella, 1987, ISBN 84-86478-04-9
- ↑ Protesto na Argentina pede rompimento com Reino Unido por causa das Malvinas
- ↑ Argentina diz que Reino Unido "não tem razão" sobre Malvinas
- ↑ Margaret Thatcher Threatened to Use Nukes During Falkland Islands War News Max, November 21, 2005
- ↑ Argentina demands UK nuke apology, CNN News, December 7, 2003
Bibliografia
- ANDERSON, Duncan. The Falklands War 1982. Elms Court: Osprey, 2002. 95 p. ISBN 1-84176-422-1
- EDDY, Paul; LINKLATER, Magnus; GILLMAN, Peter(Editores). War in the falklands: The Full Story. Cambridge: Harper & Row, 1982. 294 p. ISBN 0-06-015082-3
- ENGLISH, Adrian; WATTS, Anthony. Battle for the Falklands Donizeth Martins
(2)Naval Forces. London: Osprey, 1982. 40 p. ISBN 0-85045-492-1
Ver também
- Armada Argentina
- Força Aérea Argentina
- História da Argentina
- História do Reino Unido
- Leopoldo Galtieri
- Sandwich do Sul
- Cronologia da Guerra das Malvinas
Ligações externas
- Ar.Geocities.com/laperlaaustral (relato do soldado recruta Jorge Poltronieri, quem por sua conduta nas Malvinas recebeu a mais alta condecoração argentina).
- fotos e relatos do 25o. Regimento de Infantaria (tipo Ranger)
- Relato do capitão Héctor Gustavo Pugliese do 25o. Regimento de Infantaria quem afirma que dois Sea Harrier foram derrubados em 1 de Maio
- CECIM.org.ar (Página oficial dos ex-combatentes do 7o. Regimento de Infantaria)
- Entevista con o ex-soldado recruta raso Julio Lago, pertencente ao histórico 7o. Regimiento de Infantería "Coronel Conde"
- Civila.com/Efemerides/RelatoDeLaGuerraDeMalvinas (testemunho do primeiro tenente Jorge Echeverría, do 4o. Regimento de Infantaria que lutou no monte Harriet).
- Para Ti online (nota) (A filha do tenente Luis Carlos Martella que lembra de seu pai, que faleceu no morro Dos Hermanas).
- Diario Clarin 1996/05/26 (Informe sobre crimes de guerra no monte Longdon).
- Diario Clarin 2002/06/16 (Entrevista com o porta-bandeira do 7o. Regimento de Infantaria)
- Entrevista com soldados e quadros que combateram nas Malvinas.
- Forum de debate amistoso anglo-argentino acerca das ilhas Malvinas.
- Fatos e votações no TIAR
- Monde-Diplomatique.fr/plancolombia (ver o correspondente ao ano de 1982).
- OEA prensa (O presidente do México opina que o conflico nas ilhas Malvinas «demostrou o fracasso do TIAR»). OEA
- PTB.be/doc/em47/malouines.htm (A estação de satélites dos Estados Unidos DSCS11 transmitiu informações de movimentaçoes militares argentinas aos aliados britânicos) em francês.
- SIICsalud.com (testemunho do capitão Hugo Ranieri da 602a. Companhia de Comandos que lutou nas proximidades do monte Kent).
- Prefeitura Naval -informação e ações nas Malvinas e TOAS (Prefeitura Naval)
- Esquadrão Fênix - Missões de dispersão
- Antecedentes, informação e ações sobre as Malvinas (Força Aérea Argentina).
- Dados sobre a participação da Arma de Infantaria do Exército Argentino na Batalha das Malvinas (Infantaria do Exército Argentino).
- In memorian (Exército Argentino)
- Antecedentes históricos e jurídicos. (Exército Argentino).
- Ações bélicas: resenha histórica (Armada da República Argentina)
- Cruzador General Belgrano (Armada da República Argentina)
- Força Aérea Argentina(FAA)
- Exército Argentino (EA)
- Armada da República Argentina (ARA)
- Sin Novedad en el Frente - Documentário sobre a Guerra das Malvinas
- "Há 27 anos, o ditador Galtieri celebrava desembarque nas Malvinas" - blog de Ariel Palácios
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