Fevereiro de 2011, Trípoli e Benghazi acordam em meio a
grande repressão e protestos populares brutais contra o líder Mu'ammar Minyar
Abu al-Qadhafi. Região conflituosa com um povo dividido entre a liberdade de um
período ditatorial inacabável e a regência de um líder autoritário que soube,
de certo modo, ter controle sobre seu território e população. Por sua vez, a
Líbia passou a conviver com forças de oposição em seu território, as quais
exigiam a saída de Qadhafi do poder e a implantação de um sistema democrático,
livre e pautado nos direitos humanos universais no país.
As tropas de Qadhafi executaram bombardeios aéreos contra a
própria população, levando o Conselho Nacional de Transição (CNT), formado pela
oposição líbia, a apelar pelo auxílio do Conselho de Segurança das Nações
Unidas (CSNU), o qual aprovou uma zona de exclusão aérea sobre o país. Tendo em
vista a situação preocupante, a Liga dos Estados Árabes (LEA) anunciou seu
apoio aos oposicionistas e, por sua vez, a Organização das Nações Unidas (ONU)
seguiu com a implementação da zona de exclusão aérea, sob o comando da
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), limitando ainda mais a
atuação de Qadhafi.
A situação líbia começou a se tornar cada vez mais indefinida
a partir das constantes notícias de choques militares em Misrata, Sirte e Ras
Lanuf, com o controle sobre essas cidades mudando de mãos da noite para o dia.
Ações recorrentes da OTAN contra alvos das tropas pró-governo atrelada a
persistência do movimento opositor culminaram, na vitória sobre Qadhafi, em 22
de agosto de 2011, fato anunciado com entusiasmo pelos rebeldes líbios na
principal praça da capital Trípoli.
Movimentos revoltosos como o que vem ocorrendo na Líbia, e
que fazem parte da chamada Primavera Árabe, são resultados de problemas
internos não solucionados que incentivam uma frente opositora a se rebelar
contra o governo. No caso Líbio, mesmo após a deposição de Qadhafi, os
revoltosos não desistiram da captura daquele que, por 42 anos, os submeteu,
segundo os próprios líbios, à “escravidão” e à “repressão”, permanecendo a
resistência das forças fiéis ao ditador na região.
Em 20 de outubro de 2011, um comboio que levava Mu'ammar
Qadhafi, seu filho e o ex-ministro da defesa líbio para fora da cidade de
Sirte, foi atingido por um bombardeio de aviões franceses e norte-americanos
sob o comando da OTAN. Por terra, os rebeldes alcançaram o alvo e capturaram o
ditador que estava escondido em uma tubulação de esgoto. Vídeos gravados pelos
próprios rebeldes se espalharam ao redor do mundo mostrando a euforia da
população pelo feito, se contrapondo ao ditador ferido e clamando pela sua
vida. Às 12h30, foi anunciada a morte de Qadhafi.
A morte do líder não só encerrou definitivamente o período ditatorial,
como iniciou uma nova etapa na história da Líbia. O fim dos confrontos entre
forças pró e anti-Qadhafi, que deixaram um rastro de destruição no país, não
acabou com os problemas locais, muito pelo contrário, a nova etapa apresentaria
novos, e para muitos, maiores desafios ao povo líbio dividido em 140 etnias
distintas.
A Liga dos Estados Árabes reconhece o envolvimento de
questões políticas, econômicas e sociais, além da violação dos direitos
humanos, acreditando que o foco, com a morte de Qadhafi, passou a ser a
reconstrução da sociedade líbia. Segundo o próprio secretário-geral da
organização, Nabil al-Arab, o país deve olhar para o futuro e buscar a
instauração da paz a fim de acabar com mais um dos tantos fatores que
instabilizam a região.
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